Tradução

Este é o meu espaço livre na MATRIX, onde posso depositar as emoções (e ilusões) da (minha) vida e brincar de jornalista, crítica, prêmio nobel da literatura... Escrevo não só por necessidade, mas também para entender o porquê, dela, de pensar o tempo todo, e de tantas palavras, tantos textos nascidos semi-prontos pedindo para gritar. E aí, quem sabe, alguém lê e me explica por que eu, e não só eu, com medo de ser decifrada, preciso tanto de tradução.



lunes, enero 26, 2004

Não dê atenção, post 100% no sense...

BALÕES...

Vamos falar um pouco das coisas leves. Como aquele balão amarelo que as crianças caregavam na tarde de ontem. Uma tarde de domingo por sinal, e naquele momento havia raios de sol, iluminando as crianças, os policiais e as ruas, confusas, por causa do show.

Na hora tal cena não me criou comoção alguma, só pânico ao ver que eu estava atrasada para a aula de forró, a estação de metrô fechada e a maior bagunça nas ruas fechadas. Casou também nervoso, uma vez que eu perguntei para o PM como eu fazia para pegar o ônibus que passava na 9 de julho e ele me respondeu que para chegar à festa era só ir por ali. Nervoso que quase se transforma em desacato quando eu, narrando para a Scully porque eu não chegaria a tempo, um outro PM resolve me interromper, remendando, querendo explicar ali, naquela hora, onde era o ponto que o colega de farda dele não soubera dizer. Simplesmente detesto que me remendem ao telefone. Detesto. Acho a maior falta de educação interromper a conversa de alguém, que não se conhece, ao telefone, pra dar palpite numa conversa que, absolutamente, não é da sua conta!!! O fim da picada! Ainda fiquei mais brava ainda, porque além de perder a aula de forró, não ia dar pra ir ao show, já que as 16:00 o lugar tava apinhado de gente, e pior, com crianças que chorariam quando estivessem cansadas. Com certeza 20h estaria muito pior, apesar que quase fui quando vi a Rita Lee na TV, mas me contive, fiel à minha decisão.

Mas falemos das coisas leves. A mesma cena, da criança com balão, e não a do caos, hoje, pinto com cores diferentes, mudo o cenário, e penso em ventos. A bexiga torno vermelha, depois azul, depois um amarelo mais forte. O domingo, de sol e paz. As ruas, calmas. Observo a cena e fico pensando em coisas leves, gostosas, coisas que por melhores que sejam vividas, sempre parecem melhores lembradas ou imaginadas. Como correr na praia de brincadeira com os amigos. É divertido, mas o suspiro só vem um tempo depois. Como o show do Caetano, a lembrança de um coro imenso cantando Sampa na Ipiranga com S. João, da voz maravilhosa do menino abraçado à mãe do meu lado, do arrepio que percorreu meu corpo ao ver que São Paulo realmente parece uma cidade de solitários, mas absurdamente amada do jeito que é, com a chuva abençoando, dando verdade às palavras de Caetano, ah, hoje é tão diferente do momento, que lembrar se torna magia dentro da própria magia.

Mais do que a lembrança, a possibilidade de dias de paz me acalma o espírito, como um abraço quente que dá vontade de parar o tempo ali, naquele momento, fazendo com que o mundo tenha cheiro de banho tomado, e as pessoas, aquele sorriso gostoso e cansado depois de um dia inteiro de diversão; ao mesmo tempo em que encoraja o seguir em frente.

Caminhando contra o vento, na beira do praia de banho tomado e cabelos úmidos, numa tarde de segunda, de vestido branco - uma imagem que vive em mim. Queria poder compartilhar essa sensação com o resto do mundo...

E as buzinhas lenta e gradualmente voltam a ser ouvidas, junto com o trânsito, sol, chuva, poluição, semblantes ríspidos e falsos, todos juntos lembrando que ainda falta para o mundo ser assim. E eu caminho de calça jeans, cansada, ao fim do dia, ansiando por banho e cama quentes, por entre as ruas do velho centro da cidade que amo. E descubro que também assim sou feliz.

Comments: postado por: Romy Trinity3:11 PM


sábado, enero 24, 2004

CORPO E OPINIÃO

A primeira coisa a dizer do meu corpo é que não me acostumei com ele. Para ser exata não me acostumo com esse negócio de carne. A segunda é dizer que me importo sim com o que os outros pensam, e ao mesmo tempo, não dou a mínima. É mais ou menos assim: quero que todos saibam que não me importo com eles, que não preciso provar nada a ninguém. Será que só eu sou assim?

Sempre que me olho no espelho tenho que lembrar que ali sou eu refletida. Quando vejo uma foto minha, parece que estou ali, não na pessoa, mas por ali, sabe como se diz, ali, no fundo, atrás da porta está a Trinity. Raramente me acho bonita, não só pela verruga na ponta do nariz, que anda com os dias contados, mas pelo conjunto. Simplesmente, não me acho bonita. Evolui bastante, houve um tempo que eu me achava feia. Hoje, só não me acho bonita.

Pra ver como não me acostumo com meu ser encarnado, tenho uma dificuldade absurda sobre o gênero. É, desde pequena. Perdia pontos nas aulas de português porque dizia sempre "Obrigado", e não "Obrigada". Até hoje digo obrigado, e engulo o palavrão quando corrigida. Não só nos agradecimentos, em muitos outros contextos, acho mais simples falar num gênero único, porque assim fico além dessa carne, desse limites estranhos, dessas coisas impostas pela biologia e pela sociedade. Mentira, não é que acho mais simples, é que demoro pra lembrar que eu sou uma moça numa sociedade machista. Da sociedade até lembro, mas onde meu espírito agora mora, isso demora. Desconfio que quando finalmente me acostumar com meu corpo, já vai estar na hora de partir, melhor assim.

Não trata-se de opção sexual, e sim de gênero. É como se eu tivesse ganhado um video-game quando nasci, e ainda agora, vinte e dois anos depois, não sei direito como mexe nestes botões. Vivo me perdendo, batendo pé em porta, dando ombrada na parede, arranhando uma mão com a outra, descabelada, sem saber que roupa serve mesmo depois de experimentá-la na loja. Por isso, dá vontade de chorar quando uma festa social se aproxima, daquelas em que se representa para a sociedade muito mais que a si própria, como o casamento do meu tio. Maquiagem, arrumar cabelo, sapato de salto, andar com um vestido, tudo isso soa mais aterrorizante do que segunda fase da FUVEST. Se fosse FUVEST eu saberia como me preparar, mas pra isso?

Claro que depois de um tempo com essa máquina já aprendi umas coisas legais sobre ela. Sei comer, andar, dormir, tomar banho. A dança tem me ajudado deveras. Por isso que pensei em opinião quando decidi falar do meu corpo, porque tinha um preconceito danado com o forró, dentre tantas outras coisas. Depois das aulas, joguei todos os preconceitos no lixo. Só falo daquilo que conheço. Não gosto de axé, já tentei dançar, já ouvi, já fui em show. Não gosto. Mas não posso dizer se gosto de música eletrônica. Nunca fui numa festa, nem tentei dançar. O mais perto que chegue foi ouvir Fernanda Porto. Não emitirei mais opinião sobre aquilo que desconheço! Aprendi a respeitar a manifestação da opinião alheia, mesmo se eu não concordar. (Não concordo com o dizes, mas lutarei par que possas sempre dizê-lo).

Um exemplo é o caso da Rita Lee, que falou no Rio que estava de saco cheio das festas de São Paulo. Não ouvi o contexto, nem o tom do depoimento. Li, o que já é parcial, mas respeito. Se ela gosta ou não que pintaram a 23 de cinza, isso é direito dela! Ela pode não gostar. Eu amo São Paulo, mas isso não é obrigação nem prerrogativa de todo ser. Outro, os comentários que a gente põe em blogs. Outro dia falei pra Scully, da descoberta, que a gente não é obrigado a comentar!!! Sabia? É verdade. Descobri isso através do Blog's Burguer, na primeira vez que entrei fiquei procurando como louca um lugar pra comentar, procurei, procurei e nada! O cara não tinha comentários! Aí pensei, como pode um blog sem comentários? Há pouco tempo ele voltou a por comentário, e veio o impulso primário de comentar que achava legal ele não ter comentários, mas aí, me pergunto, porque eu faria com ele exatamente o que eu não aguentava mais que fizessem comigo? Se o cara não põe comentário as pessoas escrevem reclamando, se põe as pessoas escrevem reclando, como se não tivéssemos o direito de mudar de opinião, mudar de posição, usar no virtual a liberdade camuflada do real. Não é direito dele, que mantém o próprio blog, decidir quando quer ouvir comentários? Fiquei pensando...

