Tradução

Este é o meu espaço livre na MATRIX, onde posso depositar as emoções (e ilusões) da (minha) vida e brincar de jornalista, crítica, prêmio nobel da literatura... Escrevo não só por necessidade, mas também para entender o porquê, dela, de pensar o tempo todo, e de tantas palavras, tantos textos nascidos semi-prontos pedindo para gritar. E aí, quem sabe, alguém lê e me explica por que eu, e não só eu, com medo de ser decifrada, preciso tanto de tradução.



sábado, febrero 28, 2004

SURTO PSICÓTICO - PARTE II

Tudo bem, eu admito, tá difícil de me controlar. Eu quero escrever, escrever, escrever... Mas quer saber? É meu direito. Vou estourar os 10 mega da globo em texto. Sorte deles que conseguem deletar meu blog. Eu nao consigo deletar minha mente.

Comments: postado por: Romy Trinity4:43 PM


LIVRE

Entre os dois no metrô. Um, belo, jovem e porco. O outro belo, não tão jovem e descortês. Um, nazista, mas que admite a possibilidade da outra opinião, de ser bom pra alguém o que não é bom pra ele. Um nazista livre. O outro não é nazista, mas acredita que não se pode dar liberdade demais. E quer por fogo no que não é bom pra ele, e logo, não deve ser bom pra ninguém. Um eu só fui perceber a existência depois de cinco dias de aula. Um, como eu, é um na classe, outro fora dela. Um, como eu, não sabe muito bem o que está fazendo ali, mas não quer dar motivos para os pais encherem o saco. Outro, eu percebi já no segundo dia. Outro, é na classe um pouco diferente do que é fora dela, mas não muito. Outro está ali porque sabe, ou pensa que sabe, que é o que quer fazer. Outro ama o trabalho, e quer tirar o máximo de proveito da faculdade. Outro é prestativo. Um é alto e tem o sorriso mais lindo que eu vi nos últimos meses. Outro é lindo normalmente, e quando sorri não se torna mais bonito. Menos até. Um me vê, ou me trata pelo menos, como uma igual, um ser pensante que pode ou não ter as mesmas idéias que ele. Um me trata como um guerreiro trata uma amazona, com igualdade, sem esquecer que são diferentes. Outro me trata como uma mulher que não é bonita. Mulher, ser que não sabe como é legal ser homem, e nem táo bonita que valha ser legal. Outro me trata como um cavalheiro trata uma amazona. Um tem maus hábitos, mas tem um jeito doce de falar as coisas, falando foda-se como quem diz por mim tudo bem se vc pensa assim, mas pra mim isso não faz diferença, vamos falar de outra coisa. Outro tem um jeito rude de falar as coisas, falando isso é uma droga, como quem diz eu sei do que estou falando e estou com a razão, isso não serve pra mim e se vc não concorda não posso fazer nada, vou falar com outra pessoa.

Éramos quatro pessoas, depois do bar na saída da faculdade, loucos para urinar. Um disse que não aguentava mais e hidratou a verde grama do metrô. Outro disse que estava com pressa e não ia nos esperar. Eu pedi ao meu corpo quinze minutos, e ele me cedeu. Enquanto caminhavámos eu, um e um outro que não era o outro de que falamos, conversávamos animadamente, não sei sobre o quê. Encontramos o outro na plataforma, reclamando que o trem não vinha e que se soubesse teria feito o mesmo que um. Então, aquele terceiro disse em tom de brincadeira que podia fazer ali mesmo. E o outro perguntou se por acaso acertaria o trem que passava depois do trilho, depois do muro. Eu tonta, burra, inocente, disse que não. E ele perguntou como você sabe, com olhos de você não sabe o que está falando. Eu disse que pela altura (óbvio), ficando vermelha no segundo seguinte ao perceber o duplo sentido que aquilo provocava. O terceiro, disse que sim, se ele fizesse num saco e atirasse por cima. Um sorriu, divertido. Outro também, vitorioso. Eu ia dizer que mesmo assim era improvável, mas sorri também. Falamos de vinho. Um permanceu calado. Outro falava que o pior do vinho era a ressaca que acabava com o estômago e sempre vinha com vômito. Eu falei que nunca tive ressaca de vinho, embora já tivesse tomado uma garrafa inteira. Um falou eu também. Outro fez cara de é mentira. No metrô, todos de pé em frente a porta. Um sorria. Outro reclamava. Sé, um e o terceiro desceram. Outro ficou, uma estação apenas, menos de três minutos. De silêncio. Tchau, até segunda.

