Tradução

Este é o meu espaço livre na MATRIX, onde posso depositar as emoções (e ilusões) da (minha) vida e brincar de jornalista, crítica, prêmio nobel da literatura... Escrevo não só por necessidade, mas também para entender o porquê, dela, de pensar o tempo todo, e de tantas palavras, tantos textos nascidos semi-prontos pedindo para gritar. E aí, quem sabe, alguém lê e me explica por que eu, e não só eu, com medo de ser decifrada, preciso tanto de tradução.



viernes, octubre 17, 2003

Pra quem estiver de saco cheio de ler o mesmo texto chato...

Anjo em Fúria
Alcool com Açúcar
O Sarcófago
The Dark Elf
End is Coming
Instinto Dissonante
Pergaminho Virtual
suum cuique
Encefalopsia
Se não aguenta por que veio?
Minha Memória
4u good
Malla Blogger

Comments: postado por: Romy Trinity8:03 PM


PRA QUÊ TUDO ISSO?


O que eu queria mesmo escrever era só que ao pensar em férias e no vestibular, eu rsolvi tirar umas férias da internet e dos blogs. Eu preciso mesmo estudar, e quanto mais próximo vai ficando o dia D, mais real o vestibular me parece. Ontem ainda faltavam dois meses para as provas e depois de amanhã já é o dia do FOVESTÃO, e poxa, eu queria ganhar o carro! Por isso, uma vozinha dentro de mim me disse que eu deveria mostrar às palavras que não sou escrava delas, e só assim eu poderia dizer sinceramente que não tinha vício algum. Escrevo por prazer, até por necessidade, mas um ariano, que já tem tendência a se perder nos prazeres do mundo, deve tentar controlar-se.

E isso, que sucedeu abaixo, foi um surto, uma súplica última de não largar mão à pena - dá pra perceber que estou lendo Memórias Póstumas de Brás Cubas? - que para tristeza dos pensamentos soltos, não deu certo. Até deu, mas fica a justificativa que escrevi o que não escreverei em quase 1 mês. Eu eu Brás Cubas temos muita coisa em comum, como a dele, minha consciência sabe abrir janelas e explicar valsas.

Vou parar um pouco. Até dia 15/11, serei forte, não entrarei para ler os comentários, não lerei os blogs que leio sempre e não comentarei em lugar nenhum. Não terei morrido, se acaso acontecer fica à Scully o obséquio de informar a todos (a senha está em um dos meus bloquinhos). Volto na madrugada antes de ir para a Prainha, no fim de semana de descanso antes da revisão final.

É, é isso.

PS: Pessoas do Quarto da Áurea, por favor, me mandem um e-mail dizendo o dia, ou a semana, que vcs estarão no Rio ou que vão encontrar a Meg. Se for mesmo na primeira semana de novembro, eu preciso saber uma semana antes pra poder trocar o plantão, além do que será meu o último domingo livre, depois tem prova, prainha, simulado, prova e prova. E-mail eu vou abrir.

Comments: postado por: Romy Trinity8:02 PM


Eu, ...

Ontem cheguei no apartamento e como a música que rolava no discman era muito legal - CPM 22, eu chamo a música de Guerra, mas não sei o nome porque juntei os dois CD's deles num só e esqueci de copiar o encarte da minha amiga, e isso não é crime porque a cópia não foi com fins lucrativos - eu deitei na cama até ela acabar. Antes de deitar, olhei pela janela e vi que num ap no prédio da frente, uma família tinha acabado de mudar. Vi umas senhoras com cara de tia avó sentadas numas madeiras, vi na outra janela uma cama sem colchão, e vi uma pessoa toda empolgada abrindo caixas e tal. Fiquei pensando se a pessoa empolgada era alguém feliz em arrumar um lugar novo pra viver ou se era uma daquelas mulheres maníacas que adoram estragar a alegria dos outros mostrando que tem um monte de coisas a fazer e que ela está fazendo sozinha enquanto todos conversam na sala. Torci para que fosse o primeiro caso.

Já tive experiências com esse tipo de mulher. Falo mulher porque nunca conheci, nem ouvi relatos, de homens assim. E até nos filmes, eles sempre colocam as mulheres com essas manias. Eu lembro de um caso, uma vez, nem sei precisar direito quem era, eu lembro que a gente tinha ido para a praia e tinham alugado uma casa. Eu era menor e não estava com a menor vontade de estar lá, mas fui porque se eu não fosse, minha irmã não ia e ela ia ficar muito triste. Eu tinha menos do que 15 anos, não sei a idade ao certo, mas era idade para ter entraves biológicos para ir a praia. Eu que adorava fazer bate e volta com a minha família, achava que casa na praia era algo desnecessário, e até hoje eu acho, prefiro mil vezes acampar. Mas o acontecido foi que chegamos, eu, minha irmã, e umas crianças menores.

Eu era a mais velha entre as crianças, o que significa que eu via o tempo todo alguém se afogando e a culpa seria minha, e que se eu me afogasse não ia ter ninguém pra me salvar. Chegamos, eu vi aquele mar imenso e, como todas as crianças, saí correndo e berrando pela areia, tirando os sapatos e pensando, pena que não vou poder entrar na água, mas posso molhar os pés, e eis, que uma mão me pega e diz, vc não, vc já é uma mocinha e vai ajudar a gente a limpar a casa, e depois do almoço pode ir para a praia com as crianças, e não pode ser aqui, tem que ser mais para a frente que aqui o mar é muito forte, e era mesmo. Deus! Que ódio, que raiva que senti! E os homens sairam com as crianças pra onde não era tão perigoso, e eu, pela única vez na vida desejei ter nascido menino. Agora me diga, pra que serve uma casa de frente para o mar se vc não pode entrar no mar em frente? Pra quê alugar uma casa pra ficar limpando na praia, se isso já é suficientemente chato sem ter o sol e o mar pra te lembrar o que se está perdendo? E eu fiquei ali, varrendo chão, batendo colchão, bolsa pra cá, bolsa pra lá, e se isso não fosse o bastante, tendo que ser agradável com aquelas senhoras ali, se não ia ter que voltar e ganhar o ódio da minha irmã. Tias velhas de espírito, quem merece? Eu tenho uma tia tão legal, tão gente boa, porque todas as tias não poderiam ser como ela?

