Tradução

Este é o meu espaço livre na MATRIX, onde posso depositar as emoções (e ilusões) da (minha) vida e brincar de jornalista, crítica, prêmio nobel da literatura... Escrevo não só por necessidade, mas também para entender o porquê, dela, de pensar o tempo todo, e de tantas palavras, tantos textos nascidos semi-prontos pedindo para gritar. E aí, quem sabe, alguém lê e me explica por que eu, e não só eu, com medo de ser decifrada, preciso tanto de tradução.



lunes, septiembre 29, 2003

Entre os grandes dias

Uma vez eu li, não sei bem onde, que a vida não são as grandes datas, as grandes festas, os grandes acontecimentos, que a vida é o tempo entre eles. Acho que discordo, mas nem tanto. Quinta feira revelei todas as fotos que tirei esse ano. Revelei todas as 24 fotos! Eram as fotos do show dos Engenheiros e do CPM, do dia que as minhas amigaas vieram me visitar, do meu ap, da vista do ap (essas ficaram sensacionais!), de mim por mim (essa ficou horrível!), e do show do Capital (o último ser sem camisa lá no infinito, dizem, era o dinho Ouro Preto). E, quando fui guardar o álbum, vi outras fotos. Velhas, do tempo da ETE, do Espanho e de umas festas de aniversário. Vi que a vida era aquilo. Mas não só. Era o que aquilo representava.

Sábado. Fui no casamento do meu vizinho. O irmão dele havia casado um ano antes. Pelo menos o casamento do que casava agora foi menos traumático, porque eu já tinha gostado, por um único dia, é verdade, mas tinha gostado muito do irmão mais velho. Uma tarde a vizinha (mãe do rapaz, quando a gente tinha uns 14 anos), comentou com a minha madrasta da época, que nós poderíamos casar que daríamos certo. Naquele dia eu gostei muito dele. Nem fui kogar queimada com os meninos. Gostei tanto que queria casar com ele (riam, é engraçado). E depois daquele dia, mesmo o cara não sendo bonito, eu sempre fico sem assunto perto dele. E no casamento dele, não fui com a cara da noiva. Nem sábado, quando os revi como padrinhos, fui com a cara dela. Ela tinha aquela cara de "esse é meu!". Sei lá.

Mas a noiva de sábado, essa me cativou de pronto, apesar de chegar atrasada, peguei ainda meu pai fotografando ela saindo do carro. A menina sorria sempre, tipo eu quando fico nervosa, muito legal!. Foi um casamento evangélico - e não quero abrir aqui nenhum fórum de discussão religiosa, - e foi muito bonito, embora eu tenha achado uma pena não tocarem aquela musiquinha clássica de casamento! Mas, o ponto alto da cerimônia, algo que deveria ser imitado por todos os casais, foi que a noiva cantou para o noivo!!! Foi lindo!!! Ela cantava bem, o car ficou com cara de babaca, eu queria bater palmas e gritar viva! mas um cara me olhou feio quando eu, e só eu, já me preparava para bater palmas esfusiantes (acho que escrevi errado). E, mais legal ainda, ela cantou uma música de amor, e não aquelas que me dão paura, medo, tontura e enjôo, com as palavras, louvor, senhor e jesus é deus. Foi de amor eterno. O pastor até falou de ágape (não como eu o concebo) e tudo. Mas foi bonito mesmo!

Mas o que eu queria falar, é que nesse casamento, encontrei um cara que estudou comigo na oitava série! Sabe o que é encontrar alguém que foi seu primeiro amigo homem, o cara de quem vc ganhava competição de expressões numéricas, e que vc não vê há oito anos? Foi tão estranho e tão legal! Ele foi o primeiro cara que eu pensei que gostava de mim, não gostava, e não me magoei nem um pouco. Um dia, ouvi ele falando para um outro cara: eu sei que ela não é bonita, mas a gente passa um tempo junto aqui na escola, é mais inteligente que a Camila (leia-se o ser loiro mais bonito e nojento do planeta) e eu estou gostando muito dela. Claro que eu pensei que era eu! Mas não era, e quando ele me contou que estava namorando com a menina da sala ao lado, eu fiquei verdadeiramente feliz por ele. Foi legal. Mas legal mesmo, foi ao reencontrá-lo foi me surpreender com o fato de que era evangélico, e mais, que ele cumpria o plano que tinha traçado na 8º série. Ele não se perdeu em outras paixões pelo caminho! Ele está terminando administração no mackenzie e toca saxofone. Aliás, vale dizer, ele entrou tocando saxofone na frente da noiva!

Quando ele me contou que estava fazendo administração, e perguntou e eu, e eu respondi que tava na polícia, que tinha feito nutrição, que gostav de teatro e ainda não tnha passado do vestibular ele ficou surpreso. E eu voltei a pensar no que tinha feito da minha vida. Mas fiquei feliz como quando ele disse que tava namorando. E, fechando com chave de ouro, ele me deu um sincero e forte aperto de mão. Como um amigo, e não um falso abraço, nem uma falsa e desnecessária troca de telefones. Um bom aperto de mão e boa sorte! Foi magnífico.

Domingo aproveitei bem visitando a mãe da minha amiga que está no japão. Hoje descansei e fiz tudo que tinha que fzer. Por isso, concluo que a vida não é o espaço entre os grandes dias, é fazer da vida grandes dias e não deixar espaço para se lamentar. Estou filosófica, mas estou em paz. E é isso.

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viernes, septiembre 26, 2003

O sempre presente

Eu não queria ser repetitiva, tipo uma vitrola quebrada, mas o que fazer se eu penso o tempo todo no bendito vestibular, no que vou fazer da minha vida? E nessa droga de carência que de tempos em tempos resolve me encher o saco? E a cada dia me sinto pior. Você não está estudando? Não. Mas vc não tem uma lei que te obriga? É tenho, mas eu sou uma boa advogada de mim mesma e, coincidentemente, nesses últimos dias apareceram excessões não previstas, o que obrigou o legislador a me conceder o direito a não cumprir o artigo referente ao estudo: um dia o ap tava um caos, no outro teve correição, no outro trabalhei mais que 12 horas e, depois do tombo que levei, meu joelho tava doendo, e no outro peguei o ônibus errado e levei mais de 1 hora para chegar em casa. E porque se sente pior?

Porque agora está tudo junto. Cansaço, ansiedade, insegurança, indecisão, não ter saída. Eu estou cansada, não gosto de ficar repetindo isso como se fosse um velha reclamona, mas eu estou cansada. Quero parar, sentar, respirar fundo, dormir uns três dias seguidos, viajar, arrumar a casa, lavar o cabelo e começar de novo. Férias, eu quero tirar férias. Descansar antes de descansar. Eu queria ir viajar com a Scully e conhecer o pessoal de Campos, mas antes de fazer as malas, arrumar tudo certinho aqui dentro, quero saber que quando voltar vou encontrar tudo no lugar, pronto pra batalha. Não quero tirar férias da minha vida, como uma fuga. Quero, preciso, é arrumar tudo e descansar depois. Para ter coragem de continuar.

Mas ontem, fui falar com o outro agente (somos em dois, eu trabalho num dia e ele no outro), e ele pediu pra eu não tirar férias em novembro, que ia atrapalhar ele (ele mora em Sorocaba) e tal, se eu não podia tirar em dezembro ou janeiro. Não! Em dezembro ou janeiro eu não vou tirar, porque é a melhor época para trabalhar, a cidade está vazia, e depois, ficar em casa em época de festas cansa muito. Todo mundo tá de férias e isso cansa. Aí, o que me sobra, fevereiro e março. Em fevereiro tem portaria que, se não proibe as férias da gente (por causa do carnaval) dá o direito de chamar a gente de volta a qualquer tempo. E já que é perto, prefiro ficar com abril, mês do meu aniversário, e eu não serei obrigada a ficar ouvindo parabens de todo mundo! Só que aí, estarei em aulas na faculdade, então esquece viajar.

Que droga! Eu me vejo tão sem saída, tão sem solução. Eu sei o que quero fazer quando crescer, eu quero trabalhar com arte escrita, impressa, filmada, encenada. Se eu tivesse que pura e simplesmente escolher, fácil, fácil, artes. Pronto! O problema é que eu tenho que fazer medicina. Eu sinto isso! Eu sinto, como se eu tivesse feito um acordo com o mundo, com Deus. Concordo que a arte melhora o mundo, mas quando vc está com muita dor de cabeça, vc quer ir ao teatro ou ao médico? E aí, que se eu penso, por um minuto sequer, em ir pelo caminho exclusivo das artes, do teatro, sinto uma dor, como se um amigo me batesse, um aperto no coração e vejo o absurdo que é feito nos hospitais e que não estarei dando nada em troca ao mundo por eu ser tão feliz, por ter tanta sorte! E, junta com tudo isso, uma voz, a minha voz, me lembra que uma vez, eu prometi para mim mesmo que seria cientista, e que ao entrar no hospital eu sinto a mesma magia que sinto ao entrar na coxia, e que sendo médica, poderei assistir quantas peças quiser e poderei fazer algumas também, mas sendo atriz, quantas operações eu poderei assistir? Quantas eu farei? E como vou contestar, se é verdade?