Hoje, faço um balanço e me declaro livre. De um não quero ser mais do que amiga. Colorida quem sabe, mas amiga. Do outro, não mais que colega de faculdade. Branco e preto mesmo. O engraçado é que no um, desde o primeiro momento, eu enxerguei um cara legal e me dispus a conhecê-lo. E do outro, desde o primeiro momento, enxerguei, temerosa, um possível amor platônico, lamentando não ter me libertado disso e me dispus a suportar a dor de apenas cumprimentá-lo. Graças a Deus, ele, o próprio outro, finalmente me libertou, e agora sim, finalmente, estou livre de um rótulo que eu tinha criado para mim mesma.

E estou livre para amar, de verdade.

Comments: postado por: Romy Trinity4:41 PM


FERIDA

Eu me sinto sangrando. Nunca sangrei até a morte, lógico, mas li sobre isso. Quase todas as minhas frases são assim. Nunca, mas li. Tanta coisa que eu queria dizer, nunca li, mas fiz, e não digo. Começa a ferida. Como um corte lento na carne branca. A ferida vai se prolongando. O próxima centímetro é a sinceridade. Minha sinceridade se encaixa perfeitamente num conceito pré-socrático. Ela não é, ela vem a ser. Ela devém. Eu sou sincera, mas não sou. Sinceramente não sou sincera. Fingindo mentir abuso da sinceridade. Pólos invertidos causaram um curto circuito em mim. A astrologia me atribui a sinceridade cruel ao mesmo tempo que assume minha infedelidade.

Tanto anseio por palavras, que temo ficar sem nenhuma, porque elas já me faltam. Por exemplo para explicar isso de verdade e mentira. Passo horas tentando explicar isso para mim mesma. Ás vezes eu compreendo além das palavras, mas não sempre. É assim: eu minto, minto muito, quase patologicamente. Sem perceber, lá vai uma mentirinha. Mas não me esforço em sustentar a mentira. É apenas uma mentira, não uma farsa. A mentira esconde minha indecisão e me dá a fama de pioneira. E não é verdade, mas ocorre que as vezes uma mentira se torna verdade, e eu fico sem saber se se tornou verdade porque enunciei a mentira ou se já era verdade e eu não sabia. Não sou sincera comigo sempre, porque sou passional e saber o que é é relativo demais. Não sou sincera com os outros sempre, mas não premedito o momento.

Eu gosto da luta, gosto da guerra, das armas, das competições, dos jogos dos homens. Sim eu gosto, como quem degusta um pedaço saboroso de carne. Mas eu não gosto da crueldade. Admiro a honra, abomino a humilhação. Não gosto dessa morte, desse tipo de morte. O que não significa que eu não goste da morte. Sim, eu gosto da morte, anseio por ela, só que não de um modo mórbido, não é do corpo estendido no caixão cheirando flores e velas, ouvindo o choro abafado e o olhar saudoso dos amigos. Não, não essa morte. A morte do depois. A morte de quando se fecha o caixão, os carros se vão, e o coveiro termina o trabalho. O que acontece? O único filme que ninguém pode contar o fim. A única experiência, depois do nascer, realmente igualitária nesse mundo de ladrões em que vivemos.

Mundo de ladrões, onde as pessoas se comprazem em roubar o prazer do outro. Tudo que se diz alguém já fez, alguém já sabe, alguém conta como é. É roubo mesmo não furto, nos é tomada a experiência, a possibilidade de compreender de outra forma, sob grave ameaça ou violência. Sempre. Quando se antecipa a sensualidade em uma criança de 10 ou 11 anos, é sob violência que isso se faz. Arranca-se dela o brinquedo da inocência, da contemplação do beijo sem o desejo, de forma cruel, quando ainda talvez ela ainda quisesse brincar de não saber. É só um exemplo, mas eu acho violento, talvez esteja errada. Não sei.