E continuei, além de não sermos obrigados a comentar num blog só porque entramos nele, sabia que a gente também não é obrigado a comentar bem de um blog todo só por um texto? Mais ainda, sabia que você não é obrigado a ficar lendo um blog que não se gosta só porque o cara comenta no seu? É incrível!!! Nós somos livres para o comentar!!! Adorei isso! Claro que acho educado passar na página de alguém que nunca esteve aqui antes, mas isso não significa que eu tenha que escrever "muito legal o seu blog". Posso apenas agradecer e sair. Isso realmente me surpreendeu! Nossa...

Mas, voltando ao meu corpo, como disse não me acostumei com ele ainda, e estava pensando no elevador, que tem um espelho grande, que hoje estava bonita. E pensei, num outro dia, que estava bem melhor no comando do robozinho que eu sou. Comecei a catalogar, aprendi como estar quase sempre cheirosa, como não rasgar e manchar a roupa todos os dias e aprendi, já que não posso estar sempre bem vestida, a estar quase sempre confortável. Nadando nestes pensamentos, nos 5 segundos que me levam ao térreo, considerei que aprendi também a identificar certos ciclos meus. Se hoje estava bonita, em, no máximo, dez dias, não estarei mais. Voltarei a minha cara comum, a natureza é sábia, e metida a espertinha, espertinha demais para o meu gosto, ela brinca com os nossos instintos, pela preservação da espécie em detrimento da preservação do ser. É, a natureza é esperta.

O mote de escrever isso tudo, foi o pensamento que deveria estar escrito no primeiro parágrafo: Não me acostumei com meu ser, não faria cirurgias para me mudar, mas se pudesse escolher, hoje, eu queria mesmo era ser magra. Aquela coisa bem nadadora, nada de costas, nada de peito. Tipo a Malu Mader. Ela, na minha humilde opinião, não tem um corpo bonito, não tem um rosto excepcionalmente bonito, mas é bonita. Não é mulher de parar o trânsito, mas também não espanta assombração. Eu queria ter um corpo, inteiro, como ela. Poder me fazer sumir numa multidão e brilhar para uma só pessoa.

Não que eu seja belíssima, muito pelo contrário, mas moro no Brasil, passo perto de algumas obras, e sou afro-descendente de italiano com espanhol, ou seja, tenho mais bunda e mais peito do que gostaria, e ainda por cima falo alto e gesticulo como se estivesse me afogando. Por mais que eu me controle, sempre acabo aparecendo. Mas isso não é bom? Não, não é. Por algum motivo alheio ao meu conhecimento, acabo atraindo olhares mortais de seres do sexo feminino muito mais bonitos que eu, e olhares do sexo masculino, que me fazem ter vontade de virar emmanasca (seres assexuados de Darkover - livros da Marion Zimer Bradley). É terrível. Tem uns caras que olham pra gente que parecem que vão nos estuprar no primeiro canto escuro. E não importa a roupa não, basta que apareça uma ou outra curva, um ou outro movimento, e lá vem comentários impossíveis de serem repetidos em voz alta, principalmente pelos valorosos trabalhadores braçais da cidade e dos não menos valorosos imigrantes nordestinos - dos peões e dos baianos, pra ser mais clara.

Pelo amor de Deus, será que os caras não pensam em como uma mulher se sente ao ouvir um, Oi Morena, Fala Princesa, E aí gostosa, quer chupar o meu sorvete, e daí pra baixo? Senhores, eu sou uma donzela!!! Se estívessemos na idade média, meu pai teria mandando degolar ou castrar cada um que ofendesse a minha honra! E o pior, é que se pensa: os homens inteligentes não são assim, sabem conversar... Besteira! Parece que há um esvazimento cerebral perante um decote ou uma saia! É absurda a situação, se você vai com a roupa mais discreta do mundo, prende o cabelo como se fosse a tia Maria, não deixa aparecer um pedaço sequer de pele, não passa perfume, nem passa batom, os caras simpáticos e/ou inteligentes, já carimbam um "Dragão - essa só bêbado" na sua testa, e só puxam conversa se a sua amiga foi bonita. Ou você vai por aqui, por ali, con jeitinho mostrar que se é um ser conversável, apesar da cara de freira, e quando a conversa engrena (a festa estará no fim, com certeza), eles soltam a frase, "poxa, você é legal, queria que tivesse mais garotas bonitas e inteligentes como você". Melhor duplo sentido, impossível. E se despedem com um beijo, na bochecha, claro.

Agora, se para a mesma festa, você vai com um vestido, nem precisa ser decotado, que esses eu não ponho mesmo, se for justo e der pra ver que se tem mais peito que as modelos look Somália, e ainda passar perfume, o ser humano do sexo masculino torna-se incapaz de olhar na sua cara. Absolutamente in-ca-paz. Ainda tem a pachorra de elogiar os seus olhos olhando no bem no fundo do seu peito. Dá até raiva. Não falam sobre trabalho, faculdade, ou futebol. Resumem-se a rir de qualquer besteira que saia da sua boca (olha, tem um homem pegando fogo! Hahahaha, você é tão divertida), oferecem algo pra beber, pra comer, pra comprar, elogiam qualquer coisa que venha de você (já disse que seu cotovelo é bonito?), e concentram-se no objetivo único de ir para um canto - nossa, aqui tá quente, né, vamos lá fora tomar um ar? que barulho aqui dentro, vamos para o meu carro curtir um som mais calmo? Você não está cansada de ficar de pé, ali tem um sofá livre..., e por aí vai. Que ódio, meu Deus, que ódio! E isso é só uma panorâmica geral, não vou nem entrar em detalhes nos tipos básicos espalhados pela cidade. Está ficando cada vez mais difícil...

Aí, conversando com um amigo meu que é gay, lindo, maravilhoso e com os olhos mais encantadores do mundo, cheguei a conclusão do que acontece comigo: acho que sou um cara, que encarnou num corpo de mulher, e ainda por cima sou gay! Deve ser isso, eu gosto de gays, não tenho saco com mulher, mas também não odeio todas, e acho os homens realmente fantásticos, exceto pelos detalhes citados acima. Meu Deus, acho que sou gay, e agora?

PS: Não quero nem nunca quis ser menino, sempre gostei de ser menina. Queria ter as regalias dos meninos, mas acho muito mais divertido ser o "lado belo do diformismo sexual", como li uma vez.

PS 2: Os sites onde encontrei sobre os shows de comemoração de 450 anos de São Paulo, e 4 de Marta:
www.parada450anos.com.br e www.ig.com.br/home/cityguia/artigos/0,,1492636,00.html

Comments: postado por: Romy Trinity5:42 PM


jueves, enero 22, 2004

QUEM? ONDE? QUANDO?

Vamos falar a verdade: a prefeitura não está comemorando aniversário de 450 anos da cidade coisíssima nenhuma. 450 é um número importante por quê? Por que é redondo? Como diria meu professor de matemática, abaixo o preconceito contra os números! O número 0 é tão bonito quanto o 1 ou o 3. Se ainda fosse 500 anos, eu entendia, afinal, meio milênio não se faz todo dia, mas 450, 451, pra mim, dá na mesma. O que ela está fazendo, ridiculamente, na minha opinião, é um grande circo, montando o palco para a reeleição. Coisas de Maluf, digo, Marta.

Ti falá uma coisa, Dona Marta, o que a senhora está fazendo não tem nome, viu? O que a senhora fez com as linhas de ônibus, esse negócio de CEU, essas obras iniciadas em janeiro, no último ano de mandato programadas para terminar em 11 meses (em novembro), desativar estação de trem pela cidade, reformar a Luz e o Brás diminuindo número de plataformas ativas, "festas" pela cidade, exposição disso e daquilo, superfaturando as aquisições da prefeitura (camiseta infantil por R$16,00 é promoção???), taxa de lixo, taxa de luz, multas e otras cositas más, que deixariam até o Paulo Maluf de queixo caído, isso não se faz, Dona Marta! A senhora tem idéia, a mínima que seja, do que a senhora representava para o povo, há quatro anos? As velhinhas diziam, ai, tomara que a Marta ganhe, que ela não rouba mas faz, e coisas assim. A senhora tem idéia do que elas falam no ônibus hoje? É de vaca, vagabunda, filadaputa pra baixo. Olha, não é fazer terrorismo não, mas até a minha avó pediu pra eu comprar um pintinho de galinha preta pra quando crescer ela jogar na senhora. A situação tá feia pro teu lado, Dona Marta.