Enquanto eu varria e tentava demorar o máximo nas tarefas menos chatas, uma mulher, que eu nunca tinha visto antes e nunca mais vi, me chamou para a cozinha e começou com aquele papo de coroca: Quantos anos vc tem? (eu não lembro mesmo qtos anos eu tinha). E vc já é mocinha? (Isso é coisa que se pergunte para alguém?). Ah, eu me lembro quando tinha a sua idade, os garotos, vc já tem namorado? (eu odeio essa pergunta, odeio, odeio...). Vc tem sutiã né? Já ta na idade de ganhar o seu primeiro? (Meu pai tinha me dado um, mas eu odeio, odeio, usar esse troço, odeio, sempre odiei e sempre vou odiar). E aí, me conta, na escola, não tem mesmo algum namoradinho, andar de mão dada, hã? (como se faz mesmo para desaparecer). E como eu só respondesse monossílabos, ela resolveu perguntar o que eu ia ser quando crescer (ufa) e eu respondi sorrindo: vou ser cientista, vou fazer faculdade na USP, descobrir muitas coisas legais e um dia o laboratório vai cair em mim e eu vou virar a The Flash! Ela deu um sorriso bobo e falou, vai ajudar a sua tia nos quartos, vai.

É, traumas de infância, atire a primeira pedra quem não tem nenhum.

Comments: postado por: Romy Trinity8:01 PM


... EU MESMA E OS OUTROS...


Mas ontem, olhei pela janela, lembrei disso, esqueci, e cai na cama de costas na cama, como nos filmes, cantarolando sozinha a música e por não ouvir ninguém reclamando, lógico, comecei a pensar na vida, no que eu tinha feito da vida. Esses pensamentos duraram meio segundo, atropelado pelo desejo de ficar deitada ali, sem ter que tomar banho, nem comer, nem tirar o sapato e nem trabalhar amanhã. Eu só queria ficar deitada ali, por um tempo indefinível, com a mente em branco, sem som algum. Só isso. Tão simples. Sem pensar na vida, sem pensar no vestibular, sem pensar nem numa tela em branco, pensar em nada, nada mesmo, nem triste nem feliz, respirando, viva, mas descansando, por um minuto que fosse, descansar de tudo. Tirar férias do mundo, de mim, das pessoas, das obrigações, das necessidades. Férias das companhias e da solidão. Férias. Simples também. Só isso.

Nada a ver com o texto, mas eu tenho que comentar: Por que algumas pessoas repetem a mesma piada, a mesma brincadeira, sempre que te vêem, e acham que estão sendo simpáticas. Fazem a mesma bendita piada há mais de um mês, riem como se fosse uma grande invenção e esperam que vc ria.? De onde saem essas pessoas? Quando eu estava no outro DP era o lance da arma. Todos os dias de plantão, pelo menos uma pessoa dizia "Tão pequena com uma arma tão grande! Aposto como vc anda de lado com esse peso, né?" ou "Nossa, imagina, vc mexe com uma moça dessa na rua e ela vem atras de você com um cano desse tamanho!" ou ainda "Menor pode andar armado?". Aqui, a piada comum é sempre "vida boa a de operador hein?" ou "Vamos trocar de função, vc faz BO e eu fico aqui só navegando na internet". Ai, que vontade de responder, se vc tivesse feito concurso para agente de telecomunicações, vc não seria escrivão e saberia que eu faço muito mais do que ficar entrando na internet, ou vc pensa que as mensagens se auto redigem e se enviam sozinhas? Mas, não fica triste não, quando abrir concurso, qualquer pessoa pode fazer, é so assinalar a carreira certa, meu bem. Ainda, tem um cara, que faz piada com o meu nome, todo o dia, o cara chega e fala meu nome errado e pergunta é assim que se fala? E eu tenho que corrigir e rir. Ele é feliz assim, fazer o que né. Ah, e tem também um outro, que parece um tarado, porque ele não tem nada a fazer na minha sala, que não é caminho para a sala dele, mas mesmo assim, todo dia de manhã, ele entra na minha sala, passa uma mesa vazia que tem na frente da minha mesa - justamente colocada para servir de balcão de atendimento para que ninguém venha xeretar no que eu estiver fazendo - chega bem perto de mim, fala Bom Dia e vem me dar aquele beijo de cumprimento. Agora ele ainda pega no meu braço, e dá o famigerado beijo. Só que não é aquela coisa rápida, é sei lá, extranho, vai ver que eu acho tão desagradável esse ritual que parece que eterno. Ele não fala mais nada o dia todo, e tudo se repetiria na hora de dizer tchau, mas como Murphy determina que o trabalho só apareça na hora de ir embora, e eu estou ocupada, falo tchau e já estendo a mão. Aperto de mão deveria ser a norma de cumprimentos entre homens e mulheres. Ele aperta, faz a piada, do nossa que aperto de mão forte, e vai embora. Mas, voltemos à vaca morta.

Então me propus a pensar em nada por dois momentos. Dois momentos é o tempo de se pensar em nada e, sem pensar "consegui", pensar em nada de novo. Cara, é difícil. Pelo menos para mim. Eu começo não pensando em palavras, concentro-me em não pensar em palavra nenhuma, esforço tenebroso, depois apagar o som, e depois as imagens. Ai tento ouvir as batidas do coração, e nesse momento a porcaria do pensamento vem "ouvir batida de coração não é pensar em nada, eu queria falar uma coisa..." e eu volto à disciplina, e quando estou quase conseguindo, ou se consigo por um milésimo de segundo, a voz vem e grita "Vc conseguiu!!!". Ou pior, estou quase conseguindo, está tudo apagado, e eu, sem querer, penso "Mas de que cor é o nada?". Aí, já era. Os devaneios, bloqueados por tanto tempo, vêm com a força total.

Comments: postado por: Romy Trinity8:00 PM


... E O GÊNIO DO LÂMPADA


Aí, vem o gênio da lâmpada, e diz que eu tenho três desejos, mas que as regras sofreram um pequeno ajuste: todos os desejos têm que ser feitos agora ou nenhum se realiza, não vale pedir mais desejo, não pode pedir nada que altere o livre arbítrio de outra pessoa, e não pode pedir nada que o mundo pudesse te dar, ou seja, não adianta pedir uma ferrari ou um milhão de dólares, porque isto, teoricamente, vc poderia ter sem a ajuda de um gênio. O pedido tem que requerer mágica para se realizar. O que vc pediria?