A morte é democrática. É para todos, porque ninguém SABE realmente como é depois. Voce pode ACREDITAR que é assim ou assado. Talvez até seja diferente para cada pessoa. Quem sabe? Se quando eu morrer, eu for para uma colônia igualzinha as descrições que li, vou ficar triste, porque aí nada mais de novo me resta. Depois de morrer, nascer. Depois de nascer, morrer. Como quem estuda em duas escolas, e vai estudar ali pra sempre. Não, eu desejo que seja diferente. Eu tenho que acreditar que será. Logo logo alguém pergunta, então, se você não acredita que seja assim, se você quer que seja de outra forma, por que você não se mata? Simples, duas respostas.

Primeiro, porque existe a possibilidade. Eu não quero que seja tudo exatamente como dizem os livros que eu li, resquícios da mitologia grega, mas, e se for aquilo mesmo? E se, quando a gente se mata, a gente vai mesmo para o vale dos suicidas? E se a gente fica realmente preso ao corpo, assistindo sua degradação? E se a gente fica mesmo escravo de seres inferiores? E se houver um senhor dos mortos? E se o inferno existe? E se a dor não acaba, e aí, não há mais a morte para aplacar? São muitos, e se... para considerar. São muitos e potencialmente dolorosos. A questão de acreditar é ambígua. Se eu realmente não acreditasse, não aceitaria a hipótese. Se eu acreditasse mesmo, daria como certo, não desejaria que não existisse nem pensaria tanto no assunto. Mas graças a essa ambiguidade, estou viva. Graças a essa pseudo crença, em momentos difíceis, em tristezas profundas e possibilidades na superfície, eu consegui trancar o cara da foice do lado de fora.

Segundo, porque, pelo que dizem por aí, uma vez morto, morto está. Tipo, quase todo mundo que morreu, depois de morto, numca mais esteve vivo. Que eu saiba, só Lázaro foi e voltou, embora haja outros em outras tradições. Jesus não conta, viu. Jesus não ficou vivo de novo andando por aí, com as preocupações mundanas de comer, dormir, trabalhar. Ele vinha quando tava afim, digamos que ele se libertou, como o Smith, no Matrix. E como morrer é, até o presente momento, irreversível, quero viver o máximo que der. Vou ficar até o fim do espetáculo, mesmo que seja uma merda. Pelo menos vi tudo, e ninguém poderá dizer, que assim que eu saí Shakespeare entrou em cena. Não vou correr o risco de me matar na segunda e ganhar na loteria na terça. Claro que viver e aproveitar a vida é extremamente relativo. Aproveitar a vida é dizer "Foda-se" ou "deixa que eu seguro"? Também não dá pra saber, mas pelo menos, valeu a tentativa. E isso me mantém viva, quando nem triste, nem feliz, penso em deixar o teatro. Muitos filmes, chatos, tem os incríveis erros de gravação depois dos créditos, quando muita gente, crente de que já viu tudo, foi embora. Não, eu ficarei, até o fim. Ou até alguém acender a luz a abrir a porta.

Então, como dizia, eu gosto da guerra. Mas gosto de ter razão. E enquanto se tem razão, a razão, a guerra é desnecessária. Uma necessidade que me livra do prazer. Não é só isso. Há ainda o medo. O medo da dor, da derrota, da vergonha. Hipócrita, chamo esse medo de paz, de sossego. Minto dizendo que não gosto de brigar. Verdade e mentira mais uma vez presentes ao mesmo tempo, na mesma frase, que sendo sincera, não diz tudo, e não sabe o que falta. Sou da paz pela razão. Mentira, sou da paz porque tenho medo que descubram o quanto sou cruel. Sou da paz pela razão. Verdade, pela razão, vivo na paz, com a razão o duelo é mais justo. Meu regente é Marte (Áries). Se eu pudesse escolher um Deus, escolheria Diana (Artemis), deusa da caça e da lua. Mas sou Áries. E gosto disso.