E aí, eu lembro que para entrar na droga da Universidade nesse curso u tenho que estudar muito! Mas eu não gosto de estudar! Por que eu vou mentir ou minimizar a verdade, eu não tenho concentração para estudar, aprender tudo bem, mas sentar e estudar é horrível para mim! Até já pensei em procurar ajuda terapêutiaca pra isso, meu pai mesmo já falou nisso, mas se eu deixar um psicólogo mexer dentro de mim, eu nunca mais serei a mesma. Não. Eu resolvo, não nasci áriana à toa, eu posso resolver meus próprios problemas. Eu começo, o problema vai ser terminar...

E por ser ariana assim, a carência que eu sinto é um abismo imenso e profundo. Leia qualquer revista, publicação, ou comentário sobre os arianos e vc vai entender perfeitamente o que estou dizendo. Não sei se todos os arianos são assim, mas eu sou, eu preciso de uma paixão avassaladora para recarregar a pilha, não só de um amor perfeito, calminho, não, eu preciso de amor, de corpo e coração. Sou egocêntrica sim, não precisa que seja necessariamente que ele me ame, eu preciso amar alguém, sentir o coração exlodir quando o cara passar, preciso exercitar meus jogos de sedução (que nunca dão certo) e aproveitar o nosso século de liberdade. Preciso desse fogo, iluminar e queimar. Não aquecer, queimar, incendiar, um imenso clarão. Mesmo sabendo que eu nunca cheguei e, dificilmente, chegarei em alguém. Mesmo que acabe logo, mesmo que vire cinza, mesmo que nem fale comigo amanhã. Não me importo, só preciso recarregar meu próprio ser. Sonhar de novo. E todas as músicas, todas as artes, só falam nisso, amor, paixão, beijar. Quando eu esqueço a Sandy me lembra. Esqueço de novo, o Chorão vem e cutuca mais no fundo ao cantar minha história invertida nas rádios. Apago da mente e vem a Tarja com sua voz perfeita falar pelo meu próprio coração. Até os Engenheiros estão conspirando contra mim.

E (a cada minuto algo mais se soma), pensar nisso tudo, numa tarde de sexta-feira cinza, aqui no serviço, ouvindo, e sorrindo, a todo momento, "e aí, sexta a noite nesse friozinho, tá bom pra namorar né?", só faz o grande buraco negro sugar mais e mais de mim para dentro. "Parece cocaína, mas é só tristeza". Mas nem tristeza é. É o nada. Se pelo menos eu tivesse triste, mas não, é o nada. "Tenho que passar no vestibular". É, tenho. "Meu joelho dói". É dói, eu caí de cara no chão outro dia (foi cena de filme) estava andando, contemplando a cidade e bum! Caí. "Estou com o cabelo molhado, me sinto limpo". É isso que vou fazer amanhã de manhã, antes de ir pra casa, e então estarei um pouco mais esperançosa... Renato Russo ao escrever e cantar me entende perfeitamente. Queria pelo menos, agora, ter a companhia dele, ou do meu namorado que morreu antes de eu nascer: Álvares de Azevedo.

Ah, e antes que esqueça, acaba de ser revogado o artigo que diz que os meus posts não podem ter mais que 5 parágrafos!

Comments: postado por: Romy Trinity4:52 PM


jueves, septiembre 25, 2003

Sociedade e contato social

Hoje foi dia de correição ordinária. É tipo uma sindicância, vistoria ou não sei como chamam na iniciativa privada. É assim, os chefes da seccional vão até o DP e verificam se está tudo certo e se o trabalho está em dia. Sempre depois da correição vem umacomida de rabo para alguém, porque não é possível que esteja tudo ceerto. Quem mais se estressa são os escrivães que são os caras que mais trabalham na polícia. Sim, são eles. Por isso, por favor,se vc for bem atendido numa delegacia agradeça ao escrivão (é o cara que faz o BO, toca o Inquérito e ainda aguenta bronca por tudo e de todos) e não só ao delegado!

O caso é que para mim, que não sou escrivã, é apenas um evento social. O poder público ainda não percebeu a importância que há em fazer eventos periódicos para integras as equipes de trabalho, por isso, eventos assim, ficam meio solenes, afinal, dificilmente, todas as equipes se encontram, todos bem vestidos e cheirosos e não em plantão (exceto a equipe do dia, claro). E na minha primeira correição lá eu percebi que os seres humanos são uns bichos com comportamento padrão. Eram pessoas diferentes, mas quase que com a mesmo comportamento. Por exemplo, eu tenho uma característica, que para a maioria das pessoas é defeito, de quase sempre gostar dos meus chefes. Culpa minha se tenho sorte em ter chefes legais? Daí que chegou o delegado seccional e cumprimentou a todos com um aperto de mão, que eu torço para que seja regra e não os beijinhos nas meninas - por que as mulheres tem a obrigação de receber beijinhos de caras nojentos e os caras podem só dar um aperto de mão quando a menina é muito feia? - e o ref. delegado me cumprimentou com um beijinho. Só que ele me conhecia antes de ser o todo poderoso e eu achei uma humildade muito legal da parte dele de me tratar assim. Claro que eu preferia que ele me desse um aperto de mão e seguisse em frente, mas já que falou comigo, como um indíviduo, eu fiquei super feliz. Esse cara é um dos dois delegados que eu teria coragem de seguir junto, defender e tal. Ele te olha nos olhos e nunca ouvi falar que fosse corrupto. Nem dá para imaginar ele fazendo algo assim. Dizem, comigo nunca aconteceu, que ele dá show quando briga com alguém, eu até ja vi gente sair chorando da sala dele, mas comigo ele sempre foi fino e educado. Sempre. Mesmo quando eu tinha acabado de sair da academia.

Eu passei a correição toda observando as pessoas e elaborando definições, sem generalizar nada, sobre o tal do comportamento humano. Modéstia bem a parte, as vezes eu tenho o dom de ser bem social, circular entre várias rodinhas, rir de várias piadas, e acabar a festa (ou seja lá o que for) sem ter ficado (em qualquer sentido da palavra) muito tempo com uma só pessoa, mas sem ter ficado sozinha com cara de vovozinha no sofá. As vezes eu consigo. Mas dificilmente eu saio ilesa da festa, sem dar o fora. E foi caso. Eu tento não falar nada de ninguém e só dar sorrisos sociais, exercitar meu lado político, mas eis que depois de tudo terminado, resolveram servir uns salgadinhos, mas antes, deram flores para uma das delegadas da seccional. Só que ao invés de entregarem diretamente pra ela, deram para o seccional e eu soltei, indavertidamente, baixo, mas audível, a frase "mas que boiolice! que bichice! que bichice".

Desculpem-me os homossexuais leitores, mas é que eu não gosto de flores! Não gosto de receber flores, elas me lembram cemitérios! A primeira vez que recebi flores, que graças a Deus não eram rosas, foi de uma migo meu da 8º série quando fiz 15 anos, e ouvi comentários sobre isso por um século. Ninguém entendia que o cara me deu flores porque a mãe dele era dona da floricultura! Céus, só por isso! E eu ouvi piadas idiotas por quase meio ano! E por eu não gostar de flores, por elas me lembrarem cemitérios, eu acabei soltando. E quem estava atrás de mim? O meu chefe, justamente o indíviduo que teve a idéia e que escolheu as flores! Precisa comentar? Só depois é que eu fui saber que as flores eram para a mulher e que era aniversário dela, aí já era tarde para remediar.

Eu até queria falar mais, sobre como classifiquei estar a fim, achar bonito e sentir atração, que tem gente que lembra quando fica bêbado e tem gente que não (não rolou bebida na festa não! foi uma conversa com o pessoal), que eu deveria ter ido no cinema, mas tenho uma lei a cumprir (a minha) e vou terminando por aqui mesmo, senão estouro a quantidade máxima de parágrafos!

PS: Tem dois links novos no Saída para melhorar o País. Se puderem visitar, vale a pena!

Comments: postado por: Romy Trinity10:06 PM


sábado, septiembre 20, 2003

CONSTATAÇÃO

Acho que a prova de que sou eu que escrevo aqui mesmo, que isso é quase como um diário mesmo, e que tem a minha marca, aquela coisa que meu pai diria, isso é coisa da Trinity, com certeza, foi essa semana. Hoje é sábado, e em dois dias completaria uma semana que eu não postava nada.