Dona Marta, a senhora, e que o Seu Lula também me escute, era a Esperança de um monte de petistas que viu o sonho ruir com a Erundina. Diria até que vc era a última esperança. Até eu acreditei na sua campanha, eu que gosto tanto do Maluf, mas acho uma pena ele roubar tanto, até eu que lembro que meu pai não chegava em casa na época da Erundina porque não tinha ônibus. Até eu, Dona Marta, até eu acreditei na senhora. Eu ouvia na sua campanha, ouvia você dizendo o que eu gostaria de fazer pela cidade, parar com a roubalheira, arrumar as escolas, acabar com a progressão continuada, arranjar vaga para as crianças estudarem, limpar a cidade, coisas pequenas, mas que fazem muita diferença. E, como em toda campanha, eles perguntavam, de onde a senhora ia tirar o dinheiro pra renda mínima, leve leite, começar de novo e programas assim, e a senhora dizia, no primeiro ano a gente arruma a casa e acaba com a roubalheira, no segundo ano com certeza vai ter dinheiro. A senhora lembra que prometeu diminuir o problema dos ônibus até o quarto ano de governo? Lembra que prometeu não transformar a cidade num canteiro de obras pensando só na reeleição? Aliás, a senhora lembra que o PT era contra isso de reeleição? Não, não lembra, né? Mas eu lembro. E lembro que acreditei, que mesmo votando em Poá, fiz campanha pra senhora, dizendo, ah, não sei, mas eu confio na Marta. É, foi a primeira vez que acreditei num candidato, e concordo com o que me tinham dito: depois de quatro anos a gente se sente muito, mas muito, idiota! A sensação de ser enganada é terrível! Eu me sinto andando na cidade, com roupa de palhaço, apontando e rindo pra cada mendigo que foi despejado da praça da República (eles não sumiram, só atravessaram a rua), dizendo, "Hahahahaha, eu votei na Marta e agora pago o lixo que você come, hahaha". Parece engraçado pra você, Dona Marta?

Ti falar uma última coisa, pra eu votar na senhora de novo, o outro candidato tem que ser o Geoge Bush, viu?! Se for Sadam x Marta, voto no Sadam. Se for Bin Laden x Marta, voto no Bin Laden. E, pasme, se for for Maluf x Marta, voto no Maluf, que rouba, não faz, mas pelo menos não me cobra o lixo. Só não voto no Bush. No resto, não sendo loira, eu voto. Sorte sua, que, tristemente para mim, não serei mais moradora da minha cidade querida, e votarei em Poá no próximo ano, mas estou de olho viu. Por favor, caso ganhe, não destrua a cidade toda e ilumine o Municipal. Suplico.

Aí, você me pergunta, fora todas as sacanagens básicas, porque eu tô brava com a senhora? Quer saber? Simples, eu, paulista e paulistana, nascida no centro, moradora do centro, absolutamente apaixonada por São Paulo, encantada com o centro velho, que vai a quase todos os shows do Ibira, que caminha no minhocão na madrugada, frequentadora da feirinha da República, presença constante nas filas do SESI, que anda a Paulista de ponta a ponta, devota de Santa Rita de Sampa, que sorri quando cruza a Ipiranga com a São João, que vai nos cinemas do centro e vire e mexe solta um, ôrra meu, eu, além de palhaça, também me sinto uma idiota porque não consigo entender a porcaria desse projeto de Marketing das comemorações da cidade! Pode, pode me chamar de fútil e o caramba, eu prefiro ver como sentimentalidade metroecônomicapolitana, ou seja, adoro a cidade, quero ver Caetano e Rita Lee, mas não tenho um tostão. Entro na internet, faço a busca pelo celular, e a única coisa que leio é que o calendário é atualizado diariamente. Grande Coisa!

Hoje é quinta, e ninguém sabe me explicar como será a tal parada São Paulo. Como vai funcionar, como faço pra ficar onde vai tocar rock e não Samba, como um milhão de pessoas sairão juntas do Anhangabaú, dividir-se-ão em três (rock, samba e não sei o quê), vão até três viadutos não divulgados nas proximidades (seria o Viaduto do Chá? O Santa Efigênia?), e de alguma forma, passarão pela 23 de maio, e voltarão ou não, para o Anhangabaú? Desculpe, se alguém entendeu, por favor me explique, mas acho que a festa também deveria ser para os paulistano burros como eu. A maioria das pessoas com quem converso vai na festa que tá passando na globo, simplesmente porque é só comprar o ingresso e aparecer, não precisa de esquema tático. Mas pra ver Daniel e KLB, prefiro ficar em casa, obrigada, posso não ter dentes, mas não quero que a globo mastigue por/para mim.

Outra coisa, a passagem de ano na Paulista foi o início das comemorações, certo? Desde então, mostras e exposições se espalharam pela cidade, mas a informação, não. Mostra disso no MAM. Mostra daquilo no MASP. Exposição fotográfica no Centro Cultural Vergueiro. Prazo? Horário? Endereço? Quanto custa pra entrar? Isso, ninguém informa. Um desrespeito, um desrespeito absurdo. E aí, a gente tem que ficar ouvindo piada sem graça de carioca dizendo que paulista que é paulista só sabe onde é a Av. Paulista porque tem o mapa no metrô. O pior não é a piada, o pior é que é verdade. Quando eu fui para o Rio, em uma simples viagem de ônibus até a casa dela, a Angélica deu um show como cicerone! Eu mal sei o nome da minha rua. Ai, que vergonha.

Espero apenas conseguir ir ao show da Rita Lee, sem pagar nada, sem correr atrás de trio elétrico e descobrir depois que ali vai tocar os Travessos. E que nenhum carioca me pegunte onde é a parada do orgulho gay paulista.

Comments: postado por: Romy Trinity5:55 PM


martes, enero 20, 2004

NO TEMPO...

A semana passou, outra começou, eu fiquei longe do computador e posts, vamos chamar assim, foram criados e perdidos no tempo. Perdido talvez não seja a palavra certa, mas não encontro outra pra dizer que estavam ali, naquela hora, inteiros, fotografias coloridas em palavras soltas, pedaços da vida, disponíveis, e agora não mais, agora são fotografias antigas, e não estão mais tão disponíveis. Uma ou outra talvez eu ainda lembre o nome do cara sorridente, mas de todas, acho que não. Nem sei mais onde está o álbum, só sei onde estão aquelas que eu vejo mais, que vejo sempre, que, apesar de recentse, já mostram que serão nostálgicas, já guardam além da imagem.

Mas, eu sempre tenho um mas a me perseguir, são tão bonitas, que talvez se encontre ainda alguma graça nelas, num pedaço delas. Porque não publico a foto toda, o post todo, só um pedaço, o pedaço que não se perdeu. Pedaços da semana...

Na semana eu queria escrever que volto atrás: trabalhar do meio dias as oito é realmente o pior horário. Não sobra nada do dia, nem de mim. E ia dizer também, que é terrível ver o tempo se esvaindo pelas mãos, ver uma semana inteira passar, como um trem expresso que não pára na sua estação. E também foram expressos a raiva, as demoras do ônibus, meus almoços, as filas do banco, as coisas que não se resolveram, as esperanças que se dissolveram na paisagem, a roupa que não se lavou. Tudo o que não fiz, foi expresso, e o que fiz, parecia mágico por conseguir-se realizar no pedaço tão pequeninho que sobrava da manhã. E não passou a vontade enorme de assistir Simplesmente Amor, graças a um post da meg.

Na semana, outro blog me fez criar um post, O Umbigo do Mundo, que nem sei escrevê-lo, criado no ônibus, inspirado no post do Anjo sobre a bárbarie humana. Um texto bom, que vai do holocausto as igrejas evangélicas. E esse post que eu criara, pedia desculpas por eu ter passado tanto tempo olhando para o meu umbigo, reclamando da minha dor e da falta dela, pensando só nas minhas dívidas, acreditando que a minha alegri era a de todos. Eu pedira descupas em pensamento, num longo texto. O texto, não tenho mais, as desculpas, ao mundo, sinceras, as peço publicamente. E sempre pedirei.

No sábado, fiz um post chamado "Carinho", fiz no domingo de manhã, no meu apartamento, mas o post é do sábado. Fala do carinho inexplicável que sinto por algumas pessoas, pela minha família. O sábado foi perfeito, casamento da minha prima, que tive o maior prazer em ajudar em alguns detalhes, e não via a hora de chegar. Desculpem-me meus outros amigos que casaram, mas foi só no casamento dela que senti como o casamento de uma grande amiga minha. Não que as outras amigas não sejam grandes, mas acho que pelo fato dela ser minha prima, de ter ficado tanto tempo longe, eu me senti mais próxima dela. Senti muita alegria mesmo, e o noivo, o noivo era uma graça. Peço desculpas novamente, mas não me lembro de ter visto tanto amor nos olhos de dois noivos. Acho que porque eles se casaram de livre e espontânea vontade, sei lá. Sei que foi lindo. Acho que o fato de eu ter filmado, também colaborou pra que eu visse tanta beleza, e por querer mostrar a beleza nos detalhes, mostrando os detalhes, acredito que a minha filmagem não tenha ficado tão boa. Mas eu adorei viu? Achei uma obra prima pra uma primeira filmagem.