Áries, deus da guerra, teve um caso com Afrodite. A guerra não precisa do amor para existir. O amor não precise da guerra para existir. Eles existiam antes, sozinhos. Mas o amor se dá para a guerra, como se precisasse dela. Do mesmo modo, a guerra se dá para o amor. Como se Áries deixasse de fazer guerra para fazer amor, e Afrodite deixasse de fazer amor para fazer guerra. Por amor, se faz a guerra, e pelo mesmo amor, se deixa de fazer guerra. O mesmo Marte que se deixou pegar numa rede, armadilha boba, por Hefesto, marido de Afrodite, é o mesmo que se transforma num Javali matando Adonis, amado de Afrodite.

Por que eu tô falando disso tudo? Porque há uma guerra em mim, e nessa, me feri. Uma guerra que está aqui dentro porque eu não agi, ou agi, e ela não saiu para o mundo. Uma guerra de princípios, direitos, vontades, sonhos, impulsos, necessidades, afetos. O que eu quero discutindo com o que eu devo. O que eu posso brigando com o que eu quero. O princípio da boa filha e o afeto pela família ameaçando o sonho e a necessidade de ser livre. O direito ao impulso num duelo com a dívida ao passado. O campo dessa batalha é o tempo. A arma é o dinheiro. A espada, a verdade. Aqui dentro, enquando duelavam, me feri.

Aqui fora, conquanto a luta está em mim, minha família, meus amigos, estão a salvo, mas distantes. Estão longe, porque não estão nessa guerra e não entendem os meus ferimentos. E eu preciso escondê-los. E ainda me culpam por não reclamar da dor, não contar a guerra, não chamá-los para lutar. Que culpa eu tenho por não ser assim? Eu não sou assim, e não quero ser assim! Eu sou do tipo que luta pelo amigo, e me retiro, ferida, para não atrapalhar a guerra dele. É tão mais fácil lutar pelo outro, porque aí não se precisa da razão, basta a fidelidade da guerra, o juramento do Cavaleiro Andante. Não gosto que me chamem para a guerra, meu prazer está em perceber quando ela é eminente e chegar armada no campo, pronta para o que der e vier. Muitos não entendem isso. Precisam dos discursos de fidelidade, das juras de sangue, da festa de confraternização. Não entendem que pra mim guerra é guerra e poesia é poesia. Por mais poético que seja dizer "eu estarei sempre aqui quando precisar", na guerra, o que conta é aparecer no dia da batalha. Na guerra a poesia de outrora, enternece o coração, adoça a lembrança, as vezes última, antes da lança cumprir seu destino. Não é menos útil, nem mais importante. Na guerra, o amigo desconhecido, calado, que passados anos sem contato, separados por mar e terra, pelo amor, ou pelo ódio, pela vida e seus caminhos, que aparece com seu exército e seu próprio estandart, pode ser aquele que abata o inimigo que te traria a lança fatal. Não é mais importante, nem menos útil.

Por que então exigir do poeta que vá a guerra, e do guerreiro que faça poesia? Por que não deixá-los livres? Por que não deixá-los, sendo ambos um só, serem o que quiserem ser? Por que duvidar da amizade só por faltar palavra? Por que duvidar da amizade por faltar atos de coragem? Por que não admitir que há a Amizade e o amigo? Que a Amizade é eterna, e o amigo não. Que o amigo pode estar longe, mas a amizade estará sempre perto. Que o amigo muda, mas a amizade não. Que a mão do amigo quando se estende, para dar, receber, pedir ou negar, é a mesma. Que o Amor não é inimigo da Amizade, só é mais fraco, e precisa mais do amigo. Por que, por Zeus, por que duvidar da amizade, apenas por descobrir no amigo, ontem apenas o príncipe ou o criado, hoje o sacerdote, o guerreiro, o poeta, um outro príncipe, um outro criado? Por que pensar que a amizade diminui quando o amigo cresce? Por que julgar como fim da amizade o fim da palavra? É a palavra que determina a amizade? Oh, e por que, tão dolorosamente, insistir em sepultar viva a Amizade ao ver, ilusóriamente, morto o amigo de antes, no amado de agora? Não pode o Amor ir embora? E o que restará? Não será o amigo despojado de tudo, precisando exatamente da amizade?