Quase tudo na minha vida é ou foi meio assim. Incontrolável no começo, uma compulsão, embora em se tratando da escrita isso dura bem uns 15 anos, um querer escrever sobre tudo, um querer postar tudo o que se escreve. Meus começos de quase tudo são tão intensos, mas só o começo. Depois, sei lá, parece que fica velho, e eu quero começar de novo com algo novo, diferente. Tipo os cursinhos pré-vestibular, que sempre começo com a corda toda, e antes do 3º mês já acho tudo muito parado, muito chato e acabo saindo.

O legal é que, pelo menos dessa vez, não estou desistindo do blog, porque eu gosto mesmo de escrever. Claro, que exagero um pouco nessa generalização só por causa de uma semana parada. Afinal, tudo caminhou para que eu não conseguisse publicar nada essa semana, mas como eu acredito em sinais, acho que o Universo conspirou para que eu pensasse um pouco sobre minha vida, esse ano, meus planos, vícios e virtudes (diga-se de passagem que eu AMEI essa música do Charlie Brow Jr, gravada no acústico). E pensandosobre tudo isso, tomei algumas DMT (decisões-mutantes-temporárias). Eu adoro tomar decisões assim. É um antídoto, cada decisão que eu tomo faz a sensação de começar de novo, voltar. E essa sensação me alimenta, me descansa, me compele à vida.

Assim, inspirada na minha deslumbrada leitura da Constituição da República Federatica do Brasil, também sob a proteção de Deus, publico aqui as DMT referentes ao blog, a caixa de mensagens, ao acesso a internet, entradas e saídas do mundo virtual e dos sonhos:

Determinação Mutante Temporária 01/03

Considerando que eu sempre tenho muito a escrever;
considerando que eu sempre quero escrever sobre muitas coisas;
considerando que o eventual leitor desse blog não tem a eternidade para ficar lendo meus posts;
considerando que eu, temporariamente, não possuo meios próprios de acesso a Rede Mundial de Computadores e que o Estado de SP tem uma das polícias mais mal pagas do país, tornando-se oneroso o acesso à referida rede;
considerando a proximidade dos exames vestibulares,
considerando a existência de filmes legais estreando a cada semana;
considerando que o dia dispõe apenas de 24 horas; e
considerando que o tempo, embora invenção, é inexorável e justo na disposição das horas;
torno púlicas para conhecimento próprio e palpite alheio, a seguinte Determinação Mutante Temporária.


DO TEMPO
1º - O tempo máximo destinado ao sono durante as noites será de 9 horas, salvo nas noites de sábado para domingo.
2º - O tempo máximo destinado ao sono durante os dias será de 2 horas, exceto se as noites forem passadas em claro.
3º - O tempo máximo de acesso à internet será de 2 horas diárias, não cumulativas, incluindo-se para contagem o tempo de acesso durante o plantão.
4º - O tempo mínimo de dedicação aos (fé, coragem) estudos pré-vestibulares será de 4 horas em dias de folga e de 1 hora em dias de plantão.
5º - O tempo mínimo destinado à atividades físicas será de 1 hora diária.
6º - O tempo máximo destinado a assuntos de lazer por semana será de 10 horas, excetuando-se o tempo referente a shows de rock, tempo de viagem e quando em tempo livre.
7º - O tempo mínimo destinado às refeições deverá ser de 1 hora, sendo que todas as refeições são obrigatórias e que a senhora sabe muito bem como deve se alimentar (fez curso de nutrição pra quê?)
8º - O tempo restande poderá ser usado a critério, preferencialmente leitura, observado os artigos anteriores.

DA INTERNET
9º - É vedada a publicação de posts com mais de 5 parágrafos, admitindo-se eventuais ressalvas em casos específicos em que não haja tempo para a necessária revisão.
10º - É vedada a leitura de mais de três arquivos no formato pps, do tipo "A vida é Bela", encaminhados normalmente com o título de Bom Dia.
11º - O número permitido de resposta de e-mails pessoais é de até três destinatários por dia, salvo em caso de emergência pessoal ou evento cultural imperdível.
12º - Além dos blogs de leitura quase obrigatória e dos que comentaram, o limite máximo para a leitura de blogs novos é de 3 por dia; exceto aos sábados a noite.
13º - É permitido um máximo de 10 mensagens encaminhadas, exceto em casos de emergência pessoal, eventos imperdíveis ou vírus.
14º - A busca por páginas novas, de assuntos interessantes, com o intuito de expandir horizontes, observado o disposto no artigo 11º, deverá ser estimulado.

DISPOSIÇÕES FINAIS
15º - Nenhum dos artigos poderá ser usado contra os propósito dessa determinação.
16º - Se comprovada o não cumprimento dessa determinação, má fé ou manipulação matemáticas dos termos, a infratora será punida com a restrição ao consumo de baked potato, pizza de atum com palmito e muzzarela, pipoca com manteiga do cinemark, casquinha e vinho; podendo chegar à proibição da compra do CD mensal a que tem direito.
17º - Essa determinação entra em vigor na data de sua publicação, revogadas todas as disposições e saídas matemáticas em contrário.
18º - Estas disposições perdem o efeito no primeiro dia após a divulgação dos resultados dos vestibulares, no qual

a pessoa a quem se aplica deverá estar rouca e muito louca por ter gritado por horas ininterruptas EU PASSEI!!! EU PASSEI!!! EU PASSEI!!!

São Paulo, 20 de setembro de 2003

TRINITY ROMILY OHARA - RESPONSÁVEL PELA PUBLICAÇÃO DOS BLOGS SAÍDA E TRADUÇÃO.

Comments: postado por: Romy Trinity5:31 PM


O ÓBVIO SUB ENTENDIDO

Era um filme sobre velhinhos, não sei o nome agora, se não for "Dois velhos rabugentos" era um parecido. Falava sobre a terceira idade e tal. O caso é que no meio do filme os dois se apaixonam e ele a pede em casamento. Ela responde que esteve casada não sei quantos anos, que gostava dele também, mas que só se casaria, nas palavras dela "depois que você dormir comigo".

Ele, um homem, fez aquela cara, de, ah, entendi, e marcaram então para a próxima noite ou na seguinte, e como não tinha entendido o que ela queria dizer, foi pedir ajuda e esclarecimentos aos amigos. Ele disse que há muito tempo não namorava, desde a morte da esposa, e não sabia bem o que aquela mulher queria. Dos dois amigos, um disse que ela queria o óbvio, queria testar, ver se ele era bom de cama e que ele deveria assim que entrassem no quarto fazer amor com ela da forma mais apaixonada e arrebatada! Que ela queria ver se ele não era tão velho...

O outro amigo disse que não era assim. Que ela queria ver se ele conseguia se controlar, e o que ele deveria fazer era o que as mulheres modernas achavam sexy: deveria fazer vários ruídos, para que ela avançasse para ele. Esse amigo explicava os sons, algo parecido com uma mistura de ronco e gemido, aos poucos, e depois ia aumentando o volume até que ela ficasse louca.

O homem em dúvida, acho que por ser menos agressivo, acabou por utilizar a sugestão do segundo amigo. Então, cada um colocou seu respectivo pijama, deitaram na cama, ela apagou a luz e virou para o lado, de costas para ele. Ele, deitado de costas, começou com os ruídos, um ronco-gemido, uma tosse, outro barulho estranho. Começou baixinho e depois de alguns minutos, parecia alguém passando muito mal. Tipo um tuberculoso roncando. Ela, assustada, acendeu a luz e perguntou se estava tudo bem, se tinha algo errado, ou coisa assim. Ele disse que o problema eram amigos idiotas, pediu desculpas, ela aceitou, apagou a luz e dormiram. E acordaram abraçados.

Ele descobriu que ela queria apenas dormir com ele. Mas não foi isso que ela disse?

Comments: postado por: Romy Trinity5:25 PM


lunes, septiembre 15, 2003

O Sol

O Sol é um amigo estranho que tenho. Ele me faz bem, mas faz mal. Em segundas feiras (deesculpem-me mas eu gosto de segundas) em que ele aparece invadindo meu quarto, iluminando a vida e recarregando minhas baterias, se torna meu confidente e minha fonte de esperança. Em tardes, de qualquer dia, ao meio dia, quando me faz transpirar no ônibus lotado, quando incita os homens a beberem cereja e as mulheres a colocarem menos roupas, e me faz passar mal, com sede e sem vontade comer, eu o odeeio. Chingo mesmo. E grito que odeio essa porcaria de calor. Luz e calor, para mim são antônimos!