Ainda sobre o casamento, sobre o carinho, eu queria abraçar a Rosana, parabéns amiga, e dizer que estava realmente feliz por ela. Que sabia que tudo daria certo, que ela seria muito feliz e que sempre que precisasse bastava chamar, eu estaria ali. E queria abraçar o Harrie e dizer que ele era o noivo mais sortudo do mundo, e que a noiva também o era, que era muito simpático, que era uma honra tê-lo como primo, que conservasse aquela alegria em estar feliz e que eles não perdessem aquele olhar de parecer os dois um só. Eles são a prova de que o virtual pode se tornar real. Mas sei, que eu não teria coragem de dizer tudo isso, e esse abraço vai nos dez minutos de chão filmado.

E senti um carinho enorme pelo mundo, por toda a minha família, uma vontade enorme de abraçar todo mundo, minha avó, dizer que mesmo ela não indo ao casamento, e mesmo eu não entendendo os reais motivos, que eu a amava. Meu avó, dizer o quanto eu sou absolutamente louca por ele, que se for pra eu ficar velhinha, que seja como ele, trabalhando, que eu sinto muito por nós dois sermos arianos cabeça dura sem ter coragem de adimitir sentimento algum, que eu queria estar com ele todos os domingos de sol que ele passa sozinho e que eu sempre, sempre, terei paciência para ouvi-lo. Sempre. Meu pai, sempre meu pai, dizer que eu percebi o quanto ele estava triste, não sei se por lembrar da minha mãe, ou se por ver uma família desunida numa data alegre, ou se por não ter ido a festa, ou se por eu ter ligado e dizer que ele deveria ter ficado. Não sei o motivo, mas mesmo sem entendê-lo, quero que a tristeza passe. Minha tia, dizer que vejo que mesmo que ela não saiba, sei que está sozinha, e que há pouca coisa a se fazer sobre isso. Que eu gosto dela assim e pronto. Abraçar meu primo, dizer que não é culpa dele ele ser assim, mas será culpa dele continuar assim, que ele pode mudar, ser feliz, e que deveria ter ido ao casamento. E um outro sentimento que me invadiu, um pensamente que esteve a me perturbar durante todo o sábado, a falta que mais senti falta, minha irmã disse que não se deve dizer a alguém que não foi, você deveria ter ido, mas não me aguento, e como sei que houve motivos além da simples vontade, eu digo: Glauco, senti muito a sua falta. Sei que não tem metrô da Espanha até São Paulo, mas Glauco, nem sei se vc ainda me lê, senti falta de você lá, por motivos que não entendo, mas eu senti falta. Senti falta dos outros integrantes da mocidade, só estava a mulherada presente, mas queria muito, tanto que acreditei que você apareceria de repente no meio da Igreja. Mas, por favor, não fique triste por isso não, só falei pra você saber que a gente lembrou de você, e depois, minha irmã pegou o buquê, de repente até tem outro casamento na família. No sábado dormi na casa da minha tia, e acordei no domingo com carinho saindo pelos poros. Do casamento, falarei mais, com certeza.

No domingo, teve aula de forró de novo, aliás, aquilo sim foi aula! Se alguém quiser aprender forró, vão ao Remelexo, em Pinheiros, é aula mesmo e a professora, uma simpatia, além de ensinar tanto o que deve fazer a dama quanto cavaleiro, ainda explica o que fazer com o resto do corpo enquanto os pés se movem. Domingo, dancei, sozinho no apartamento, forró até a 1 da manhã. Ouvi o mesmo CD do Falamansa umas mil vezes. Tanto que enjoei, e na segunda só queria saber de CPM 22.

E, enfim, na segunda, fui ao banco pegar um super empréstimo, fazer uma loucura pelo meu pai, então, a partir de ontem, sou um ser humano que não deve nada pra ninguém, só para o banco, e muito. Vou ser estudante, viver dura como estudante, usando e abusando da meia entrada até pra ir no banheiro. Mas sou tão feliz, que até ficar sem grana me diverte. E agora, internet, só se for dois real a hora.

Ainda agora os post se perdem, mas tudo bem, no rio da minha vida, eu só não quero me afogar. (Isso ficou horrível)

Comments: postado por: Romy Trinity7:34 PM


martes, enero 13, 2004

FORROZEIRA

Não quero me gabar não, ou melhor, quero sim, é muto bom ser do signo áries-galo. Recuperação total! É muito bom! Estou muito empolgada com a faculdade, com as aulas de forró, com o lance de morar com minha família, mais ainda com a possibilidade de mudar de emprego, de voltar a morar no centro, com os livros que terei que ler, com as festas que podem rolar, com o que vou aprender, em resumo: estou empolgada com o ano inteiro!!! Só não uso o superlativo porque ainda não cheguei no estágio de andar dançando e rindo pelas ruas, mas quase.

Domingo de sol, o melhor da aula de forró é o banho quando se chega em casa. Como é possível transpirar tanto? Foi divertido. O problema maior, pra mim pelo menos, além de decorar qual é a perna direita e a esquerda (não riam, eu não sei mesmo, na prova de volante eu colei - usei o relógio bem apertado pra não errar qual era a esquerda), foi que o forró, diferente de outras danças, como a flamenca, que eu fiz três aulas, não tem passo pré-definido. Deixa eu explicar, na flamenca, tinha o passo x, a gente treinava o passo x, e o professor contava un dos tres, e eu, que não entendo também esse negócio de um dois três, que pra mim isso é matemática e não música, entendia o passo e depois encaixava na música, que tem batidas bem marcadas que coincidem com o barulho dos pés. Em casa, eu podia praticar, mesmo sem música, que quando chegasse na aula, era só casar. No forró não. Tem a base, claro, e é verdade que só com essa base já dá pra tentar dançar, mas fora a base, e aí vem a parte mais difícil, você tem que "sentir a música". E a coisa começa a complicar.

"Sentir a música". Não que eu seja o ser mais aritmico ou insensível do planeta, mas esse negócio de "sentir" a música, é algo que exige um pouco de uma parte oculta, pra não dizer sumida, da minha pessoa. Rock? Beleza. Tum tum tum, cabeça vai, pula, pula, grita, toca guitarra aérea. Dance e variações eletrônicas, puts puts tum tum puts puts, tem um ritmo, o pé casa com a batida, beleza também. Samba nem tento que já é exigir muito da minha pessoa. Fui inventar esse negócio de forró porque gostei do Falamansa, achei a letra bonita, o ritmo gostoso. Depois, os meninos que acamparam perto da gente na prainha, tocavam uma música mais linda que a outra. Aí, junta o fato de que vendo a galera dançar dá uma contade de dançar também e que nas festas da cia já estava ficando feio o negócio de ninguém conseguir me ensinar, chegando até ter duas desistências numa mesma música. Resolvi aprender. O mérito não é todo meu não, se a Scully não tivesse dado um agora vamos, talvez eu protelasse por um bom tempo ainda. E o professor vem com essa de "sentir a música"! Com todo respeito, mas quem fica sentindo coisas é grávida, que sente o bebê, e jogador de futebol, que vive sentindo a perna. Com o perdão da redundância, sentir sentimento ainda vai, mas música, tá difícil.

Além de "sentir a música", enquanto a gente treinava mudar de direção no passo básico, vem a mocinha, vendo que estou parecendo uma barata tonta, virando pra esquerda sempre que o professor dizia "direita", e fala "que não precisa se preocupar muito com isso, que na hora o rapaz é que leva". Péra aê, primeiro, ninguém me leva - me mostra o caminho e eu vou junto, segundo, me leva pra onde?, terceiro, vamos ver se eu quero ir. Não é assim, não. Deixa que ele leva, que negócio é esse? Mas isso foi só pensamento, falar mesmo, eu só disse, tá bom. Virei toda empolgada para a Scully e falei, agora eu já sei dançar sozinha! Mental: até que é mais fácil do que eu pensava. "Então, vamos juntar tudo!". Sim, é mais difícil do que eu pensava. A moça estava certa, é o homem quem leva. E aí, dois pequenos detalhes, que nem são tão pequenos assim, tornam-se os dramas principais de uma novela que promete, risos, pelo menos.