Escondo a ferida. Caminho só na floresta. Sinto falta da família, relembro as horas, os momentos, as tradições. Mas me acalmo porque sei que estão bem. Sinto falta dos amigos, lembrando das festas, dos planos, dos sonhos, das conversas, das lutas em que estivemos juntos. Mas me acalmo porque sei que nossa amizade ainda existe, mesmo que não sejamos mais amigos, e que estarei sempre pronta para a guerra, mesmo que eles não saibam disso, mesmo que eu não esteja mais tão vigilante e consciente dos desafios e das contendas em cada um de seus reinos. Basta uma trombeta e marcharei. Agora, a falta que mais sinto é dos amigos que nunca, ainda, tive. A falta que mais sinto é dos amantes que nunca chegam. A falta que mais sinto é lutar com uns pelos outros por guerras que não, ainda, não existem. Nada me acalma, por que nessa floresta, quando noite, a escuridão protege e expõe a todos, fazendo com que cada passo seja uma escolha entre possibilidades remotas e reais do perigo. Cada passo é uma escolha irreversível.

Nada me acalma, porque nessa floresta, quando dia, o sol refulge tão claramente que engana os olhos. Os perigos do dia, se escondem nas belas e tentadoras formas de uma ninfa, na cachoeira que chama ao banho, na fruta madura ou alcance da mão. A face mais brilhante da beleza. Cada passo é uma escolha tentadora e enganosa.

O problema não estar em fazer escolhas. O problema é não conseguir ver nem além, nem através delas.

PS: Escrevi isso só pra decidir se amanhã vou fazer a prova do concurso ou aproveito o último domingo dos meus tios no Brasil. Considerando que eu não estudei nada, os quarenta conto da inscrição já foram desperdiçados mesmo, mas não ir, não seria abdicar de toda e qualquer possibilidade de não o ser?

Comments: postado por: Romy Trinity12:57 PM


miércoles, febrero 25, 2004

Desculpem, Trinity teve um surto psicótico onde ela pensa que tem que escrever senão vai morrer. Ela pensa que as vozes que ficam recitando textos na mente dela, vão se transformar em prequenos humanóides e atáca-la. Caneta em punho, e mouses em forcas. Perdoem, por favor perdoem a coitada.

Comments: postado por: Romy Trinity6:44 PM


PRÍNCIPES, SAPOS E MONSTROS


João conhece Maria e os dois começam a namorar. Namoram um ano, mas um dia, acaba. O motivo não importa. O romance acabou, mas eles, pelo que parece, continuam amigos. Três meses depois, João está trabalhando quando o telefone toca. A polícia quer falar com ele, parece que é alguma coisa com a Maria. Antes de chegar na delegacia, a avó do rapaz conta a verdade: Maria foi encontrada morta a facadas em casa.

Não sei se a imprensa era o príncipe dessa história, mas transformou-se num sapo. Num sapo de uma enorme boca mosntruosa. Só não maior que o ego e a vontade de aparecer de alguns policiais, que nesse caso (não em todos), estão fardados.

A polícia foi chamada, a delegada foi ao local, as providências foram tomadas da forma mais ágil possível. Nessa história, a delegada é extremamente lúcida e faz um ótimo trabalho. Tudo corre bem. Eu, particularmente não gosto de um dos tiras que se mete, ou conduz a investigação, mas isso é opinião pessoal, e essa história é em terceira pessoa.

Alguém chamou a imprensa. A imprensa foi até o DP, a delegada, como manda a lei, deu as informações que não atrapalhariam as investigações. Tudo bem. Mas a imprensa, que de trouxa não tem nada, ficou dando de louca por ali. Passeia pra cá, elogia o DP. A equipe de plantão já conhece o golpe da mosca morta. Mas um dos tiras da investigação, aquele, chega falando alto, que deve ter sido algum namoradinho da menina, deve ter sido o ex, que aos 14 anos só pode ter sido esse o motivo do crime.

A imprensa já tinha ido, e João foi chamado novamente a depor. Penso aqui com meu botões como estava a mente, e o coração, daquele rapaz de 17 anos, que acabara de saber que sua ex-amada, fora morta, ainda naquela manhã. Os motivos de ouvir o garoto, era que, além das suspeitas, que rapidamente se mostraram infundadas, ele era a pessoa mais próxima da garota em condições de falar. Amigos não foram achados. os familiares estavam por demais emocionados para falar alguma coisa. Mas o garoto, e sua mãe, vieram, pacientemente à delegacia, prestar depoimentos. Talvez na esperança de ver a justiça ser feita, um pouco mais rapidamente. Pergunta vai, pergunta vem, são 07 da noite. Começa na TV aquele programa que se alimenta da tragédia alheia.