Nessa segunda eu sorri ao acordar, sorri ao caminhar, fui sorrindo à rodoviária ver o preço das passagens, e só faltei cantarolar la la la la. Agora, que falta tão pouco para o sol se por, acho uma pena e me condeno por ser tão incontrolável, por não ter acordado mais cedo, por não ter saído daqui ainda. Brigo comigo, mas não adianta muito, ainda estou sentada, digitando, levando em frente a idéia narcisista de me exibir para o mundo.

E uma voz, sussura, no meu ouvido, continua aí, tem um japonês estudando para pegar sua vaga de medicina, tem uma modelo, loira, linda, que trabalha na globo, decorando as obras para a prova de Artes Cênicas, e até sua irmã está mais preparada que você. Mas a voz se cala diante do meu sorriso de ah é? bom pra eles. Nada me tira daqui. Mas aí, meu eu do contra, se vira para mim, e resolve admitir que estou sem inspiração, porque as segundas feiras são tão boas para mim, me trazendo a idéia de um novo começar, a energia do agora vai!, que me sinto completa, querendo só através do olhar e do sorrir, mostrar minha felicidade.

E eu saio daqui, para começar uma nova briga, agora para não devorar uma Baked Potato - por que algo tão bom é tão caro?

Eu só queria mesmo era agradecer pelo Sol, enquanto não chega o verão e ainda somos amigos...

Comments: postado por: Romy Trinity4:24 PM


domingo, septiembre 14, 2003

Este post foi escrito na madrugada de sábado, mas eu não conseguia abrir a página do blogger daqui de casa, então não postei. E agradeço a galera do quarto da Áurea por terem deixado tantos comentários!

Acalanto

Eu já tinha me esquecido como é bom escrever no seu próprio micro, tomando um chá quente, sem pagar por hora, sem ter que verificar se já chegou trabalho para fazer. Um dia eu vou ter um só meu! Eu gosto de personalizar o micro, não só o fundo de tela, mas por os atalhos que mais uso, deixar e mudar as configurações que eu quiser, e tudo isso, poderia ser feito comigo enrolada num edredon, altas horas da noite, ou de manhã bem cedinho (isso já é utopia!), poderia escrever vários e-mails, visitar todas as páginas, escrever os textos na hora em que eu quisesse. É verdade também que eu passaria muito tempo vivendo em função da maquininha, até chegar num meio termo, num ponto de controle. Sim, porque adoro ficar acordada até tarde e de dormir muito (dormir pra mim é fácil, a qualquer hora, se alguém disser deite e durma, eu deito e durmo!), navegar na internet, e de boa biblioteca, um teatro ou cinema, sinto um prazer enorme em digitar, mas também numa boa conversa, em contemplar as estrelas, caminhar, sentar em frente ao mar (ai, prainha, me espera), ficar com alguém, e coisas assim, mais normais. Por isso, agradeço tanto não ter um computador como agradeceria se o tivesse!

A sensação de ontem não passou, apenas se retirou para voltar em uma semana, como prometi a ela! Ele fez algo que dificilmente consigo: aceitar que existe tempo e espaço. É difícil. Penso, logo existo, assume outras dimensões para mim. Um exemplo claro, e que está presente na minha mente e no meu dia a dia, é que faz uns meses, meu pai comentou comigo uma idéia, e por essa idíea, no ano que vem eu voltaria para casa, com um quarto pra mim (exigência irrevogável da minha pessoa - sei que ninguém consegue conviver com a minha bagunça e eu não gosto de viver com ninguém que reclame disso o tempo todo), e morando de novo com eles. Pensei, pensei, avaliei bem, expliquei pra ele que estaria fazendo faculdade, ia ter mais gastos, ele disse que tudo bem, e eu aceitei. Não tem nada certo, pode ser que nem role, mas eu aceitei, estarei com ele (meu pai)!

Sei que muita gente acha que sair da casa dos pais é caminho sem volta, que uma vez fora não se pode voltar, e que eu não deveria fazer isso, e coisa e tal, mas eu não concordo! Primeiro, eu odeio generalizações, odeio. Quando a frase começa com todo mundo... eu já discordo. Não há nada, tendo como única exceção a morte, que todo mundo se encaixe! Todos estáo vivos? Não, alguns apenas sobrevivem. Todos sentem? Não eu não sinto coisas que os outros sentem e vice-versa. Todo mundo tem um coração? Tem um cara que vive com um coração mecânico em fase experimental. Não concordo, definitivamente com isso. Por isso meus textos são cheios de eu e as coisas que me dizem respeito são antecedidas por um pronome possessivo. Por isso digo meu pai, não é o pai, o pai que ele representa para mim não é o mesmo para os meus irmãos. Então, eu posso ir e voltar quando eu quiser, não acho vergonha nenhuma dizer "voltei"! Vergonha pra mim é dizer "eu queria tanto ir!".

Segundo, não sai de casa por nenhum outro motivo senão minha vontade. Só. Não fui expulsa, não chorei quando me despedi, não estava grávida, não tinha brigado com o namorado (o que é namorado???), não estava brigada com o meu pai, me dava super bem com os meus irmão, convivia bem com a minha madastra, adorava os meus cachorros e ainda tinha um computador em casa. Saí porque quis, porque amava são paulo, porque não gostava de dizer onde, quando, como e porque fui onde fui (apesar de quase nunca ir a algum lugar). Não saí porque não gostava da minha vida. Saí porque queria uma nova vida! E porque eu gosto mesmo de mudanças (não mudança de caminhão e tal, mudança no sentido de mudar mesmo).

Terceiro e último motivo, porque eu tenho uma coisa chamada consciência. Essa minha consciência (é a minha, tá), me diz o tempo todo, com cada centavo que eu gasto, que eu poderia estar ajudando alguém. Que o dinheiro que eu gasto em cyber café eu poderia pagar a conta na minha casa. Diz que o dinheiro que eu pago de aluguel eu poderia ajudar meu pai com as dívidas dele. Mesmo dizendo que eu não ganho tanto assim e que as dívidas são deles e eu não tenho nada a ver com isso, ela vem e me diz que na verdade eu adoro ajudar as pessoas a conseguir seus sonhos, para sentir que posso viver o meu. Essa consciência me fez virar vegetariana, me convence a parar de mascar chiclete (faz mal para mim e para o mundo), parar de tomar coca-cola (idem), fazer ginástica, ler mais, fazer o blog e muitas outras coisas. Ela também acaba comigo quando pago dez reais numa pizza, encontro alguém na rua no minuto sseguinte e ignoro que aquela pessoa não come nada há dias, ou quando penso em comprar uma camiseta, sabendo que ainda não tirei as velhas do armário. Minha consciência é socialista! E ela, me convenceu a voltar, dizendo, que juntos venceremos uma vitória bem mais legal de ser comemorada. E, massageando meu ego, que a casa precisa de mim, que todo lugar precisa de alguém que fale alto e sempre!

E, falei tudo isso, só pra dizer que por conta dessa decisão, que ainda é uma suposição, toda vez que chego em casa, penso "o ano que vem não poderei mais fazer isso!", tudo que eu faço, inspira em mim uma melancolia, um sentimento de adeus, quando contemplo a cozinha que é só minha (a cozinha pra mim é como a área de trabalho de um computador: vc pode até compartilhar, mas ter a sua própria é bem melhor, e bem mais prático), abandono a bagunça lá e vou ver tv, arrumo o ap a meia noite, tomo banho de porta semi aberta, ligo o rádio as 02h da manhã, solto altas gargalhadas assistindo os normais, começo a falar em voz alta a lista de afazeres do dia, me arrasto da cama ao meio dia, danço todos os ritmos no meio da sala, toco guitarra áerea, acompanho a Sandy o CD todo, sento e leio um livro de cabo a rabo, como a hora que eu quero o que eu quiser, fico um tempão sem comer, chego em casa triste e não preciso dizer por quê (nunca tem motivo mesmo), chego feliz e também não preciso explicar, tomo meus três banhos de 5 minutos no dia, saio pra ir na galeria, no shopping light, ou no mercado e não comprar nada, deitar na cama e escutar um CD novo até aprender todas as músicas, e tantas outras coisas que eu faço morando sozinha e que sei que não terei coragem de fazer acompanhada (porque as pessoas da minha família querem motivos e explicações para cada ato, cada sensação), me trazem a sensação de última vez. Eu queria ter dito sim, mas não.

E também neste momento, aqui, de madrugada na frente do computador e da casa que não são mais meus e poderão voltar a ser, sinto um acalanto na alma, uma voz doce que me diz para aproveitar cada momento, pois amanhã não será mais assim!