O meu primeiro desejo é que meu cabelo seja perfeito. Isso o mundo não pode me dar, eu posso alisar, frisar o cabelo, mas eu tenho que sempre renovar o tratamento. Eu quero meu cabelo da cor natural dele, mas com tons de durado onde hoje ele tem tons de queimado. Eu quero que ele vá até o meio das costas e por mais que cresça, não passe disso, e que se eu quiser cortá-lo, que ele cresça, em no máximo 3 meses, e fique do mesmo tamanho. Ele deve ser liso, bem liso, da rais até a metade do comprimento dele e daí para baixo seja levemente encaracolado. Bem levemente. Não é pra cachear nem encaracolar totalmente, é para formar uns anéis, uma coisa leve, como ele faz quando ele está com vontade. Não é pra parecer que eu estou usando uma toca, tem que ficar natural. E não pode ser perecível a chuva nem a sol. Ele deve ser perfeito. Pode ser, Gênio?

Pode. Você tem mais dois desejos.

O meu segundo desejo é que o vento sempre esteja contra mim, como se eu estivesse descendo uma ladeira de bicicleta. Sempre, até nos dias frios, eu quero sentir o vento no rosto, no cabelo, para me lembrar que eu sou livre, que eu posso fazer o que quiser que o vento vai soprar, e quando todos me apoiarem eu lembre que o vento está contra mim, e terei alguém para contrariar. Mas, atenção, não é para o vento do mundo todo estar contra mim. Não. Seria injusto. Eu falo de mágica, mesmo quando não houver vento, mesmo quando o vento estiver desarrumando o meu cabelo, eu quero sentir o vento no rosto. Nem é necessário que os outros percebam, afinal, meu cabelo agora é perfeito e não fica tão tenebrosamente armado por causa de um ventinho, o importante é a minha sensação. Mas eu devo sentir o sentido real do vento em duas ocasiões: quando for charmoso, hehe, e quando algo importante for acontecer ou eu esquecer de alguma coisa ou para evitar um desastre. Sabe, o vento seria sempre meu amigo, e serviria de aviso quando necessário, como eu tenho idéias e pensamentos e eles acontecem. Seria um acréscimo. Como é só para mim não fere o arbítrio de ninguém e isso o mundo não pode me dar. De que forma eu mudaria o sentido do vento onde eu espero o ônibus e não consigo ler o jornal porque ele fica dando voltas? Acho que se enquadra nas regras. Pode ser, Gênio?

Hummm, é, vai, pode. Falta um desejo.

Meu terceiro desejo é que eu tenha essa força que eu tenho hoje, e seja sempre jovem até o dia em que eu tiver que morrer, porque eu não quero viver para sempre, não. Eu quero morrer um dia, mas, se eu tiver que morrer velhinha, que eu não fique prostrada, feia, chata e ranzinza só por não ser mais jovem. Não, eu quero que mesmo que eu tenha 90 anos, ninguém me dê mais do que 25. Eu quero ter a força que eu sempre tive, eu quero poder ter o meu corpo como eu quiser e quero ser fisicamente capaz de fazer qualquer coisa saudável. E eu quero morrer sem dor. Não importa como, não importa onde, eu quero morrer sem dor. Não tenho medo da morte, tenho medo da dor. Pode ser, Gênio?

Aí são dois pedidos, minha filha, e vc só tem um. E seu tempo tá acabando.

Então eu quero, han, é, ah, vai, quero o lance de ser jovem até morrer. É isso. Mas atente-se às explicações de antes, tá?

Sim, mestra. Cabelos perfeitos, rosto contra o vento e juventude, isso?

Na verdade, eu só tinha os dois primeiros desejos, mas como vc disse que tinha que fazer tudo agora, então eu confirmo. Quando começa a fazer efeito, Gênio?

Gênio? Gênio? Tem alguém aí?

... eu só queria estar bem perto de mim mesmo; eu só queria te dizer onde estive aqueles dias, eu só queria te dizer mas não podia... melhor assim. (CPM 22)

Comments: postado por: Romy Trinity7:57 PM


jueves, octubre 16, 2003

Minha inspiração é tão instável! Há meia hora atrás fiquei com uma vontade incrível de escrever um texto, com um começo tão legal, na minha cabeça, estava lá, pronto para chegar aos dedos, mas fui almoçar e, ao voltar, cadê o texto? Vi a primeira frase no bloco de notas, mas o resto não veio. Simplesmente sumiu. Então eu vou postar aqui um pedaço de um e-mail que mandei. E faço o plágio, digo, inspiração, do Anjo em Fúria.

RELIGIÃO

... "Religião vem do latim, religare, e significa religar. Quando se fala em religiosidade, como a concebemos, é religar-se à origem, à nossa essência. Isso porque o ser humano, intuitivamente, e segundo alguns psicólogos, biologicamente, necessita saber, encontrar a origem. É a resposta para a primeira pergunta da filosofia - de onde viemos?. Hoje, na sociedade monoteísta em que vivemos, é religar-se a Deus, encontrar a origem através deste Criador. Aí chegamos ás bifurcações desse caminho, até antes, se considerarmos as religiões politeístas. Cada um pode chegar á origem, ao seu próprio eu, pode ser rezando, cantando, dormindo, viajando, comungando com a natureza, através de rituais ou até mesmo fazendo sexo. Cada um é livre para descobrir e trilhar o caminho que quiser, como quiser. Não há certo nem errado. Discutir a existência de Deus chega a beirar o ridículo, porque para quem acredita a resposta é simples, como a do Rui, em Os Normais - pergunta Vani "Deus existe?", responde Rui "Existe. Próxima pergunta." e para quem não acredita não há como provar. Se Deus existe e a gente não acredita, Ele até pode ficar triste, mas continuará existindo. Se Deus não existe, a gente até pode acreditar, mas ele continuará não existindo.

Mas, continuando, o cristianismo prega chegar a Deus através de Jesus. Jesus, o caminho, trilhado pelo exemplo, não deixou nada de material quando da sua estada na Terra, para que a divindade não fosse transferida para um objeto sacralizado. Para que as pessoas seguissem o exemplo e não que se apegassem a esse ou aquele objeto. Do meu ponto de vista Jesus foi um puta revolucionário, esperto e inteligente, não deixando nada, nem seu próprio corpo, e o povo teria que seguir o exemplo. Simples. As lições deveriam ser passadas pela tradição do bem.