Primeiro, eu não sou uma pessoa fácil de levar. Já vi senhoras "gordinhas" que numa pista de dança parecem uma pluma, de tanto que deslizam. Eu não, sou toda travada, e também preciso ter certeza do que estou fazendo. Pode até ser que eu faça coisas sem saber muito bem porque, mas que EU faça, e não alguém me leve. Digamos que se fosse eu quem conduzisse, a dança seria mais fácil pra mim, mesmo que, teoricamente, pra essa dança, ser a fêmea é mais simples. Depois, o professor disse o que era pra fazer com os pés, mas não falou o que fazer com o resto do corpo, então suponho, que o resto do corpo não deva fazer nada. Não, o corpo tem que "sentir a música". Ahh, é, eu não sei fazer movimentos circulares com o corpo. Tá, admito, mim, morena, brasileira, não saber sambar, não gostar de carnaval. Até ri quando ele falou que nós não éramos europeus, que tínhamos molejo, e nem foi porque tinha uma portuguesa na turma. Foi porque penso que fiquei xavecando o estagiário da fila de cabelos pra ver se ele me dava cabelos lisos antes de nascer e não passei na fila de "molejo", dentre outras. Só pode ser isso. Samba e dança dança do ventre me parecem mais complicados do que fórmula de física quântica! Mas isso, de não deixar alguém me levar e fazer o corpo acompanhar a música, acredito que pode ser sanado, afinal, quero expandir meus limites, crescer, fazer aquilo que eu não sei, mesmo que pareça impossível. Eu vou conseguir.

Agora, o segundo detalhe, esse não depende de mim e vai além da dança. Mesmo que houvesse mais meninos que meninas na aula, só tinha um ou dois, além do professor, que dava pra dançar. Explicando, no forró, o cavalheiro conduz, certo? Então. Ele tem que PEGAR a dama, mantê-la JUNTO ao corpo (a cena pode parecer meio "duvidosa", mas não é não), apoiá-la, e conduzir. Mas tem que pegar mesmo! E CONDUZIR, deixar a dama sem opção. Ou ela acompanha, ou acompanha, meio errado, mas acompanha!. A mão nas costas não está ali pra repousar não, tá ali pra puxar a dama pra si, puxar mesmo. O corpo junto não é só porque é legal transpirar junto não, é pra empurrar a dama, pra ela sentir o que o cara vai fazer, se vai pra direita ou pra esquerda. A perna dele, entre as pernas dela, não tem outra utilidade (não mesmo!) senão dar suporte para a dama e guiar a perna dela. Puxa, empurra, apóia. Nas palavras do professor, pra dançar forró o cara tem que ser "cabra-macho", pegar a menina com vontade, ter percepção do salão, guiar mesmo! E isso meu filho, homem com "pegada", tava difícil, põe difícil nisso. Aí, imagina, o cara vem dançar comigo, não conduz nada, fica ali junto, sem atitude, e ainda vem com xaveco furado no meu ouvido, não dá! Conduzo eu! E isso não deu certo, estava quase convencida que forró, só se for separado, que essa dança não era pra mim. Mas aí, veio um cara que conduzia bem, tinha pegada, nooooossa, é muito legal dançar forró!!! Quero aprender mais, agora, mas só se for pra dançar com alguém assim.

Fazendo um paralelo, acho que isso de não ter atitude, não é uma deficiência masculina no forró especificamente. Estou quase certa que o que está faltando no mercado não é homem. É homem com atitude, que sabe o que quer, pra onde ir, que chega na moça, confiante. Não tem nada a ver com timidez isso que estou falando. Eu posso ser tímida como uma porta, mas se um cara me pergunta se eu quero dançar eu sei se quero ou não. Mesma coisa, o cara pode ser tímido como uma porta, pode não ter coragem de chegar e puxar a menina pra dançar, mas ele tem que saber se quer dançar com ela ou não, senão fica difícil! E nem adianta dizer que a culpa é das mulheres, que com a liberação sexual, chegam junto, são elas que chamam pra sair, pra dançar, que dão em cima e coisas assim. Nem vem, as mulheres evoluíram? Evolua também. Essa "atitude" que tá faltando nos homens, está relacionada com a sinceridade. Tem muito cara por aí que é um com os amigos e outro com a namorada, e não me refiro a pronome de tratamento não. O cara ama sorvete de morango, e quando sai com a namorada e ela pergunta sorvete do quê, ele responde: você escolhe, amor. Se fosse com os amigos, o cara dizia morango, e ainda aguentava o amigo dizendo, ele quer o rosa, moça. Verdade, eu já vi.

Saí com um cara uma vez que no cinema, você escolhe. Na praça de alimentação, tanto faz, escolhe você. E toda hora, perguntava, você acha que rola da gente ficar? Não fazia nada, nem um passo, só perguntava, vc acha que rola da gente ficar? O tempo todo. No cinema, eu levantei o braço que separa as cadeiras, e ele abaixou, pôs o refrigerante e perguntou, de novo, vc acha que rola da gente ficar? Fala sério! O que ele queria que eu fizesse, agarrasse ele? Isso que eu nem comentei que, pela internet, o indivíduo adorava cinema e gostava de teatro, ao vivo, nem gosto de cinema e odeio teatro. É, a internet não faz milagres, e homem com atitude, tá difícil.

Mas eu não sou feminista não, mulher com atitude também anda em falta, eu sei. Só não vou relatar muito, porque não sou muito fã de mulher não, tenho amigas é verdade, mas depois de passar 4 anos estudando com 38 seres do sexo feminino, a gente fica um pouco alérgico ao gênero. Só falei pra concluir que falta gente com atitude, e nessa de faltar gente com atitude, as pessoas tendem a se fechar. POrque mais difícil do que duas pessoas com personalidade própria se entenderem, e concordarem, é ficar muito tempo com alguém que não tem opinião própria, não tem sonhos, objetivos, alguém que o que vier tá bom, tanto faz, o que vc escolher tá ótimo, alguém que só vai se alguém deixar, que só faz se Deus quizer, que espera acontecer. Não sei o resto do mundo, mas pessoas assim, que até pra falar parecem que estão pedindo permissão, me enervam profundamente.

Por isso, quero acabar com os meus limites, aprender a dançar mesmo, me jogar de cabeça na faculdade. Porque quero ter o direito de escolher, por excelência. Aliás, eu já tenho esse direito. Quero apenas ter o critério.

Um conselho para os moços, se você tem atitude, não precisa ficar com conversa fiada no meu ouvido, que além de me desconcentrar e eu não entender nada, só vai me fazer não perder a oportunidade de te mandar passear. Se você tem atitude, basta dançar, e pronto. Aliás, se eu vou numa aula de forró, adivinha a única coisa que estou procurando, seria... dançar?

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domingo, enero 11, 2004

MADRUGADA

São duas da manhã. Estou em frente ao computador, com sono, na minha casa. Quando eu digo casa, refiro-me a casa do meu pai, para onde voltarei, em no máximo, três meses. Não vai ser exatamente nesse espaço físico, e, exigência irreversível da minha pessoa, eu terei um quarto só pra mim. A história é comprida, não vou explicar. O que interessa é que, depois de um ano morando sozinha, voltarei a morar com outros seres humanos. Meus irmão, meu pai e minha madrasta mais propriamente.

Também tem a faculdade. As aulas começam dia 09. É, antes tem o resultado da FATEC, mas eu tenho quase certeza que não passei. Fui muito mal na prova, acordei tarde naquele dia, fiz a bendita prova quase em jejum e ainda num calor tenebroso. Tudo isso aliado ao fato de que acho que não quero fazer Processamento de Dados (favor não perguntar porque eu prestei). Não passei, e se passei, não tenho nem idéia de como vou dizer para o meu pai que não vou fazer. Já escolhi. Filosofia mesmo. Hoje me pergunto, se eu queria filosofia porque não prestei isso na FUVEST? Meu amigo me disse para pedir transferência no meio do ano. Não vou pedir. Motivos? 1) Quero muito fazer USP, mas quero passar no vestibular, receber trote, fazer primeiro ano com todo mundo. 2) Acho que vai ser muito complicado.

E tem o horário. Fiquei sabendo agora, as aulas começam as 18:50h. Sabe o que isso significa? Que, provavelmente, eu tenha que trabalhar no período da manhã até conseguir trocar de emprego. Ou seja, Trinity terá que dormir tarde e acordar cedo. Fim das sessões de 10, 12 horas de sono. Nada mais de atender telefone as 11 da manhã e responder que acordou agora. Significa também que não dá nem pra pensar na permuta para o Cepol. Esquece. A escala é boa, mas imagino que faculdade não é o tipo de coisa que dê pra faltar 1 vez por semana. Continuaremos por lá, onde estamos, então. Ou mudaremos para onde o chefe puder me encaixar nesse horário.