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viernes, septiembre 12, 2003

Nada

Hoje eu queria fazer nada. Sentar num canto, de um quarto, na penumbra, de moleton, enrolada no edredon, encostada nas paredes, quase deitada. Alguém me traria chá e bolinhos de chuva. Depois chocolate quente. Depois pipoca. Depois suco de groselha. Depois bauru (mas tem que ser o da minha tia avó, no pão de forma). Depois, bolo de fubá, depois bolo de cenoura com cobertura de chocolate, depois, hum, mais pipoca e mais bolinho de chuva. Teriam que ser trazidos com muito carinho, pelo meu
pai, pela minha tia drew, ou pela minha tia avó. Seriam eles, só que não iam ficar falando o que é que eu tenho, o que é que aconteceu, se eu não lutar eu perco, desse jeito não passa no vestibular, que saber o que fulano me disse, isso é porque vc fica muito tempo na internet e afins. Nada disso, eu estaria lá, de cabelos lavados, no cantinho, num crepúsculo eterno, sem pensar em nada, e eles me trariam coisinhas para comer e não diriam nada.

Como é muito difícil ficar sem pensar, poderia assistir um filme, daqueles descartáveis, que nos fazem rir ou chorar sem trazer nada para pensar, nada para supor. Aqueles que fazem o cérebro escorrer pelas orelhas. Mas preferia ficar em silêncio, sem pensar, no canto, durante o pôr-do-sol. Como eu queria! Não conversar com ninguém, não ir trabalhar, não levantar com hora marcada no dia seguinte, não ter lista de tarefas, não escrever, não entrar na net, não ir pra casa, não fazer comida, não estudar para o vestibular, não pagar a inscrição, não telefonar, não fazer nada, não pensar por um minuto. Só um minutinho com a mente livre vazia, sem pensamento nenhum. Não estou triste. Não estou feliz. Estou cansada. Com vontade de não estar, de não viver, de não cansar. Poxa, nem é pedir muito, ficar ali, quietinha, sem ninguém (nem eu mesma) para encher o saco. Olha que eu nem tô pedindo estar abraçada com alguém, sem palavras, apenas conforto, carne e paz. Não precisa tudo isso, só um pouquinho de descanso do mundo, das pessoas, das sensações, do tempo. Ficar ali até passar a vontade de não. E quando passar, vir uma euforia, uma vontade de mudar o mundo, levantar num só impulso, e começar a viver de novo. Viver com tudo, viver melhor, com coragem! Era só isso que eu queria.

Mas, pela manhã, o relógio despertou. E eu vim trabalhar. E vi o computador, e mergulhei, meio sem querer, nesse turbilhão de almas, que é o mundo dos blogs, e tive que comer, e depois que escovar os dentes, e fazer cara de estou feliz, ter que responder qualquer coisa por deixar cair a máscara e recolocá-la as pressas (alguma lei diz que eu tenho que estar sempre rindo?), tive que ser simpática com uma menina que trabalha aqui e acha que tem que ser minha amiga (e todo mundo acha que somos uma dupla, super amigas, só porque temos a mesma idade. Só porque somos as únicas mulheres com menos de 30 anos por aqui. Alguém me explica porque as pessoas teimam em segmentar a sociedade?), tive que inventar assunto para não parecer enfadada e nervosa (me irrita profundamente pessoas que falam mole e baixo!), tenho que esperar ainda duas horas para acabar o plantão, tenho que ligar para uma pessoa e dizer feliz aniversário (mas não quero conversar, quero dizer: Oi, Feliz Aniversário Atrasado!!! tu tu tu tu - * ainda bem que foi assim, o Dr. também não queria papo!. Esse cara é o melhor delegado do mundo!!! Quando é ele na ronda, eu me sinto super segura!*) E, depois chegar em casa, lavar louça, fazer comida, dormir, acordar e fazer um monte de coisas no sábado, como ir lavar roupa (por que ela é é incapaz de levantar, ir até a lavanderia e voltar limpa para a gaveta????!!!), ir pra Poá, visitar minha amiga que acabou de passar por uma operação delicada, entregar a ficha da FUVEST da minha irmã, conversar com meu pai, dormir fora da minha cama, e depois vem o domingo, e depois na segunda ainda vou ser obrigada a sair para pagar a bendita taxa, e terça eu tenho que trabalhar, e talvez só na quarta eu possa ter meu dia de descanso. Se eu conseguir arranjar uma boa desculpa pra quem me convidou para um cinema. Quinta trabalha-se. E sobra sexta, daqui uma semana (pouco menos que um século). Mas um dia só, que sábado é dia de trabalhar.

Não é que eu não goste da minha vida e dos compromissos que são consequências dos meus atos (e da minha quase incapacidade de dizer não). Mas eu queria férias. Queria férias de tudo e de todos. Do planeta Terra e dos seres humanos. De tudo. E essa vontade de inexistir vai virando uma dorzinha chata. Uma coisa entalada na garganta. O código de entrada para eu entrar no automático. Sorrir no automático. Sorriso de dentes, sem olhos. Falar no automático. Consumir informação para despejar em cima do primeiro interlocutor. Não quero falar sobre isso. Não há nada a dizer sobre isso. Quando entra farpa de madeira na sua mão, você quer saber onde, quando, como e porquê ela está ali ou vc quer que ela saia? Quer todo mundo dando sugestões ou quer que deixem vc em paz para tirar aquela porcaria do seu dedo? Quem me ligar dizendo que viu no blog que eu estava triste vai ouvir uma estrondosa gargalhada! E vai ouvir outra quem disser para não me acomodar! Eu não estou triste! Eu não estou conformada com tudo! Estou de saco cheio! Poderia estar nervosa, mas ao invés disso, estou assim, sem vontade de fazer nada.

É tão simples e tão inalcançável! Por isso, sei que estou devendo mensagens, cartas e telefonemas a alguma gente. Desculpem-me pessoas. Não fiquem com ciúmes do blog, dizendo que eu abandonei tudo para girar em torno de mim mesma. Ou que só penso nessa porcaria de diário virtual. Ou que se não ficasse postando e lendo a vida dos outros eu teria tempo para os amigos. Tenho bons amigo(a)s. Tenho ótimas amizades. Sempre confiei (e confio) em todos. Nunca me decpcionei com nenhum. Gente, não confunda. O fato de eu ter companheiros humanos indiscutivelmente sinceros, fiéis, insubstituíveis e únicos, não muda a realidade de que o papel (mesmo o virtual) é, sempre foi e sempre será meu melhor amigo.

Só ele entende sem julgar. Só ele entende. Só ele apaga. Só ele me mostra minha face sem me jogar nada na cara. E só ele é capaz de esquecer diante do fogo ou da água o que eu nunca deveria ter lembrado. O papel me vê chorar e não chora. Ele respeita minhas psicopatias sem se reocupar. Ele não tem pena de mim. Ele me preenche e me embrulha. E, no fim, me mostra a face bela da melancolia e me faz sorrir. Ele próprio sorri e agradece, enquanto eu o apago ou o condeno ao canto escuro de uma caixa velha.

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jueves, septiembre 11, 2003

Esperança

Hoje fui comprar o manual da FUVEST. Sim, o momento inevitável se aproxima, terei que preencher a ficha. Escolher um curso. Apenas um. Segunda opção é ilusão de ótica, se tem que ser um curso dentro da mesma carreira e a maioria das carreiras têm apenas um curso. Então só há uma opção!

Saí de casa com o livro escolhido para as comemorações (?) de 11 de setembro. Desnecessário dizer que, mesmo já tendo lido antes, li o dito cujo de cabo a rabo antes de doa-lo, atraves do metrô, para um desconhecido(a). Um livro que falava sobre um adolescente que morreu num acidente de trânsito. Era mais ou menos o diário dele. Imagino que seria o que poderiam fazer com esse blog se eu morresse amanhã. Mas como não estou a fim de morrer amanhã, o objetivo foi deixar o livro para que as pessoas soubessem que os jovens também sentem, e que não somos idiotas. Não adianta deixar comentário dizendo que eu não sou mais adolescente, porque o Dr. Jairo Bouer disse que a adolescência atualmente pode ir além dos 25 anos. Então, estou no meu direito tá?

Ai, comprei o Manual, terminei de ler o livro no metrô, e abri o referido manual. Que desespero cara! Eu ia prestar para farmácia e bioquímica, estava decidida. Mas quando abri e vi que era o mesmo tempo que a faculdade de medicina, me perguntei se era aquilo mesmo que eu queria. Era, mas não só. Uma angústia indescrítivel me percorreu a espinha, todo ano é a mesma coisa! Enquanto meus amigos se desesperam porque a prova está perto, meu desepero é ter que preencher aquela ficha. Eu sou positiva, então penso que vou passar para a 2ºfase. Farmácia tem física na 2º fase. A FUVEST massacra na física da 2ª fase. Então não vai dar. E, depois, ficar 6 anos fazendo uma faculdade antes de outros 6 anos de medicina (porque eu vou fazer medicina! e tenho dito!), são 12 anos na mesma coisa. Tentei não ceder a tentação e nem passar pela página de humanidades. Mas não consegui. Estava lá. aquele curso brilhando para mim. Dizendo vem, vem. E eu fui, li as palavras que vão me trazer uma briga com meu pai "Artes Cênicas - Bacharelado". Sim, é período diurno também, e sim também pode durar uns seis anos. Qual a diferença?