De repente, noticiam o caso de Maria. Mostram ao longe o corpo sendo recolhido. PM´s tendo seu minuto de fama. O reporter fazendo roleta russa com a câmera, perguntando quem conhecia a menina. E fecham com a frase, "um ex-namorado é investigado e é o único possível suspeito". Pronto, a imprensa virou um sapo de boca grande! O garoto deu um pulo na cadeira, a mãe disse que ele não falava mais nada, só com o advogado, a doutora ficou branca, o investigador e o escrivão de plantão e o narrador desta história, soltaram, quase em uníssono, Filhos da Puta!!!

Grandessíssimos filhos da puta! A delegada tentou acalmar a mãe, e aplacar as lágrimas de João, que dizia, para si, eu nunca encostei nela, eu estava trabalhando a manhã toda. Posso até dizer que seus olhos gritavam, tá doendo, porra, tá doendo, viu?. Mas o narrador não se mete na história. A delegada explicou que aquilo era coisa de reporter. Eles falam assim, provável suspeito para não serem processados. Que o garoto não ia ficar preso, que eles estavam esperando só o depoimento ser impresso (e era verdade). Não sei se ela conseguiu. Nos cantos, a guerrinha idiota civil x pm começou a se tornar visível. Os dois queriam que João fosse o assassino, e queriam provar isso primeiro.

A imprensa, não percebeu o crime que fez. Simplesmente embolou o fio da nossa meada. Como se, por não existir mais a vida de Maria, ela pudesse ser vendida. A imprensa virou um grande jacaré na lagoa da verdade, porque a partir daquele momento, João era suspeito. Não pela polícia, mas por todos que sabiam que ele tinha namorado Maria. Todos. E não adianta dizer, mas pode ter sido outro ex-namorado. Quantos ex-namorados uma menina de 14 anos tem?

Pra mim chega, cansei de ser narradora em terceira pessoa! Quero dar minha opinião, quero dizer o que penso, inferir sobre a verdade. Por isso, não sou jornalista (ainda). Por isso só falo do que tenho certeza e posso assumir. Por isso, digo, nessa história há uma princesa, Maria, um príncipe, João, um monstro, a imprensa. E não há dignidade, compaixão, amor, nem bom senso.

Essa é uma história de sangue.

* Mas esta história é ficção, viu. Ela não fala de um crime que aconteceu hoje, não. Eu inventei tudo isso sozinha. Mas, parece, segundo fontes não oficiais, que algo assim aconteceu, e dizem que os filhos da puta dos repórteres que fazem aquele programas que passam as 19h em dois ou três canais de TV, talvez sejam canibais - se alimentam do corpo e do sangue do miserável povo brasileiro. E dos direitos também *

Comments: postado por: Romy Trinity6:42 PM


PARA VOCÊ - BLOG

BLOG é um diálogo onde um diz tudo o que quer dizer, da forma que quer dizer, na hora que quer dizer, e o outro ouve, com a maior atenão, na hora em que estiver disposto.

BLOG é um diálogo onde o tempo não exites, cada palavra pode ser explicada e reescrita. Mas não precisa.

BLOG é um diálogo entre desconhecidos, com a cumplicidade dos amantes, vendo sempe o melhor. Ou não. E quando não, não há ofensa.

BLOG é um diálogo onde falar é bom, e ouvir, também. De tão bom que é falar, se quer falar sempre, sobre tudo, e a vida fica mais clara. De tão bom que é ouvir, saímos buscando mais gente pra ouvir. E a vida fica mais compartilhada

BLOG é a parte de você que vive tentando mostrar para o mundo, e o mundo nunca deixa.

BLOG é parte de você que você não deixa o mundo ver, mas não aguenta mais esconder.

BLOG é o vômito daquilo que ficou preso na garganta, embora as vezes continue lá.

BLOG é isso, mas também não é. Não é assim pra todo mundo, não é essencial, nem todo mundo gosta, nem todo mundo precisa, nem todo mundo lê, para uns é vício, hábito, o que se faz quando não há nada pra fazer. Para outros é um trabalho, arte, coisa séria, uma parte de si. Para uns é um modo de se esconder, para outros, de se divulgar.