Mas os apóstolos, escreveram a Bíblia, com medo de que a essência de Jesus se perdesse. Eles pensaram que o ódio estava vencendo, viram que os fiéis estavam sendo massacrados e acharam que nada sobraria, e escreveram a visão deles de como foi viver com Jesus. Nessa Bíblia, a primeira, eu acreditaria, porque os apóstolos foram homens escolhidos e tinham boas intenções. E estando a bíblia escrita, pelo que me consta em aramaico ou coisa assim, qualquer cópia que tenha sido feita dela foi à mão. Não existiam ainda as máquinas de xérox. Não sei o caminho todo, nem os trâmites da história, mas um professor explicou uma vez, que depois de sucessivas invasões, quedas de impérios, destruição de cidades, bibliotecas queimadas e tudo, a bíblia sofreu, no mínimo, cinco traduções (tradução de tradução), antes de chegar à forma em que foi traduzida por Lutero e depois pela própria Igreja Católica, detentora oficial por um bom tempo. Pra se ter uma noção do estrago que isso deve ter feito, pegue uma música em português, passe para o inglês e dê para alguém, que não saiba a versão original, traduzir para o português de novo. Por isso, essa bíblia que está aí hoje, para mim é um livro. E o que cada Igreja - católica, evangélica, protestante ou espírita, é apenas uma interpretação desse livro. E, sempre fecho a cara quando alguém diz "Jesus disse". O certo seria, "parece que Lucas, João ou sei lá, disse que Jesus disse que..."

O espiritismo é cristão sim. O Evangelho segundo o espiritismo nada mais é do que trechos da Bíblia (com as referências e tudo) comentado por um grupo de pessoas, para mim desencarnadas, mas pode ser que não. Também a mediunidade não precisa que se creia nela para que ela exista ou não. De uma forma geral, posso dizer que o espiritismo se baseia em três princípios: Filosofia, Ciência e Fé. Nenhuma se contradiz, e se vc conversar com um espírita mais estudado do que eu, ele vai explicar onde na Bíblia comum se vê a reencarnação. Mas aí, eu repito, que as religiões são interpretações de um mesmo texto. É igual quando a gente está a fim de uma pessoa. A pessoa está ao seu lado, linda, magnífica, e vc espirra. A pessoa, educada, diz "Saúde" e vc entende "eu me preocupo tanto com você a ponto de desejar saúde quando um espirro inofensivo te atinge. Vc está bem? Quer namorar cromigo?!".

O meu envolvimento com o espiritismo vai até o ponto que não me exige a fé, porque isso é intrínseco e eu não a possuo. Não sei acreditar numa coisa assim, só por acreditar, é porque é e ponto final. Fiz mocidade espírita, fiz amigos e aprendi um pouco sobre a Doutrina e parei por aí, porque já começavam a questionar minha fé. E como eu, além de não ter fé e só estar a fim de aprender mais ciência e filosofia, não via lógica em ir até o centro só para contradizer a fé deles. É como ir na igreja só para chingar o padre, é idiota. Outro defeito do espiritismo é que é uma igreja como qualquer outra. Pode não ter dogmas, nem rituais e nem autoridades, mas tem as mesmas picuinhas, as mesmas invejas e o mesmo fascínio em algumas posições que todas as outras. Enfim, como todas as outras religiões do planeta, é uma religião feita pelos homens. E os homens (e as mulheres também), como se sabe, são imperfeitos. E isso, me cansa.

Hoje, não tenho religião convencional, acredito - mas não entendo, Deus. Acredito em reencarnação. Acredito no poder dos antigos rituais que se apegavam a natureza. Acredito em energia e em física quântica (que eu também não entendo). E acredito em um milhão de outras coisas, terapia holísitica, princípios de religiões mortas, astrologia, e até numerologia. E procuro sempre aprender mais sobre estas coisas e experimentá-las. Eu acredito em tudo que não tenha uma placa dizendo: ESSE É O ÚNICO CAMINHO, SE NÃO FOR AQUI VC NÃO CHEGARÁ NUNCA! Pois eu faço questão de experimentar todos os outros só para ter certeza que não há mesmo outro, e de birra, para provar que estou certa."...

Comments: postado por: Romy Trinity5:27 PM


martes, octubre 14, 2003

EU E MINHS NEURAS - Parte II

No final, acabei não indo visitar o cara na cadeia e fiquei em casa, almocei com meu irmão, vi meu pai chegar (ele tinha trabalhado a noite), briguei com a Telefônica, fiquei muito tempo na internet, ouvi minha madrasta resmungando que eu rio alto, que eu falo alto, que eu faço muito barulho e que já não basta ela dar aula pra um monte de criança barulhenta sempre tem alguém falando alto naquela casa e ela não tem sossego - isso porque eu vou pra lá de 15 em 15 dias e só fiquei até mais tarde pra ver o meu pai, mas foi bom, porque eu sorri escondido e pensei: por isso que eu moro sozinha!. Vi um pouquinho de TV de verdade, já que no ap minha TV só passa relances do que seria imagem, percebi que não tava perdendo nada, ouvi a música nova da Sandy e do Junior e voltei para São Paulo. Nada como o cantinho da gente!

Cheguei, pulei pra debaixo das cobertas, assisti o Provocações, dormi e sonhei. Sonhei com algo tenebroso, o meu maior medo na face da Terra. E olha que eu nem tenho tantos medos assim. Agora, por exemplo, além desse sonho, só lembro do medo de parto - e já vou avisando que não aceito comentários provenientes de seres do sexo masculino sobre isso. Mas isso, do sonho, é terrível e embora eu nunca tenha visto um, já asssiti alguns documentários e foi o bastante pra temer MAREMOTO. Eu tenho pavor de MAREMOTO! Já sonhei com uma onda gigante chegando em Poá e eu tinha que fugir de lá num fusca amarelo. Alguém consegue imaginar o que é suber um morro num fusca amarelo com uma onda gigante atrás de você?

Com a proximidade da FUVEST eu e a única amiga minha que ainda vai prestar FUVEST e que ainda topa acampamento e show de rock comigo, marcamos de ir viajar duas semanas antes da prova, pra relaxar, pegar um sol e voltar a tempo de se recuperar se alguma coisa der errado. E meu cérebro, que não entende muito bem de tempo e espaço, anda pensando constantemente nisso e até me obrigou a limpar a barraca, e com certeza desencadeou o sonho bizarro. Mas eu estou com a pulga atras da orelha, e se não for? E se for um aviso?