A diferença é que eu amo teatro. O palco, a direção, a luz, o modo como as palavras são ditas para terem um duplo sentido, os aplausos no final da peça, o grupo que depois de um trabalho é quase uma família, a possibilidade de viver outras vidas que não a sua, sentir outras emoções, o contato com o desconhecido, o modo mágico como o texto vem, é tudo e é nada. É tudo isso, é o teatro como instituição histórica. Pode ser que não lembre agora de sopetão as minhas falas no grupo da ETE, mas eu lembro que não sabia as falas na ordem certa, mas quando chegou minha vez, eu estava fora do meu corpo e me vi, ali, de vestido vermelho, falando tudo certinho, no tempo certo, o outro ator entrando no tempo certo, as luzes no meu rosto e não ver a platéia, mas saber que estão ali. Foi maravilhoso!!! Na cena que fechava a peça, eu falava em latim, não lembro o quê, mas as palavras eram mais do que diziam, e mesmo que o público não entendessem o significado da palavra, ele entendia o que elas significavam. Achei que fui muito mal, queria ensaiar mais, me libertar mais, mas o diretor disse que eu estava bem (claro que eu queria ouvir um "vc deu um show!") Quando terminou, a gente agradeceu, e as luzes se acenderam, o público não tinha importância! O importante era o grupo, a gente fez uma roda, gritou se abraçou. Abracei o menino que eu gostava, sinceramente, sem lembrar que gostava dele. O diretor, também professor de português, era um dos nossos, parabenizou todo mundo (mesmo acabando com a gente no dia seguinte, dizendo que tava uma merda), abraçou todo mundo. Era uma vontade de chorar, com vontade de rir e sair gritando que o mundo era nosso! Indescritível. Muita gente vinha me abraçava, dizia que adorou a peça (todo mundo diz isso), mas eu não lembro, não ouvia, queria ficar com o grupo. Foram segundos. Mas foram eternos. Segundos depois o grupo não era mais o grupo e sim a panelinha do 1º ano, os forasteiros (eu e a Cris) e o pessoal do grupo do ano anterior (que graças ao Titanic e um coração partido, eu não pude fazer parte). Tudo bem, não importa! Aquele dia está gravado aqui dentro!

Então, resumindo eu amo o teatro. Mas eu amo o sangue. Sim, o sangue humano. Acho fascinante, e imagino que uma euforia análoga a que senti no palco, deve ser a de salvar a vida de alguém. Melhor ainda, descobrir algo que pudesse salvar muitas vidas!!! Mais melhor de bom ainda, sentir um coração pulsando na sua mão. Eu sonho com o dia em que farei uma massagem cardíaca direta. Nem me fala. Por isso, eu PRECISO ser médica e atriz. São coisas sem as quais eu sei que minha vida será incompleta. Se eu vou ao teatro, saio com uma dor por não fazer parte daquilo. Quando vou ao hospital sinto uma dor por não fazer parte daquilo (dos médicos, óbvio). É difícil viver com uma dor latente assim. Uma dor que dói, mas é preciso lembrar dela para doer. E o pior, o remédio para essa dor não me apetece. Não curto estudar, prefiro aprender. Mas para chegar à Universidade tenho que saber maquinalmente resolver aquelas questões. E me recuso a fazer uma particular. Primeiro porque a USP figura entre os meus vários sonhos, segundo porque acho que a USP é a melhor. Terceiro, porque a única faculdade que eu pagaria seria a Santa Casa de São Paulo, mas tenho que passar na FUVEST para entrar lá. Se tenho que passar na FUVEST, faço USP, óbvio.

Assim, depois de tudo isso, escrevi logo na ficha o código do curso antes de mudar de idéia de novo: Artes Cênicas. Se eu passar vou estar feliz demais para o meu pai conseguir brigar comigo! Se eu não passar, pelo menos ninguém pode me dizer que eu nunca tentei (nem eu). E depois, também vou fazer a prova para medicina e processamento de dados. E, antes que vc pergunte, processamento de dados porque eu não aguento mais estar fora da escola. Eu preciso aprender para não enlouquecer, ou pior, me acomodar. Faço faculdade o ano que vem. O que for, mas eu faço. E no final do ano, presto de novo. Até ter terminado Medicina e Teatro (esse eu faria numa particular, talvez, quem sabe). Já que eu tenho que escolher, escolho ser feliz. E daqui a 50 anos, quando a Petrobrás estiver fazendo um comercial de 100 anos de realização de um sonho, eu virarei para os netos da minha irmã e direi: pra mim só faltam 30!

Comments: postado por: Romy Trinity6:15 PM


miércoles, septiembre 10, 2003

Foi bom escrever tudo isso. A verdade é que escrevo pra mim. Tá todo mundo dizendo que estou radiante hoje. Nem sei por quê. Estou feliz e só. O pessoal do plantão insiste em dizer que estou apaixonada. Impossível, não tem ningém! Estou feliz e só, agora com duplo sentido! Mas, por favor, não digam que estou radiante, isso é elogio para mulher grávida e eu tenho pavor de gravidez!!!
Ah, e peço desculpas, mais uma vez pela confusão dos endereços. Já estou arrumando aquele outro template, eu queria botar ele aqui, mas acho cansativo ler textos longos no fundo preto... E aqui vai o post...


SENSAÇÕES

Existem sensações que são únicas e pessoais. Mesmo na mesma situação, cada pessoa sente diferente, ou, o mais fascinante, o sentimento é diferente. Isso me ocorreu enquanto eu voltava do karaokê, que tava mais pra discoteca, na sexta. Eu voltei numa lotação, e o cobrador, que me olhava como se fosse me devorar, teve a feliz idéia de sentar-se ao meu lado, e para não ter que ficar levantando toda hora, manteve a porta aberta e gritava o itinerário dali mesmo. Eu até olhei pra ele com cara de "isso é sério?", mas ele entendeu "conversa comigo?". Eu, como não podia descer no próxino ponto porque era 1 da manhã, paguei a passagem, atentei-me aos passageiros presentes e encarnei a turista com walkman invisível, até mesmo porque quem canta os males espanta, e comecei a cantarolar músicas de meio de CD (para evitar que o cara me acompanhasse, claro), olhando pela janela como se nunca tivesse passado por ali antes.

E aí, abstraí. Como estava com walkman (invisível, mas estava) não ouvia o que o cara dizia (já paguei a passagem, ele não tinha nada pra falar comigo) e observei a beleza da noite, das ruas vazias, dos carros cheios de gente indo paras as baladas, dos indigentes que vagueiam, daquelas ruas intrafegáveis ao meio dia, naquela hora, livres, de lojas que nunca percebi por ali, nomes de ruas. Como uma turista, degustei a cidade, maravilhada com cada esquina, cada construção antiga e moderna, e quase pedi pra ele passar pela Av. Paulista. Como paulista, tive a certeza de que realmente gosto daqui, meu lar, e numa onda ufanista, que lutaria para não a destruirem, mesmo sendo eu uma formiguinha, morderia o pé do gigante maldoso que pegasse uma vareta e revirasse esse montinho de areia e concreto. Não carregaria os ovos, subiria na perna dele, e fazia o cara se afastar dali para achar a maldita formiga. Viagem.

A viagem era curta, mas o tempo mudou sua dimensão, parecendo de uma duração certa. Ainda poderia durar mais, mas o último passageiro desceu, e eu, a tempo, saltei com ele. Não ia mesmo ficar sozinha com aquele cara ali. Não mesmo. Era tarde, não tinha ônibus, e eu não estava com a menor vontade de explicar para o taxista onde era a minha rua, que fica pertissimo do metrô e tem um ponto de referência impossível de não ser conhecido por um paulista, mas os caras que fazem pontos no centro velho não sabem nada do centro, só dos bairros. Eu fico injuriada! Nervosa mesmo, e tenho que me esforçar muito pra não gritar com o cara, NÃO ACREDITO QUE O SENHOR NÃO SABE ONDE FICA!!! PORQUE O SENHOR TEM UM PONTO AQUI SE NÃO CONHECE NADA??? SE O SENHOR NÃO CONHECE NADA, COMO EU VOU TE EXPLICAR O LUGAR? ENTÃO TÁ, EU NÃO VOU PAGAR PARA O SENHOR SE PERDER! A CORRIDA ATÉ LÁ NÃO DÁ MAIS QUE R$6,00. TÁ AQUI, O QUE PASSAR É PROBLEMA SEU!!! Mas, eu não gosto de ser grossa e nem de armar o maior barraco sozinha com um cara que eu nunca vi ao volante.