Quer saber? Não sei o que é blog. Sei que eu tenho um, é publico e eu não vou te dar o endereço. É pessoal demais, e eu não quero estender ao mundo virtual as formalidades da vida real. Aqui fora, o destino fez com que nos conhecêssemos e trocassêmos Bom Dia, todos os dias, sem querer que o dia seja bom. Aqui dentro, eu me guardo. Se você quiser, me encontre. Se eu quiser, eu te encontro. Se nehum de nós quiser, e mesmo assim nos encontrarmos, não haverá mais Boa Noite de praxe, nem Tudo Bem sem significado. Se isso acontecer, aí sim, e só aí, posso dizer, que Blog é mais um modo de o destino me aproximar de você.

Comments: postado por: Romy Trinity3:42 PM


SECOND TIME

Meu primeiro cigarro foi para o teatro. Meu personagem fumava, e eu não. Prova disso, é que, mesmo que a gente tivesse ensaiado, na estréia, eu não conseguia acender aquela porcaria. Vejam bem, o personagem fumava, e era um diabo. Talvez pela concentração, e por haver a separação entre a minha pessoa e o personagem, não ficou registrado em mim a sensação do fumo. E por um bom tempo eu não fumei, nem pensei no assunto.

Um dia, fiquei com vontade de experimentar o tal cigarro. Não por causa daquele primeiro, como dirão os analistas afobados, e sim para entender como é que podia, tanta gente se viciar em engolir fumaça. Como eu já tive crises de falta de ar, entendia menos ainda, alguém, conscientemente causar a si mesmo uma coisa dessas. Então, fui ler. Sobre fumo e de quebra, drogas em geral.

Descobri muitas coisas interessantes. No caso do cigarro, que as crises de abstinência eram terríveis, que continha substâncias absurdas (veneno de rato, por exemplo), que a entrada do vício se dava na adolescência e estava ficando cada vez mais precoce, que um em cada quatro fumantes se viciou sem sentir prazer no cigarro (!), e por fim, numa pesquisa mais recente (na época), diferente do que se afirmou por muito tempo - que os jovens fumavam só pela pressão do grupo, logo se seu filho tem boas companhias, não vai fumar - que o fascínio do cigarro é visual. Não sei quantos por cento dos fumantes entrevistados, afirmaram que o prazer está em ver a fumaça, e que acham bonito fumar! Outra pesquisa, não tão séria (feita por mim e uma amiga) apontou que muita gente entra nessa pra provar que é forte, e depois acaba invertendo o conceito: o cara começa pra provar que é mais forte que o cigarro, e depois, acredita que é mais forte porque fuma o cigarro mais forte.

Indo para o lado espiritual, e aí vai da pessoa acreditar ou não, normalmente os fumantes têm, ou atraem, espíritos obcessores. São espíritos que, desencarnados, não podem mais fumar, mas sentem falta do cigarro, e o único modo de aplacar essa terrível síndrome de abstinência, é "fumando" as emanações que a pessoa produz enquanto fuma. Há relatos de até três obcessores em fumantes mais compulsivos. O problema de carregar esses espíritos, é que eles vão fazer de tudo para o cara não parar, não por maldade, mas porque eles precisam mesmo daquilo. É uma situação complicadas e de consequências mais complicadas ainda.