Tem também o lance da solidão e da carência, mas isso não vou nem comentar, que já tá ficando meio batido e nem eu aguento mais pensar nisso. Encarando de frente, a verdade é que estou sozinha porque eu quero, afinal, bastaria fazer cara de ahn?, e de repente eu teria um namorado mané ou babão, daqueles que fazem de tudo pela namorada, principalmente chifre, grudam no seu pé, ficam com você só pra contar vantagens pros amigos, e eu poderia ficar com esse cara só pra não ficar sozinha. Não quero me gabar, mas eu poderia fazer isso sim, tem tanto cara com aquele papo de "vc vem sempre aqui" dando sopa, existe a possibilidade, e eu sei ser cruel. Mas não, eu escolhi ser sincera, escolhi ser do jeito que sou, escolhi não ser uma garota chata (e modesta), escolhi não ficar com alguém só pra não ficar sozinha e quero realmente viver uma grande história, com sentimentos profundos, vibrantes, daqueles que fazem a gente ficar sem ar, com cara de bobo e tudo. E não quero, não mesmo, um Zé Mané. Em resumo, escolhi ser romântica, do meu jeito, mas romântica. E eu devo arcar com as consequências da minha escolha!. Então, chega de reclamar.

Ah, e devo aconsiderar que estou em convalescença, e sentindo melhoras significativas. É, estamos caminhando.

Coloca tudo isso num caldeirão, adicione alguns outros detalhezinhos, pitadas de prazos, datas e eventos, misture bem, coloque em fogo brando, daqueles que nem esquentam nem esfriam, e vai dar pra ter uma noção de como está meu estômago ultimamente, porque é isso que eu tenho comido, do café da manhã ao jantar, há alguns dias. Não sei precisar quando foi a primeira vez que comi esse refogado, mas já estou enjoando dele.

Chega, melhor ir dormir. Não, deixa eu falar uma coisa. Eu queria, não, não queria, mas queria querer ser como algumas pessoas, que conseguem parar de pensar numa coisa. Não sei se tem alguém que é assim, mas imagino como seria legal, conseguir pensar, escrever sobre outra coisa. Mas, que idiotice, até gosto de ser assim, eu sou meio intensa, sabia? Não estou falando só porque leio isso sobre os nativos de áries, ou do signo de galo, nem porque a minha numerologia (na qual não acreditava muito até começar a perceber detalhes numerológicos nos boletins de ocorrência) diz isso também, é porque eu sou e gosto de ser intensa, nem que seja por um segundo.

Uma pergunta simples, quando você está triste, vc gosta de ouvir músicas alegres ou músicas tristes? Eu gosto de ouvir as tristes, quanto mais melhor. E quando estou alegre, gosto das alegres, porque me identifico. Passei a tarde ouvindo Ney Matogrosso, Marisa Monte e umas duas vezes A Tempestade da Legião. Acabei não indo no cinema ver o Senhor dos Anéis 3 porque não estava no espírito. Estranho, essa constatação me deixou meio alegre. Isso, de ser intensa, de repente é uma característica que teimo em deixar na lista das qualidades. Quando assisto um trailer de um filme, sinto como se já estivesse vendo o filme, a Scully, que já foi no cinema comigo, sabe o mico que é a minha companhia em situações assim. No senhor dos anéis 2, quando os elfos entram na guerra, eu levantei, pulei da cadeira. Curtir um filme assim, me faz um bem danado.

É, acho que foi por eu me permitir ficar esses dias assim, triste, parada, profundamente, enchendo o blog, a minha agenda e os meus bloquinhos de textos com a mesma falação, a mesma reclamação, os mesmo sentimentos, de ficar dia e noite pensando na mesma coisa, em como sair dessa, em como dói, no que vou fazer da vida, experimentando minha primeira noite de insônia - sim, eu tive, de sentir sono, de querer dormir e não conseguir, e ainda contei com a colaboração da vizinha de cima, que resolveu mudar os móveis de lugar durante a madruga, e de salto alto, porque eu ouvia cada passo - chegando tarde no DP, sorrindo para qualquer som emitido por qualquer humano naquele lugar, deixando a bagunça se acumular no ap, deixando os papéis formarem pilhas na minha escrivaninha, esquecendo de pagar o aluguel de novo, e outras coisas assim, acho que por tudo isso, sinto a esperança, os planos, brotando novamente aqui dentro.

Claro que não estou com aquele fogo todo, mas sinto vontade de dormir, e acordar amanhã, brincar com o cachorro, sair. Até estou um pouco empolgada com a faculdade! Mas ainda posso ficar mais, e é o que eu quero, ver a minha intensidade, que gosta tanto de ser instantânea, sendo democrática e servindo para tanto para o alto como para o baixo.

Nossa, escrever me faz bem. Agora sim, vou dormir.

Comments: postado por: Romy Trinity2:20 AM


viernes, enero 09, 2004

ENQUANTO ISSO...

Deixe-me usar outra palavra... Não vou dizer que estou deprimida, porque não é isso, também não é fossa, mal-de-corno, carência, nem crise existencial. Não, acho que crise existencial é também, porque isso eu tenho sempre. Mas fora isso, é uma tristeza pesada, uma ausência de esperança, de entusiasmo. Eu não sinto vontade de respirar e o ar não me invade. É um parado profundo. Vivo, respiro, ando, como, durmo, trabalho, sem saber muito bem onde, como, quando ou por quê.

Já tentei tudo que eu sabia. Incenso de cravo, de mirra, de elementos do fogo, do signo de áries. Fui na livraria e li um monte de coisas sobre o meu signo (isso sempre funciona), mas o efeito tem sido instantâneo - antes de chegar em casa, já passou. Comprei essência de hortelã e pitanga, melhorar vibrações e animar a alma. Só serviu pra deixar a casa cheirosa. Arrumei o apartamento. Deixei bagunçado. Escrevi texto de fúria no blog. Escrevi com todas as letras os motivos que poderiam ser os causadores, na minha agenda. Tomei decisões. Estabeleci metas. Fiz o que me deu na telha. Troquei de celular. Aceitei convites dos amigos pra sair. Fui no cinema. Fui pra casa do meu pai mais vezes. Brinquei com a minha cachorra. Fiz tudo, só não li um livro da Marion, nem do Harry Potter, porque isso seria fuga e não solução. Nada adiantou. A sensação não passa. O entusiasmo não vem.

Não era pra ser assim, eu acho. Pelo menos, nunca foi. Todo começo de ano, eu sou o entusiasmo em pessoa! Cheia de planos, correndo pra lá e pra cá, chego a ficar insuportável de tão feliz. E era pra eu estar assim agora! Que injusto! Nem raiva eu consigo sentir! Há uma semana do casamento da minha prima, a primeira da minha geração que vai casar, há 30 dias do início das aulas na faculdade, há dois dias para a primeira aula de forró, em plena sexta-feira, eu não sinto nada. Expectativa, alegria, ansiedade, nada. Nem consigo ficar alegre porque uma das minhas melhores amigas passou no Mackenzie e tem chances reais de passar na FUVEST (parabéns, Cris!!!). O que está acontecendo comigo?

Já fiz tudo, já disse. O jeito é não me preocupar. E ir levando. Deixando que a agenda se cumpra. O tempo cura, não cura? Mas curar o quê, se não está doendo? Se eu nem sei se estou ferida? O jeito é ir levando. Amanhã pego os documentos para a matrícula. Domingo vou pra aula de forró. Segunda faço a matrícula. Terça inscrição no concurso. E a semana passa. O tempo passa. Mas até quando? Até quando eu vou ficar assim, insensível, sem vontade?

Sabe como é? É como li no Feliz Ano Velho e no Minha Profissão é andar. Depois do acidente, na recuperação, o médico vem com agulhas. Ele espeta a agulha no pé, na perna e vai subindo e perguntando se o paciente sente a espetada, e pede pra ele dar uma nota. É, eu me vejo como o paciente, e sou também o médico, e pergunto. Sente aí? E agora? Nada?

- Você acha que eu tenho recuperação doutor?
- Tem, claro que tem, não há motivo pra não sentir. Houve choque traumático recentemente?
- Não, não que eu me lembre.
- Algum sintoma antes? Algum apagão?
- Não, doutor, nada.
- Bom, então deve ser fadiga de alguma terminação nervsa. Ou... não, é muito raro, não pode ser, hummmmm...

- O quê doutor, fala! Tem cura? Eu vou ficar assim pra sempre? Insensível, e depois vou começar a engordar, a achar a vida chata, sem graça e inevitável, vou parar de querer viajar, vou comprar uma casa, casar e ter filhos??? Ah não, doutor, eu não vou aguentar, por favor, diz que tem tratamento, fisioterapia, radioterapia, quimioterapia que seja. Desculpe, pode falar, eu sou forte, eu aguento, fala, o que eu tenho? Tem cura?

- Pode ser, mas é só uma hipótese, nunca vi acontecer, mas também sou novo, nem me formei ainda. Pode ser, é só uma hipótese, que isso tenha sido causado por uma série de pequenos choques, aparentemente sem ligação nenhuma e não necessariamente no mesmo lugar. Bom, o organismo absorve, evitando uma lesão grave no tecido, mas mesmo assim há um dano, pequeno, mas há, então, pode ser que um evento insignificante, tenha desestruturado tudo, e o próprio organismo está tentando se recompor. Acredito que não seja grave. E com certeza não é permanente.