Por isso, resolvi ir a pé mesmo, a cidade não iria me fazer mal enquanto eu contemplasse sua face mais bela, e me mantivesse atenta e rápida. E voltei ao transe, e a sensação e a percepção desta, dos meus passos sozinhos numa avenida famosa. Depois, em ruas estreitas, vielas, e ouvindo meus passos, me senti bem. Sei lá, talvez por parecerem seguros e firmes, talvez por eu nunca usar salto e aquele som parecia tão adulto, era uma sensação de segurança. Mesmo nas ruas mais escuras, eu sozinha, caminhando a noite, podendo pensar no que quisesse, sabendo que chegaria na minha casa, a sensação de que estava viva era maravilhosa! Queria não respirar para não abafar o som dos meus próprios passos. Num lampejo imaginei que para alguém aquilo pudesse ser asssustador e deprimente. Para mim não, era magia, cinema. Quis que chovesse. Vi a lua, linda, sorrindo para mim, lembrando-me de sentimentos mais antigos do que eu mesma, num transe como num livro da Marion, sabendo que eu era sua filha e perguntando qual era a meu papel nessa vida. Conversei com a lua num olhar. Lembrei de Wody Alen (acho que não se escreve assim), estava num filme dele, que nem sempre é agradável, nem sempre eu entendo e não gosto de todos, mas alguns são tão especiais que me fazem aprecia-lo como diretor. "Todos dizem eu te amo". Ninguém me disse, mas naquela noite, depois de me divertir, de rever amigos, foram os meus passos solitários na madrugada de lua quase cheia a sensação mais marcante. Mesmo que irreproduzível (existe isso?).

Mas, (esse post é infinito?, pergunta o estafado leitor) houve outra sensação importante. Talvez não uma sensação, mas um acontecimento (é um exagero) que só me dei conta enquando caminhava de volta para casa. Aquela noite foi a 2º vez que dancei uma música lenta com alguém. E a sensação foi bem menos pior do que da primeira vez. Eu sei que tem muita gente que gosta, mas eu, até agora, não. A primeira vez que eu dancei lento foi na festa de aniversário do primo. A festa estava, na medida do possível, divertida. Os amigos deles eram legais, falavam de música, cinema e de escola. Assuntos que eu também tinha opinião. Minha irmã (sim, ela é normal) não entendia muita coisa, mas dava aqueles sorrisos que fazem os caras acharem que a menina é bonita e adorável - ela sempre soube fazer isso. Então, estavam todos se dando bem, até que meu tio, até hoje não entendo porque, colocou uma música lenta, nem sei qual. Claro que nós nem demos bola e voltamos a falar, e ele (isso sim foi cruel), falou que estavam todos dançando - todos os adultos entenda-se, e que aquela música não era pra conversar, e os pares se formaram. Por algum feitiço, tinha um menino para cada menina, nem ia dar pra eu usar a desculpa de que não tinha par. Um menino foi correndo tirar minha irmã, que aceitou, e saiu com aquele sorriso de essa é minha! Sobrou eu, uma outra menina super legal, meu primo e um amigo calado (mudo). Meu primo chegou, falou que me tirava pra dançar, mas que ele era super afim da outra menina, se eu me importava e tal. Claro que eu disse que tudo bem, né? Então, sobrei eu e o mudo, eu não sei dançar, e como só no cinema alguém aprende na primeira dança, ainda não sei, e até tentei falar alguma coisa, alguma piada, mas é difícil falar com alguém que só responde "é". Fiquei calada, me mexendo como um pêndulo, implorando mentalmente para acabar a força, acabar a música, acabar o mundo, qualquer coisa. Eu odeio silêncios!!! Odeio! Silêncio só é legal de ser partilhado com amigos. E a música não terminava, e quando terminou meu tio colocou outra "pra não quebrar o clime". Aquilo não podia estar acontecendo comigo!!! Nãooooooooo. Mas foi, depois da segunda dança, graças a Deus colocaram outra música, e para não ter que encarar o cara, subi dizendo que tinha que ligar para o meu pai.

Fui ligar para o meu pai, pra perguntar se a gente podia dormir lá. Na verdade eu queria ir pra casa, mas minha irmã queria ficar até o fim da festa, e eu, como mais velha, tinha prometido que ia perguntar. - Pai, a gente pode dormir aqui? (não, por favor, diz não)
- A festa está legal?
- Tá. (não, quero ir para casa assistir TV)
- Vocês estão se divertindo?
- É. (teoricamente)
- Deixa eu falar com a sua tia.
- (Eba!!!! Ele não vai deixar!!!
- Falei com sua tia e ela disse que é melhor vcs ficarem porque é muito perigoso voltar essa hora. Então vocês voltam amanhã de manhã, tá?
- Tá. Obrigada (brigadão, hein!)

E eu teria que ficar até o final da festa, desci as escadas, dei a notícia para minha irmã que ficou feliz da vida, meu primo também, porque disse que a gente ia ficar acordados até tarde conversando. Aí eu me animei um pouco, a festa continuou, sem músicas românticas, mas com forró. Então, para fechar a noite, enquanto os grandes ouviam forró, a gente subiu (meu primo, uns amigos, eu e minha irmã). E quando estávamos todos sentados no quarto dele pra conversar, minha tia veio e falou que não era bom duas meninas ficarem conversando sozinhas com os meninos e que a gente tinha que dormir porque meu pai tinha mandado a gente ir bem cedo. Ah, não é justo! E o pior, a babaca da minha irmã achou que estava certo. É certo vc dançar algo que se odeia? E nem poder conversar com os meninos! Ahhhh. Foi horrível.

Mas isso é trauma superado. Sexta no karaokê, na hora que o (Scully, me ajuda a lembrar o nome dele, cê sabe quem sem as plaquinhas eu esqueço) cara me puxou pra dançar até podia bater o pé, como sempre faço, e dizer não, mas ele era bonitinho, e eu pensei "vc é uma pessoa adulta e sabe que os silêncios não são piores que o bicho papão!". Na verdade são. Prefiro encontrar o bicho papão. Normalmente, quando alguém insiste em dançar comigo eu deixo bem claro que não sei, e com excessão desse cara, ninguém conseguiu terminar uma dança comigo. Quase sempre páram no meio (pisão no pé doi) e dizem com um sorriso amarelo (que eu acho hilário) vc não sabe mesmo! Não, não sei. Mas ele, o carinha de sexta, aguentou firme. Eu esperava que ele falasse alguma coisa (nos filmes, os casais que dançam sempre estão rindo!), fizesse alguma piada. Mas nada. Eu me concentrei em não perder o ritmo de um pra cá um pra lá, pisar o menos possível no pé dele, e bati palmas de alívio quando acabou! Acho que dançar juntinho, nunca mais! Mas, dou os parabéns para o indivíduo!

É, mas isso foi só a lembrança dentro da sensação. O auge mesmo foi caminhar na noite tendo a lua como companhia, meus passos como música e um sorriso nos lábios. Como quem dança com a vida.

Comments: postado por: Romy Trinity3:47 PM


martes, septiembre 09, 2003

Sem tempo mesmo...

Estou escrevendo esse post curtinho (milagre?) porque esse cyber aqui fecha na hora mesmo (23:00), e faltam só dez minutos. Tem um post prontinho na minha cabeça há dias, mas vai demorar um pouquinho para escrevê-lo, com certeza bem mais do que esse 10 minutinhos de que disponho. Amanhã, com sorte, escrevo do trabalho.

Bom, na verdade, o post não está pronto, prontinho (só o título e a primeira frade), mas tenho certeza que tudo virá na hora em que sentar na frente do teclado! Enquanto essa hora não vem, peço desculpas para quem tentou entrar aqui domingo a noite ou segunda de manhã (estava mais ou menos fora do ar), registro que a balada estava divertida (mas meu cabelo ficou com um cheiro horrível de fumaça de cigarro, argh!), que tenho estudado bem pouco, que o salário tinha caído e o problema era do banco, que essa proximidade com o vestibular (e o pagamento da taxas) está me angustiando um pouco, que mudei o layout do meu quarto e que agora vou para casa.

É, por enquanto, é só.

Comments: postado por: Romy Trinity9:53 PM


viernes, septiembre 05, 2003

Surfando karmas e DNA

Esse é o nome do penúltimo CD do Engenheiros do Hawaii, que contém a música que contém a frase que resume o meu dia de hoje: "... eu vivo um dia por semana, acaba a grana, mês ainda tem, sem passado, nem futuro, eu vivo um dia de cada vez..". Hoje foi o dia que não vivi a semana. Não fiz quase nada hoje, mas li um livro inteiro, Clara dos Anjos, do Lima Barreto. o cara é um ótimo escritor. O livro é mais um retrato da sociedade brasileira no começo do século (passado?) do que um romance de amor e traição propriamente dito. Gostei mesmo! Apesar de saber que isso não é muito salutar, são vários os livros que li assim, de cabo a rabo, numa única tarde. O que eu posso fazer se não estava (e não estou, apesar de estar saindo pra balada agora) com vontade de fazer nada, a não ser ver o tempo passar e escutar música?