No meu sonho, o mar ficava super agitado e começava a subir, e eu encontrava um tio e uns primos, entrava no carro, subia a trilha (que na vida real não passa carro) e chegava na casa dele, e aí a minha tia - esposa dele, começava a falar que eu não devia ficar rolando no chão com os cachorros, que eu devia procurar uns biquinis mais bonitos e que eu devia parar de andar por aí com roupa rasgada e furada. Eu nem dava atenção, estava feliz demais por ter escapado do maremoto, abraçava o cachorro como se ele tivesse me salvado e quando estava maravilhada com um filhotinho, eu acordava.

Aí, eu fiquei pensando, será que eu deveria ficar em Bertioga ao invés de ir para a Prainha? Porque, a prainha é tipo uma ilha, fica depois da balsa e uns 20 minutos de trilha, ou seja, se houvesse mesmo um maremoto, não ia adiantar nada subir a trilha, porque do outro lado há o mar de novo. O único lugar seguro seria o ponto mais alto da trilha, o é difícil precisar onde é porque ela sobe e desce e o que parece descida pode ser o ponto mais alto, e com o agravante que se a onda pegar a gente ali, as árvores podem nos prender embaixo da água, e não ia adiantar nada tapar o nariz e subir (eu não sei nadar), porque as árvores não deixariam. Não é terrível? O que eu faço? Eu adoro ir para a prainha, porque lá não é o tipo praia família, é sossegado, todo mundo a pampa, ninguém enche o saco, não tem cenas de ciúmes ridículas, as pessoas estão mais preocupadas em curtir do que ficar reparando em você, não tem nenhum velho que enche e cara de cerveja e se acha muito gostoso, não tem aquelas mulheres velhas que resolvem me adotar como filha e dizem que eu não devia usar roupa assim e assado, que eu devia usar umas sainhas senão eu vou morrer solteira, nada disso, lá eu me sinto super em casa. E eu sei que lá eu vou ficar mais relaxada para o vestibular, vai me dar gás para o próximo ano e, mesmo se eu não ficar com ninguém, vou ficar muito feliz. Mas se for ter maremoto, eu não quero não. Não me importo em morrer, mas afogada, eu não quero.

De qualquer maneira, tenho um mês para me convencer... Ah, e nem adianta dizer que no Brasil não tem maremoto, porque eu vi uma matéria na TV dizendo que não sei que praia no Brasil, numa tarde de inverno, teve ondas de 10 metros, que tiveram que interditar o trânsito daquelas ruas perto do mar, e até atingiu algumas casas. Não foi um suriname - ondas de 30 metros que vêm antes dos maremotos e/ou terremotos, mas foi quase. E foi no Brasil.

Comments: postado por: Romy Trinity4:18 PM


domingo, octubre 12, 2003

BOLHAS DE SABÃO

São quase seis horas da manhã e minhas idéias estão como bolhas de sabão, sobem, estouram, comicham e dão lugar a outra. Acho que nem vou escrever alguma coisa de útil. Só queria dizer que amanhã é Dia das Crianças e que durante muito tempo esse foi sempre um dia muito alegre para mim, mas amanhã não será como antes. Não que não seja alegre. Não estarei com meu pai, não ganharei canetas coloridas como todos os anos (quem decreta quando deixamos de ser crianças?), minha irmã não estará em casa, e meu querido irmão, vai passar o dia aqui, sozinho com minha madrasta, mesmo ele tendo mãe, como se ninguém lembrasse que ele ainda tem uma criança dentro dele, que ele só tem 15 anos, e que isso agora, me parte o coração.

Não sei se ele sente isso, mas eu sinto e sinto por eu ser tão idiota, tão tímida, tão covarde, e não ter coragem de abraça-lo e dizer como eu o amo tanto, que eu saí de casa para que meu pai lembrasse que não era porque eu tinha crescido que todos os meus irmão tinham a mesma idade, que eu queria dar um presente pra ele mas que não achei nada que ele fosse gostar e que eu não gosto de dar presente em datas que todos dão presentes mesmo antevendo que talvez ele não vá ganhar nenhum. Eu queria descobrir por que eu tenho esse negócio de não conseguir ser capaz de dizer às pessoas o quanto eu gosto (ou não) delas. Por que eu travo como se tivesse indo para o corredor da morte? Por que das vezes que tentei, que apenas pensei no ato, meu coração bateu tão forte que eu achei que teria um ataque cardíaco e fiquei tão vermelha, tão vermelha que meu rosto doia, sem contar que não consegui me mexer, como num pesadelo. Se as pessoas entendessem isso através do que eu faço de cotidiano ao invés de precisarem de grandes frases e de palavras com todas as letras, seria tão mais fácil.

Amanhã, dia de nossa senhora, eu que não sou devota de santo nenhum e questiono a santidade como é imposta, pedirei à face feminina da divindade que abrace meu irmão e transmita a ele o que sinto, mesmo que eu seja super grossa com todo mundo. E que ele me perdoe se eu fujo, preferindo visitar alguém na cadeia a passar a tarde de domingo com ele. É apenas que sentirei muita falta do que era antes da magia se quebrar, mesmo que eu não saiba quando foi, e que essa falta me faria chorar mais do que explicação ou consolo me fizessem parar, e que, como ele sabe, eu odeio chorar, ainda mais com platéia, ainda mais quando eu sei que as minhas lágrimas podem se alastrar. E que se ele não puder entender tudo isso, que ele sinta a verdade e pense que eu sou uma insensível elgoista. Eu não me importo, eu gosto dele mesmo assim.

E essa bolha de sabão sobe, se dissipa e outra vem me lembrar que tenho que desligar o computador e ir dormir antes que todos acordem.

Comments: postado por: Romy Trinity6:45 AM


miércoles, octubre 08, 2003

E QUANDO VOCÊ CONHECE O CARA?


Mesmo antes de entrar na polícia, eu já me interessava por assuntos policiais, com uma visão holywoodiana, é verdade, mas sempre que via casos de corrupção policial na TV, que era mais raro do que hoje, eu me entristecia um pouco e sentia aquela sensação de estar totalmente desprotegida, sem saber se era pior encontrar o bandido ou a polícia. Quando comecei a trabalhar, me senti melhor, e prefereria com certeza cruzar com a polícia.