- Mas, doutor, o senhor me desculpe, mas quanto tempo isso demora? Sabe como é, eu sou nova, tenho uns projetos pela frente, não posso ficar esperando indefinidamente por uma melhora. Eu sei que velhice não existe, mas o senhor há de convir que é bem mais seguro viajar nos desertos do Egito, visitar pirâmides, pular de pára-quedas aos 25 do que aos 95, né? Se o senhor pudesse me dar uma previsão, pelo menos eu teria algo com que contar pra sair dessa. Seria uma luz pra mim, doutor.

- É, os pacientes nem sempre sao pacientes, sempre querem uma data para estarem curados. Infelizmente, não é assim. Cada organismo reage de uma forma. Pode ser que vc acorde amanhã, boa, pulando na cama, pronta pra outra, mas também pode ser, que passe dias, semanas, meses. Ano até. Não tenho como prever. Sinto muito. Vc vai ter que se dedicar a sair dessa.

- Sem tratamento??? Nenhum remedinho? Terapia? Umas gotas pela manhã, uns comprimidos pela tarde. Nada? Só porque esse negócio começou sozinho eu vou ter que esperar que passe sozinho? Ah não! Péra aê, pra que serve a Medicina então? Pra dizer que a gente tá doente?! Obrigada, eu já sabia antes de vir aqui! Por isso que o mundo está desse jeito! Ai, meu Deus, eu vou morrer inanimada, ai, o que será de mim... Desculpe, doutor, qual é mesmo o tratamento?

- Tudo bem, o desespero faz parte do processo de cura, demonstra que você quer melhorar. Tudo bem. Seque as lágrimas, vamos com calma, ou melhor, vc é ariana né, vamos rápido. Não tem remédio, no sentido literal da palavra, mas vc deve seguir as instruções como se estivesse tomando. Nada de fumar. Bom, vc não fuma mesmo, próximo tópico. Nada de beber. Isso de beber só um pouquinho só vai piorar a situação, vc não vai ficar alegre e com dor de cabeça e de estômago, se for beber, tome um porre, daqueles bem tomados, mas como eu sou médico, não posso te recomendar isso, então, nada de beber. A medicina evoluiu em alguns aspectos, por isso, não vou recomendar repouso. De nada vai adiantar vc ficar em casa, deitada, olhando para as paredes, assistindo TV e xingando a minha mãe. Movimente-se. Vá dançar, assista filmes, peças, caminhe, exercite-se, saia com os amigos. Em relação aos amigos, eu te aconselho a não aceitar convites por eduçação, sabe aquela pessoa que foi uma grande amiga sua, um dia, mas hoje não tem mais nada a ver? Então, recuse convites por educação, aproveite que vc não está sentindo nada mesmo, e diga não. Outra coisa, não recomento flashback. Não faça essa cara, vc entendeu muito bem o que eu quero dizer. Nada de flashback ou de ficar com alguém só porque não tem nada melhor pra fazer, viu. Fique porque o cara é lindo, é engraçado, ou porque beija bem, mas não porque tanto faz, que isso vai piorar muito o seu quadro.

- Estou anotando, pode falar mais, vou seguir tudo a risca doutor, que eu quero sarar.

- Duas últimas coisas, tire férias. Quinze dias que sejam, tire férias, e nessas férias, vá viajar. Tirar férias e ficar em casa aguentado todo mundo falado na sua cabeça não vai ajudar muito, aliás vai atrapalhar. Vá viajar com o namorado!

- Mas eu não tenho namorado...

- Então vá sozinha! Faça uma viagem para onde vc tenha bastante atividade, pode ser um final de semana só, o tempo é relativo, conheça gente, exercite sua liberdade, vença desafios. E lembre-se de ir a um lugar onde ninguém mais vá, se vc for com um grupo. Faça sua própria descoberta. Combinado?

- Tá certo, vou cumprir suas recomendações, doutor. Qual a outra coisa? O senhor disse que tinha duas...

- Ah, é, volte aqui em quinze dias pra gente fazer outra avaliação.

- Claro, claro, obrigada doutor, muito obrigada. Obrigada mesmo. Tudo de bom para o senhor.

- Imagina, é só a minha obrigação. Não se esqueça de acertar com a secretária na saída. Alimente-se bem e siga o que eu te disse, e logo logo você estará boa de novo. Até logo!

O jeito é tentar fazer o que o médico recomendou, e se não der certo, bom, pelo menos eu tentei. Acho que estou até sentindo um pouco de ansiedade, ai, será que é o início da cura?!

Comments: postado por: Romy Trinity7:19 PM


martes, enero 06, 2004

MOMENTO INJÚRIA

Tava demorando pra começar os momentos injúria do ano. Já vou avisando que como estou de mal humor, serei levemente mal educada e vou criticar mesmo, e não me venham com essa de preconceito.

A gota foi o meu chefe vim me dizer que o delegado perguntou se eu cheguei as duas horas ontem! É verdade que cheguei atrasada, eu entro às 12:00 e cheguei as 13:00, mas isso não contraria nenhuma lei. O que contraria lei é alguém trabalhar 8 horas sem hora de almoço, então, pelos meus cálculos, se eu entro as 12, saio as 20h, devo ter, no mínimo, uma hora de almoço, logo, posso chegar à uma, e eu não cheguei às duas horas, ele não pode me dar bronca por algo que eu não fiz! Agora perguntar a que horas eu saí, isso ele não pergunta, porque sabe que vou responder 20h30. E se eu não fico até essa hora, ou se alguma coisa sai errado, lá vem o Datena, falando que tem corpo abandonado desde não sei que hora, e o telefone toca, e o fim do mundo é perto de onde vão me mandar. E tem mais, se eu fosse da chefia, e somente nesse caso caberia ao referido delega perguntar a que horas eu chego, meu horário seria das 09 as 17, com direito a almoço, e eu não teria que quebrar a cabeça e fazer cara de pedinte pra poder fazer faculdade. O horário que eu faço, e o meu nome, é vinculado ao plantão, ou seja, meu superior é a autoridade de plantão, que sabe que se for preciso eu fico até a meia noite.

Depois tenho que aguentar perguntas do tipo, "porque vc quer sair?" ou "na sua idade, com um emprego desses eu tava feito" ou pior "não vai pensando que só porque deu sorte em passar num concurso público que é fácil passar em qualquer um não", "isso não é fácil, direito é difícil, eu estudei mil anos para auxiliar de não sei o quê e não passei, lei é muito difícil, tem muito adevogado fazendo esses concursos também", "não é bom ficar pulando de um emprego pra outro não, o bom é se estabilizar e seguir a vida". Quer saber? Vá para a putaqueopariu!!! Foda-se e não me encha o saco!

O ideal para mim seria que alguém me pagasse pra estudar e viajar. Você se habilita? Ou então trabalhar de qualquer coisa na equipe que faz aqueles programas tipo Tribos e Trilhas ou Mochilão MTV. Trabalho até de graça ali. Tem vaga? Fora isso, o que eu quero mesmo é ser médica. É, médica de hospital, pronto socorro mesmo. Porque eu adoro trabalhar com pessoas, não tenho dó de gente, poderei dar uma bronca por dia, fazer minhas viagens, ter o estilo de vida simples sem incomodar ninguém, e ainda farei minha parte para ajudar o próximo e fazer do mundo um lugar melhor. Só que para ser médica tenho que fazer medicina, e pra fazer medicina tenho que ter grana e tempo, que a faculdade é no período integral e trabalhar fica um pouco complicado. Claro que estou planejando cursar em faculdade pública, porque na particular, só com megasena, além do quê, a única particular que me interessa é a Santa Casa, e se for pra passar na FUVEST, então faço USP, lógico.

Então, enquanto não junto a grana pra largar tudo e só estudar, mais a grana para algumas viagens para lugares que estão sumindo, tipo Macchu Picchu, o jeito é trabalhar com coisas que me estressem o menos possível. E delegatite me estressa demais. Aliás, a síndrome do "sou polícia pra caramba" acaba com meu dia. Deixo registrado que o valor profissional é igual para todas as profissões, tão importante quanto um policial, é um médico, um professor, um lixeiro ou um auxiliar de necrópsia. Então não venha esfregar o seu distintivo na minha cara, porque mesmo que eu não tivesse um igual, não me faz diferença nenhuma. E, outra coisa, grande merda vc ter uma arma, eu não tenho e me sinto muito mais segura do que se tivesse. E falo com conhecimento de causa, porque o que morre de gente com a própria arma não está no gibi. Não fico, não mesmo, mais do que três anos no mesmo trabalho. Não fico e pronto. Não deveria ficar nem dois, quanto mais três. Pra quê? Pra daqui a 8 anos falar, com ar de superioridae, eu tenho dez anos de casa? Pra ficar gorda esperando a aposentadoria? Vendo as mesmas coisas, os mesmo absurdos, e achando que toda mudança é ruim? Não, obrigada, estou pulando fora. Minha carreira é o teatro e a medicina, carreiras nas quais não quero ser a mais famosa ou a mais rica, quero apenas fazer o melhor e com o maior prazer. Simples assim. E passar bem!