Acordei já assim "empolgada" e fui no banco pagar o aluguel, aí, tiro o saldo antes, e qual não é minha surpresa que o pagamento não estava lá?! Eu tenho certeza que a culpa é do banco e não do governo, já que nenhum governador é idiota de deixar a polícia sem pagamento, mas resolvi deixar para ficar nervosa terça-feira. Passei no sacolão, comprei um monte de frutas, já que meu estômago mal se recuperou das minhas peripécias anti-gastronômicas, e vi o livro para vender no 1,99.

O cyber vai fechar e eu vou pro karaokê.

Comments: postado por: Romy Trinity7:54 PM


jueves, septiembre 04, 2003

No kiss, no hope

É fiquei quase uma semana sem escrever por aqui. Como eu consegui? O engraçado é que, matematicamente, fazem apenas rtês dia que não escrevo, e ao mesmo tempo, uma semana, já que amanhã é sexta, ou seja, a semana já era! Na verdade, na verdade mesmo, foram só duas noites, mas mesmo assim, fez falta. Quase que eu mesma deixo um comentário pedindo para atualizar o blog. Afinal, sempre que sobra um tempinho no trampo, eu tento vir até aqui para ver se alguém não deixou um comentário novo, e estava cansando não ler nada novo de mim mesma. Mas existem motivos, claro. Por isso, agradeço os apelos de "escreva!" do escrivinhador e da scully me ligando dizendo se eu não ia atualizar isso não. Calma, galera, aqui vai.

Mas, como não gosto de deixar as coisas assim sem explicação, e também porque será um meio de começar a falar o que eu quero dizer e só tenho 12 minutos para fazê-lo, aqui vai minhas desculpas (no sentido figurado, ou não). Na terça eu fui trabalhar, sim, eu trabalho, e nesta terça em particular, eu trabalhei mesmo. A partir desta terça ninguém mais pode dizer que nenhum funcionário público nunca trabalhou ou que foi na delegacia e ninguém tava fazendo nada. Eu estava! Desde a hora que eu cheguei (um pouco atrasada, é verdade), não parei um só minuto. Passei as mensagens do meu distrito e de mais um. Cara, foi corrido, mas eu adorei! O dia passou num piscar de olhos! Só entrei na net 10 minutos antes de ir embora (depois do meu horário, diga-se de passagem). Foi muito legal. Aí, começam as burradas.

Considerando que eu tinha almoçado às 14:00 e que eu saia as 20:00, a coisa mais óbvia a se fazer quando chegasse em casa, era sem dúvida comer alguma coisa. Mas o que a gênio aqui fez? Isso mesmo, chegou em casa morrendo de preguiça, praguejando porque não dava mais tempo de ir no cyber café, com um pouquinho de dor de cabeça, tomei um super banho quente (meu pai arrumou o chuveiro, ele é um anjo!), deitei na cama e dormi. Para não dizer que não comi nada, tomei um copo de leite, e dormi. Tive um sonho esquisito, meio assustador (o segundo na semana), mas falo sobre isso outro dia. Na quarta acordei muito tarde (exagero, eram só duas da tarde!), meio mal, e tomei um banho para melhorar. O que eu deveria ter feito? Comido. O que eu fiz? Tomei iogurte com uma cápsula de guaraná em pó. Não briguem comigo, por favor. Dei um tapa no ap, saí pra ver um negócio para a minha prima, resolvi fazer uma hidratação no cabelereiro, já que eu não aguentava ficar de pé muito tempo depois de ter andado uma hora e fazia uma semana que eu não lavava o cabelo. Cara, cobrem de mim sobre o cabelereiro. Só pra dar uma prévia, ele dava gritos, do nada e lavou e hidratou o meu cabelo em 20 minutos. Isso mesmo: 20 minutos. Nem um careca hidrataria o cabelo tão rápido e, modéstia a parte, eu não tenho pouco cabelo. Pelo menos foi barato. Cheguei em casa, comi?, não, fui lavar roupa, voltei, tomei banho, e veio a dúvida vou jantar no shopping e ir para a internet ou vou jantar no shopping e vou ao cinema. Fui ao cinema, já fazia um tempo que não ia e precisava descansar.

Fui para o tatuapé, finalmente jantei, mas, quem roubou meus neurônio?. Só tinha ingresso para o Exterminador 3, tudo bem. Minha voz mental dizia: Não compre pipoca, não compre pipoca, e eu falei para a moça: 1 pipoca pequena, bala e refrigerante. A vozinha mental: sem manteiga, sem manteiga. E eu, com manteiga por favor. Assisti o filme, comi toda a pipoca, toda a bala e todo o refrigerante, e assisti o filme.

Quando eu vou ao cinema sozinha não alimento esperanças de que aconteça alguma coisa, mas devaneios existem né. Sempre fica uma vontadezinha lá no fundo, bem que eu podia ficar com alguém, né. Não dessa vez. Outra esperança minha, essa forte e certa, o filme vai ser bom, ninguém vai me mandar calar a boca. e vou me divertir muito. O filme não foi legal. Se alguém não assistiu o filme, por favor não leia, eu vou contar o final. Eu vou ao cinema para ver fantasia, para ver coisas boas. Mesmo quando a coisa boa é um robô destroçando o outro, quero ver coisas boas. Não gostei do Exterminador. Por que? Porque não há esperança. Tudo explode. Só sobram eles. E cria-se um ciclo sem fim na minha mente, terrível. Saí muito mal de lá.

Meu tempo acabou mesmo. Queria dizer mais, mas não vai dar. O fim é que saí do cinema sem esperança e sem beijo de boa noite. Quem sabe outro dia. E para piorar hoje acordei com o estômago de uma mulher grávida. Não podia nem pensar em comida. Graças a Deus não vomitei, mas foi a duras penas. Agora estou bem. Ainda sem beijo, mas com alguma esperança.

Comments: postado por: Romy Trinity9:14 PM


lunes, septiembre 01, 2003

Magia de iniciante

Eu adoro começo, mudança, novidade. Pode ser qualquer tipo de começo, qualquer novidade, e toda e qualquer mudança. Só de imaginar mudanças, ja fico feliz! Hoje é dia 1º, e eu sinto como se o novo mês trouxesse novas oportunidades, novos desafios. É uma pena que o ano já esteja acabando, porque isso tira um pouco do meu entusiasmo. Se tivessemos em abril, eu estaria pulando de alegria por começar um novo mês. Hoje estou feliz. E só.

Depois de um final de semana em Poá, vendo meus cachorros que estavam morrendo de saudades de mim (minha cachorra mais velha pensa que eu morri), conversando com meu irmão de quem eu gosto pacas, minha irmã de quem gosto mas não tenho mais tanta afinidade e eu acho que está desperdiçando vitalidade, ficando um pouquinho com meu pai, e trocando quase dez palavras com minha madrasta, e depois indo visitar minha avó que me trrouxe a certeza de que não quero envelhecer nunca, e que ter filhos não garante companhia nem amparo (ela teve 8 filhos, dois estão mortos, e nenhum dos vivos foi passar o domingo com ela!); nesta segunda finalmente eu descansei! Claro que amanhã trabalho doze horas e a sensação de atropelada por uma trio elétrico de axé vai voltar, mas estou feliz.

E, apesar de ser um começo, a minha velha falta de tempo está presente. A novidade é que talvez esses minutos que me restam, talvez sejam suficientes, porque hoje não estou com vontade de escrever. É uma coisa estranha, porque é uma não querer escrever por estar em paz, por querer sentar na beira da praia (mas isso vai demorar...) e contemplar o mar, é andar na Paulista numa tarde de domingo, é ler coisas boas na web, é agradedcer a Deus. Agradecer, sinceramente, porque o mundo anda tão complicado, e eu tive um dia de paz, por isso, minha prece: "Deus, quando num futuro qualquer eu praguejar contra Tua Providência, ou reclamar da vida, gritar que ninguém me ama ou querer desistir da luta, ignore minhas palvras e recorde estas de agora - Obrigada. E, se puder, me faça relembrar, que a paz que tenho hoje é para que eu a empregue na construção dos meus sonhos, e cumpra os desafios e compromissos firmados antes da minha chegada, se isso for real. E se não for, deixe-me acreditar por um minuto que assim é." Amén.

E tomara que Deus tenha internet!

Comments: postado por: Romy Trinity8:08 PM



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