Mas nem sempre torço só para o mocinho. Eu, como o meu pai, não gosto quando o mal ganha, o que não significa que necessariamente os bandidos tenham que se dar mal. Por exemplo, em SEVEN, eu não gostei do final e meu pai sim. Minha amiga super-tira Scully não gosta de filmes em que os bandidos são do bem, porque passa a imagem que o crime, as vezes compensa, as vezes se justifica, e acho que ela está certa, como em 60 SEGUNDOS, que eu gostei. Minha relação com o crime é simples. Se eu estiver em serviço, ostentando as insignias policiais - embora a lei estadual diga que o policial está sempre em serviço, o que a lei diz que é crime, é crime, concorde ou não. Se eu estiver de folga, sem identificação funcional, o que eu não concordo que seja crime não é crime, mas, o que eu puder fazer para ajudar quando vejo um, como chamar a PM ou por o pé para o ladrão tropeçar cair, eu faço, não vou gritar no meio da rua para o ladrão ou para alguém batendo na namorada: Parado, Polícia! Até mesmo porque eu não sei lutar como o Stiven Seagal e nem ando armada. Se eu fosse investigadora, aí eu ia me esforçar para ser mais ou menos como os personagens do Stiven Seagal ou a Renê Russo e o Mel Gibson em Máquina Mortífera. Talvez mais o personagem da Renê Russo, que é da Corregedoria.

Um exemplo para deixar claro, é o caso da maconha. Já vi gente presa por portar um cigarro de maconha. Tanto com cara de drogado mesmo, como meninas lindas, que eram modelo ou algo assim. Em nenhuma das ocasiões eu me manifestei a favor dos indiciados. A lei diz que é crime, e, graças a Deus, o delegado da minha equipe não era do tipo que discriminava não. Tá portando, flagrante. Seja feio ou bonito, rico ou pobre. Por outro lado, um dos meus picos preferidos na Praia é um lugar que tem muito, mas muito maconheiro. À noite é quase impossível achar um cigarro normal, tanto que eu já me acostumei com o cheiro da dita erva. A questão é que eu acho a cerveja bem mais nociva à sociedade do que a maconha. Sim, a maconha pode deixar burro, infértil e impotente, mas isso é um problema dele, não meu. A cerveja deixa o cara burro pensando que é super potente, e o problema pode ser meu, ainda mais no trânsito. Nunca um desses caras que fumam insistiu para que eu a consumisse. Pelo contrário, quando eu dizia que não fumava nem cigarro, o cara dizia que eu tava certa, ia fumar longe de mim e depois voltava. Nunca um desses mesmos caras insistiu em ficar comigo depois que eu disse não, sai pra lá. Ele se mancava e ia tentar outra. Agora, quanto aos consumidores de cerveja não posso dizer o mesmo. Os indivíduos são incapazes de entender a frase: Eu não bebo e nem gosto de cerveja!. E vem a resposta: É que vc não experimentou esta, ou pior, Que isso! Para de frescura, que eu tô pagando! (com duas latinhas na mão). E são incapazes de entender a frase: Não, estou acompanhada, com meu namorado (invisível para os bêbados, inexistente para os sóbrios); ou, eu não vou ficar com você porque vc está bêbado!. Eles sempre reagem da mesma maneira grudenta,ah, gatinha, pera aê, acho tão charmoso quem se faz de difícil... e vai pegando, abraçando, argh! que nojento. Uma vez quase saí na porrada com um cara no show do Paulo Ricardo (aquele que era do RPM), mas um rapaz me convenceu que não valia a pena. Por essas e outras eu sou totalmente a favor a legalização da maconha! Só não digo que sou a favor da proibição da cerveja porque sei que nem todo mundo que consome é assim.

Mas, o que estava falando no início, era sobre a corrupção policial. Mas, e se, de repente, os nomes que se ouve na TV tem rosto, nome, voz. E se você já apertou a mão de alguém que foi preso? E se o cara trabalhava com você? E se você achava o cara legal, já almoçou com ele e tudo? Como é que fica?

Segunda eu tava trabalhando e só ouvia os comentários velados, vc viu o que aconteceu?, e afins. Hoje, a história tem nome, data, fatos e números. Não saiu nos jornais, mas é como se tivesse saído, porque o que acontece aqui, em meia hora, todo o Estado tá sabendo. Um escrivão foi preso em flagrante ao tentar estorquir 10 mil de um traficante. Um escrivão que trabalhava aqui, que conversava comigo, que almoçou comigo, com quem já estive sozinha numa viatura. Alguém que eu até achava bonitinho e que se me convidasse pra sair eu sairia, até ficaria com ele (tá certo que eu sou meio a Dylan das Panteras II, que se gosta do cara, pode suspeitar que quase sempre santo não é). E não dá nem pra dizer que foi armação, que foi sem querer, que ele era inocente. Foi flagrante! A PM chegou na hora acionada pela famíia do preso. A corregedoria foi acionada. Foi tudo legal. Foi o certo, porque não há mesmo nada pior do que o crime com distintivo mesmo. Não vou dizer que confiasse nele, mas também não desconfiava. Mas que é uma sensação estranha, é. A sensação é de ter escapado por pouco. E se ele fosse preso no plantão e a equipe toda do dia junto, sem saber de nada? E se fosse preso enquanto conversasse comigo sobre o tempo? É horrível, e eu voltei a me sentir desprotegida, como antes.

É com essa sensação estranha que termino esse post, mas não sem antes agradecer por ter sido a Scully a minha primeira parceira, que eu posso dizer que confio mesmo. Acho até que punha a mão no fogo por ela. Por ter aprendido com ela as atribuições, embora não da minha funçao, da forma correta e legítima. Agradeço por nunca ter me sentido insegura com ela na viatura, mesmo na contra mão com a sirene ligada. E peço, assim, pedindo muito, que se eu passar no concurso para oficial de justiça que a gente possa trabalhar junto, ou que eu encontre alguém com a mesma integridade. Com tudo isso, concluo que na vida de um policial existem três tipos de companheiros: o namorado (esposo, esposa, amante), o amigo e o parceiro. E que de todos, o parceiro é de quem vc mais depende, é quem, realmente, tem a sua vida nas mãos.