E por falar em passar, enquanto meu parceiro está de férias, faço esse horário maluco todos os dias, e todos os dias passo, de ônibus, que se estivesse a pé jogava pedra, em frente à nova Sede Mundial da Igreja Deus é Amor, fundada pelo Miss. (alguém sabe o que significa Miss? Para mim é senhorita em inglês) Davi Miranda, em não sei quando de 1974 e inaugurada em 01-01-2004, segundo inúmeras placas distribuídas pelo local. O humilde templo de adoração ao Senhor, é maior que um shopping, com escadarias imensas, janelas de vidro, várias bandeiras na porta, e várias entradas. A antiga sede, que é quase do lado, está sendo desativada. Cabe constar que a outra sede não era pequena, parecia uma estação de trem, daquelas de filme. O que me irrita nisso tudo?

Adivinhe você. A frase "Deus é Amor" não está em evidência, as faixas estão dispostas de forma que o que mais se ressalta é a frase " Igreja Fundada por Miss Davi Miranda". Em frente ao megatemplo tem uma pequena favela feita de tábuas velhas, cheia de crianças. Fica perto da Av. do Estado, ou seja, quando tiver reunião ali, vai ser uma confusão total, como se pode perceber no dia 31/12, porque os fiéis vão em ônibus fretados, já imaginou né. O lugar fica perto de algumas fábricas, o que significa que ali é um lugar onde sempre tem desempregados procurando colocação. Resumindo, a cena é das mais tristes e trágicas, o redor do lugar onde teoricamente se louva a um Deus que é Amor, é um lugar povoado por crianças famintas, rostos desolados e olhares tristonhos. Chega a ser um afronte. Um ascinte mesmo. Sempre que passo ali, lembro da passagem que Jesus chuta umas mesas num templo. Eu, se fosse esse tal Miss, teria vergonha de construir um lugar assim. E se eu fosse Deus, na primeira chuvinha, aproveitava os fios de alta tensão que tem ali e botava fogo. Acabava com tudo. Ainda tem mais, parece que um pastor, no culto de inauguração pediu doações de mil reais. Se alguém se habilitar, favor me mandar um e-mail e eu enviarei o número da conta, a minha, claro. E na porta da antiga sede, tem um cartaz com os dizeres "Quem dá com alegria, alegra o Senhor", ou algo parecido, e tem a indicação de onde está escrito isso na Bíblia. Nem vou escrever meu herege pensamento sobre a frase. Mas o fim da picada é que o lugar tem seguranças, alguém me diz, pra que seguranças na casa de Deus??? E quem vai roubar a casa, com o "dono" que tem??? E vai roubar o quê???

Desculpe, não é uma questão de religião, é uma questão de simancol mesmo. Eu, que não tenho nada a ver com isso, que nunca dei um real para a construção do lugar, que nem sou daquela religião, aliás, vivo sendo perseguida pelos tais fiéis, que estou mais para pagã que para cristã, morro de vergonha por um homem ter construído aquilo. Acho que, sendo possível, não ia conseguir nem olhar para a cara de Deus, se ele me perguntasse que lugar era aquele. Como eles têm coragem, meu Deus, como?

Não dá. Pra mim chega. Eu fico no próximo ponto, por favor.

PS: "Conste nos autos que não estou reclamando da vida, apenas externando sentimentos pertinentes à situação absurda em que vivemos, onde nem estar insatisfeito é permitido." Imprima-se, reproduza-se e faça ser engolido, pelos meios normais ou não, em quem encher o saco.

PS2: Êba, o mal humor passou! Desculpem os palavrões e as vibrações negativas que porventura tenham sido enviadas via internet. Lalala, lalala, lalala...

Comments: postado por: Romy Trinity4:53 PM


domingo, enero 04, 2004

EL LIBRO DE HOY, DE NUESTRAS VIDAS

É com estranha reverência que contemplo a página em branco deste editor de textos. Tenho consciência de que, como disse o bloggerman, embora a idéia tenha sido originalmente minha também, o ano que começa é uma página em branco. Esta consciência se estende de tal forma que me permite saber, racionalizar, embora talvez não seja o aceitável, que a página, por estar em branco não tem responsabilidade alguma sobre, e sob, as superstições, presságios e sensações que cercam o nascimento de um novo período. Convenhamos pessoas, o ano novo é algo 100% inventado, algo assim como um acordo entre uma grande parte da humanidade. Vamos todos, juntos, virar uma página? E todos viram a página e soltam fogos.

Não estou diminuindo a importância desse ritual moderno. Longe de mim, que adoro o ano novo, a novidade, os fogos, a simples idéia de mudança. Digamos apenas que estou numa fase racional, que logo passa. Passa e volta. Agora passou, agora voltou. Passou de novo. O meu ano novo só depende de mim, e tanto quanto esperançosa essa afirmação pode ser, mais assustadora me parece. Sim, porque a página estava em branco e eu poderia escrever um conto triste, um poema de amor, uma piada leve, uma piada suja, um código de leis ou um conto erótico. Eu poderia escrever o que quisesse, e desafio alguém que me prove que o texto hora escrito tem outra responsabilidade, alternativa, outro rumo inevitável senão ao que eu o destino. Olho e vejo um prisma, que mostra as cores do arco íris e as várias faces de uma só paisagem. É algo excitante, assustador, delicioso. É como beijo de língua, é sempre a mesma coisa, mas de repente, sem explicação plausível alguma, há um que é melhor que outro, mesmo que esse outro não tenha sido de todo mau. Por mais que eu tente entender, como funciona, qual a graça, porque foi bom ou não, qual o segredo, não encontro explicação. É, acho que é isso, o ano novo, é um beijo que eu só vou saber se foi bom quando acabar e tiver passado um tempo.

Numa comparação mais branda, voltemos ás páginas em branco. Pois bem, deste caderno com cheiro de novo, 2004, quatro folhas foram viradas. Não sei se as preenchi bem, mas me esforcei para que nenhuma fosse virada em branco. Em cada uma, há pelo menos uma nota. No dia 1º almoço na casa da minha avó, pensamentos sobre o futuro. No dia 2 encontro com amigos no aeropoto, a idéia do curta, a certeza da viagem. Na terceira folha, festinha de criança, com destaque à conversa com a Scully no carro, e o agradecimento a Deus por ter pelo menos uma amiga para compartilhar aspectos tão delicados em nossas vidas. E hoje, o 4º dia, domingo de sol com a família, com direito a indagações sobre o futuro no fim. Sim, estou empenhada em fazer deste, um ano recheado. E para que esse empenho fique claro, reescrevo as metas, em prosa no outro post e agora em lista, para que seja mais fácil visualizá-las e cumpri-las. Porque o passado está aí para que se possa usar dele o que melhor nos servir, sem cair nos mesmo buracos. Porque ser diferente só por ser diferente não me parece tão empolgante, quanto simplesmente ser o que se é, sem se preocupar se é diferente, igual ou parecido com todo mundo. Porque "se eu for ligar, pro que é que vão falar não faço nada". E porque, como diz numa música, dos velhos tempos, "não perder uma só chance, o presente é grande e o futuro nunca vai chegar."

* Fazer a faculdade direito
* Perder cindo quilos
* Ter uma alimentação o mais saudável possível
* Aprender a nadar
* Aprender a dançar
* Aprender a tocar violão
* Arrumar meu violão
* Tocar mais teclado
* Comprar um teclado
* Ajudar meu pai a comprar a casa
* Ler muito
* Viajar bastante
* Ir mais ao cinema e ao teatro
* Cuidar de um gatinho
* Comprar um carro
* Trocar de trabalho
* Começar o planejamento da viagem ao Perú.
* Beijar alguém de quem eu goste muito, e se não der, beijar muito mesmo assim
* Tirar a verruga que incomoda o mundo
* Me apaixonar mais por mais que um dia e até, quem sabe, namorar.


Isso não é tudo que eu quero fazer em 2004, é só o mínimo, mesmo sabendo que muitos ítens dependem de outros fatores, isso não me impede de querê-los.

Então, é isso. Vou virar mais uma página, ir dormir e acordar para o próximo capítulo, porque adoro o cheiro de material escolar novinho...

Comments: postado por: Romy Trinity10:14 PM



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