Pelo menos esse cara que foi preso não deixou nenhum parceiro com a sensação de ter perdido o chão, já que ele não tinha um parceiro, parceiro mesmo. E eu espero que seja a última pessoa que eu tenha que visitar numa prisão.

Comments: postado por: Romy Trinity1:53 PM


lunes, octubre 06, 2003

HISTÓRIA GERAL

Nestes últimos dias passei por um episódio inédito pra mim desde que criei o blog, ou melhor, inédito há um bom tempo, tipo aqueles filmes do SBT que passavam "PELA PRIMEIRA VEZ NA TELEVISÃO" todas as férias. Inédito, porque não senti vontade de escrever, não fiquei pensando no que escreveria no blog enquanto andava pela cidade, não bolei textos inteiros pra cada coisa que via e nem inventei musiquinhas que se perdem, por falta de gravador manual, quando voltava para casa a noite depois do trabalho (já falei que doze horas cansam?). Super estranho. Até pensei que estivesse doente, tive uma recaída da minha abstinência carnal, ou seja, abstinência de ingestão de alimentos com proteína de origem animal, depois de 20 dias de dieta lacto-vegetariana, assisti uns capítulos da novela que (ainda bem) está acabando, e fiquei preocupada, será que estaria virando uma alienada-acomodada? Será que começaria a comprar coisas nas casas Bahia? Será que começaria a pensar que só se pode pedir pizza metade calabreza metade muzzarela? Será que começaria a ler romances tipo Julia e Sabrina e achar que era lindo e profundo? Será que desistiria de prestar FUVEST e acabaria fazendo UNIP? Ou FIEJ (Faculdades Integradas do Escafundó do Judas)? Socorro, alguém me tire daqui!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Mas, para minha alegria, a voz do Abujamra, no PROVOCAÇÕES (TV Cultura - Meia Noite) resgatou-me do lugar onde estava cativa e expulsei o alienígena que apoderou-se do meu corpo. Essa foi por pouco! Eu bem que deveria ter prestado mais atenção naquele filme "Invasores de Corpos". Hoje concluo que a frase "não durma" talvez tivesse um outro significado implícito. Ou pode ser que naquele dia que dormi muito, eles tenham se apoderado de mim, sei lá.

Então, após o resgate, limpei o apartamento - são necessárias três horas para arrumar a bagunça (e a pia) que demorou apenas 15 minutos para se formar, e resolvi estudar um pouco, mas comecei com história, pra não morrer de overdose, e estudando a História Grega, descobri o que eu serei se um dia, por acaso, for eleita presidenta da República: Eu serei Sólon!

Outro dia, quando lia sobre o humanismo e o início da Revolução Francesa, estava certa que queria ser uma déspota esclarecida, ou seja, pregaria a liberdade de imprensa, a liberdade de opinião e expressão, ao respeito pelos direitos humanos, mas não abriria mão da minha posição absolutista. Sempre gostei de ler sobre Hitler e sobre a segunda guerra, pois me fascina um homem, que através das idéias, conseguiu convencer uma nação, no mínimo, a cometer um horror tão indescrítivel como o holocausto. Explico, ressaltando que não sou nazista, não apoio nenhum tipo de preconceito, e nem sou fã das atitudes de Hitler, que acho incrível, o poder que a palavra dele alcançou, porque os soldados até poderiam ter sido obrigados a fazer a guerra, daquela forma, mas os generais, os grandes comandantes, seguiram o ideal de Hitler além do que o ele próprio imaginou. Li uma vez, que alguns generais eram mil vezes mais cruéis que o próprio Hitler! E que Hitler pregava a limpeza etnica e a soberania da raça ariana (que quando criança eu pensava que eram os nascidos em Áries como eu, até o dia que o meu pai me explicou que os nazistas atuais também são contra os morenos e netos de nordestinos), mas não defendia a tortura simples e cruel. As minhas fontes podem não estar corretas, mas continuo pesquisando a vida de Hitler. Sabe que meu avô (que fugiu da Espanha na época da Ditadura deles lá, na época da segunda guerra), disse que ficou sabendo num navio que Hitler não morreu? Outro dia ele me disse que acha que o Hitler talvez já tenha morrido, mas ou foi aqui no Brasil, ou, quase com certeza, na Argentina. É, meu avô tem histórias incríveis da viagem dele!

Bom, mas estava eu terminando de ler sobre as leis Draconianas, onde tudo tinha pena de morte como punição, e Solon me pareceu tão perfeito! Mas tão perfeito. Primeiro, ele era tirano - tinha o poder nas mãos, mas não era um ditador do tipo mau, ele defendia a implantação da democracia, acabou com a escravidão por dívidas, devolveu a terra para um monte de gente e, o mais legal, instituiu a Eclesia - Assembléia Popular, e deu um poder para essa Assembléia maior que o dos aristocratas. E mais, revogou leis velhas e ultrapassadas para os costumes da época, e a cada dia tirava mais o poder dos velhos aristocratas! E, depois que ele insituiu essa Assembléia, ninguém mais conseguiu tirar esse poder do povo. Ela se enfraqueceu depois, é verdade, mas esse princípio, e algumas tiranias que vieram depois de Solon, enterraram na alma do povo grego o horror ao poder nas mãos de um homem só. Mesmo quando a Assembléia cresceu, bolaram mecanismos para que um só homem não a comandasse, e quando algo era aprovado em meio ao calor dos acontecimentos, poderia ser votado novamente, num outro dia! Pra dar uma idéia, para condenar alguém ao ostracismo era necessário um mínimo de 6000 votos, ou seja, o nome do cara deveria estar escritas em, no mínimo, 6000 plaquinhas de barro, voto secreto.

Por isso, registro aqui, que sendo eleita Presidenta da República, eu me comprometo a:
* Fechar o Congresso, as câmeras de deputados e de vereadores;
* Nomear um corpo de assessoria pequeno, simples e de idéias práticas (Anjo, Rebs, Mário e Marfan se preparem que vocês serão convocados), cada um se comprometendo a não roubar, ou pelo menos não mais que um milhão de reais cada, inclusive eu - Vale lembrar que só o Lalau desviou 100 milhões de reais, e que o meu pequeno grupo, mesmo se esforçando, dificilmente conseguiria desviar mais do que o congresso todo.
* Revogar as leis (e artigos) ridículas e que compliquem a vida do povo, exemplo, a do Rapto Concensual que diz ser crime o rapto (não é sequestro, é fugir pra casar mesmo) de uma mulher honesta ou moça de bem, mesmo que com o consentimento dela.
* Eliminar a burocracia e acabar com todo e qualquer privilégio de profissões, ou seja, se o cara chegar e dizer, "Mas eu sou o Dr. Fulano de Tal, advogado, delegado, médico, ator da globo ou o raio que o parta", ouvirá em resposta: "O senhor tem doutorado? Não, pois bem, senhor Fulano de Tal, o seu lugar é lá no fim da fila, depois da Doutora Maria, que fez doutorado e ganha uma miséria como professora!".
* Estabelecer a eclesia brasileira, soberana, com amplos poderes, e que qualquer pessoa poderia participar, ou eleger representantes para cada grupo de, no máximo, 100 pessoas (não resolvi ainda), ressaltando que, A REMUNERAÇÃO PARA OS CONSTITUINTES DA ECLESIA SERÁ DE 01 SALÁRIO MÍNIMO, PAGO SOMENTE A QUEM PARTICIPAR DE TODAS AS REUNIÕES CONVOCADAS.
* E, por fim, que essa Assembléia vote um novo código de leis, menor, mais simples, e que após aprovado, seja distribuido gratuitamente para todos. Quando aprovado o código, retirar-me-ei do poder e não darei entrevistas ao Jô Soares (ou análogo). Mas darei entrevistas ao Abujamra e/ou seu sucessor.

É claro que tomarei outras medidas também, mas isso é assunto para outro post. E, ah, me comprometo, a no dia da posse, dizer, Galera, meu nome é Trinity!

Comments: postado por: Romy Trinity4:12 PM


miércoles, octubre 01, 2003

O dia de hoje

O dia de hoje foi o dia entre os grandes dias que eu falei antes. Não fiz nada. Praticamente nada. Acordei as duas da tarde (viu como fazer as leis não adiantou muita coisa?), fiz um troço com ovo e queijo que me fez passar mal e comi o máximo que pude que odeio jogar comida fora, sentei na cama para escrever o que ia fazer durante o dia, deitei e dormi até as 18:00h - isso porque tinha tomado cápsula de guaraná em pó, imagina se não tivesse tomado, acordei, fui correndo no sacolão comprar umas frutas, porque a minha geladeira estava um vácuo gelado, voltei do sacolão, fui no banco descobri que não tenho um tostão e ainda faltam 7 dias para o pagamento, saquei meus últimos reais, fui no mercado pra ver se tinha azeitona com recheio de atum, não tinha, torrei dez reais aqui na net quando deveria te-los torrado em cinema, abri meus e-mail, fiz um monte de cadastro na net (isso me relaxa, não sei por quê), li uns blogs, e agora vou voltar para casa, tentar estudar, fazer algo para comer e dormir, que já está me dando sono.

Quando observo, de fora de mim, um dia assim, fico tão injuriada comigo, pô, um dia todo azul (tava azul? não vi), jogado fora, um desperdício. Depois não reclama que não arruma namorado, não lê nada novo, não passa no vestibular! E acha que é seu direito só porque ontem ficou até as nove na delegacia? - Acho sim, porque trabalhar doze horas acaba comigo! E quando passa um minuto, quem diga uma hora, parece que estou podre! - Ah, mas tanta gente trabalha 14 horas por dia e no dia seguinte tem que estar de pé de novo! E vc anda comendo muito mal! Ai, não sei o que faço com você, o que eu fiz para ter um eu assim? Um eu que faz um monte de besteira, que adora ficar pensando no que vai escrever nessa porcaria de blog, que fica um tempão pensando se muda ou não o template, que se cadastra em site de namoro virtual e não conversa com ninguém, que recebe um monte de convite para viajar e não aceita nenhum, ai meu deus!, e o pior, um eu que acha tudo muito bom, tudo muito legal! Olha, o que a sua mãe diria se estivesse viva? Já pensou? Não se atreva a responder que ela acharia certo vc viver a sua vida como bem quisesse! E muito menos que isso não vem ao caso! E como vai ser o ano que vem? Se você voltar para Poá mesmo? Eu sei que eu pensa nisso o tempo todo, de como vai ser legal, como vai ser difícil! Quero só ver, como vc vai fazer a faculdade! Quero só ver, isso se passar né? Porque desse jeito, não sei se vai dar, não. E não se atreva a dizer que Einstein era assim! Não se atreva! Só existiu um Einstein, e ele já morreu! Só espero que ao terminar esse post você vá para casa, arrume tudo e estude viu! E é melhor parar com isso de que está estudando mais do que estudou em toda a sua vida! Tem que estudar mais e pronto! Ou você quer ser a primeira médica bicentenária do planeta? Ai, meu deus, por que eu tenho que viver com essa menina? O melhor ia ser a gente se separar, vc vai fazer seu teatro, gastar seu salário, viver sua vida ariana, e me deixar aqui, na medicina, curtindo o meu lado mais gêmeos, sem ter idéias mirabolantes, levando a vida sério, me arrependendo das burradas e só fazendo o mais seguro. Não aguento mais essa sua mania de ser assim, de fazer burradas e não se arrepender, estar pronta para outra. De querer lembrar só dos bons momentos. Temos sorte, eu sei, mas até quando? E o pior, com essa sorte, sei que vc vai passar no vestibular e esfregar na minha cara depois! Ai, deixa pra lá, viu, termina isso e vai pra casa...

É, nem sempre é fácil viver comigo, mas estou super bem, porque fazia um tempão que eu queria jogar um dia fora. E, nem tô, essa overdose de sono, me deixou assim, sei lá, leve, com um outro pedacinho de paz. É verdade me sinto culpada por ser tão feliz, mas me controlo, porque se o Universo ouvir, ele que sempre conspira a meu favor, pense que eu não quero ser tão feliz. Olha Universo, não ouve o meu outro meu, me deixa aqui, aguenta as pontas aí, vc sabe que não almejo riquezas e que farei de tudo para ser o mais justa possível. Vou ajudar todos no mundo a serem melhores. O máximo que eu puder. Não vou dizer como, pq, vc sabe, promessa é promessa, mas as pessoas saberão, em 15 anos, poucas saberão, é verdade, mas esse pouco será o meu pagamento por dias tão bons como o de hoje.

Meu amigos do Universo, muito obrigada!

Comments: postado por: Romy Trinity9:46 PM



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