Sobre as drogas, e nisso falo outra hora, deixo apenas registrado, que a questão das drogas (e a do suicídio), no Brasil pelo menos, é tratado com muitos preconceitos. Tanto preconceito, tanto, que ajuda a divulgar e até incentiva o consumo. Posso estar redondamente enganada, mas acho que os caras, ao invés de ficarem usando uma hipocrisia absurda em palestras pra lá de chatas, deveriam se concentrar, e pesquisar sem conceitos pré-estabelecidos, como e porquê o cara vai cheirar cocaína ou fumar maconha. É muito fácil dizer que é falta de informação, falta de firmeza de caráter, falta de apoio da família, e má companhia. Certo, isso também, mas não é tão simples assim. Já que estou com a mão na roda, vou falar duas coisas: a primeira, sou a favor da legalização do consumo de certas drogas, maconha, por exemplo. Não é pondo usuário na cadeia, pra aprender a traficar, que se resolve o problema. Segunda coisa, o livro que me deixou com uma raiva absurda de certos pesquisadores desta problemática, foi um do Içami Tiba. Ele publicou um livro, acho que o nome é 10 perguntas sobre drogas ou algo assim, direcionado aos pais, meu pai ganhou um e eu li. Absurdo. Do modo como ele colocou no livro, deu a entender que a única razão porque alguém se droga é má companhia. Que se seu filho começa a andar mal vestido e mudou as amizades de repente, é quase certo que ele está se drogando. No livro todo, ele não citou nenhuma vez a possibilidade da depressão, falta de perspectiva, ou de outra origem para o problema. Não, se o cara se droga é porque ele tem más companhias, como se as companhias já nascesem más e como se o mal fosse mais forte que o bem. De tão revoltada que fiquei na época, depois desse livro, duvido de qualquer tiozinho que venha me encher o saco.

Pois, bem. Li sobre o cigarro, e por um tempo me contentei com isso. Outro ano depois, a vontade de experimentar voltou de novo, muito mais forte. E, para frustrar os entendidos, não, eu não frequentava ambiente de fumantes, não trabalhava com pessoas que fumam constantemente, não tinha nenhum ídolo fazendo propaganda na TV, que já estavam proibidas, não estava apaixonada por ninguém que fumasse, já tinha beijado alguém que fumava e tinha achado muito ruim, já tinha lido sobre o fumo, acreditava no lance espírita que falei, tinha consciência da minha bronquite e a curiosidade principal não eram sobre o efeitos psicotrópicos, que aliás ninguém explica muito bem. Ia além disso. A questão é que eu queria entender por que. E estava com uma idéia fixa. Basta ler Memórias Póstumas, do Machado, para entender o mal que uma idéia fixa faz. Eu tenho muitas idéias fixas momentâneas.

Então, numa noite de domingo, depois de ir ao cinema, fui numa banca de jornal e comprei um maço e uma caixa de fósforos. Av Paulista, garoa paulista, me senti protegida. Acendi o cigarro. A primeira sensação foi lembrar do beijo, que não tinha sido nem mau nem bom. Depois passou a lembrança e me concentrei no momento. Não sei se o que fiz foi fumar, mas não estava achando graça nenhuma na brincadeira. De qualquer maneira, engolir aquela fumaça de veneno de rato estava fora de cogitação. Findo aquele, acendi outro, pra ver se algo acontecia. Fumava e andava na cidade chuvosa, tentando enxergar bucolismo e beleza na cena. Nada. Soltei fumaça pra cima, pro lado, contra o vento, e não vi nada de bonito. Bonito é soltar vaporzinho pela boca em dias frios, mas fumaça de cigarro? Não vi graça nenhuma. Na metade do segundo cigarro, eu já queria tomar banho (nisso sim eu sou viciada), tudo cheirava fumaça. E aí tive certeza. Não era fumante, podia dizer com certeza, obrigada, não fumo. Terminei aquele cigarro, prestando atenção como era ruim. O gosto de fumaça entorpecendo a língua, tirando o gosto de tudo. A sensação de estar sendo perseguida por fumantes fantasmas. A consciência de incomodar o mundo com o cheiro da fumaça. O peso dos olhares sobre a brasa entre os dedos. E o cheiro de fumaça, de cigarro, na roupa, na mão, no cabelo. no mundo. Fumei a última metade como se fosse obrigada, como castigo por ter começado. E, finalmente, terminei.
Terminei e esperei para ver se algo acontecia. Nada. A porcaria do cigarro só servia para deixar tudo cheirando cigarro. Horrível. Não me deu tontura, torpor, nem vi crocodilos cor de rosa. A única coisa que me deu foi uma vontade louca de escovar os dentes. Só.

Peguei o maço, o fosfóro e a vontade de fumar e joguei numa lixeira verde em frente o cemitério da consolação. Finado. Não sei se tudo na vida é assim, mas pra mim, é o que tem sido. A segunda vez foi muito mais decisiva que a primeira.

Não quero dar exemplo. Só queria compartilhar, ainda que comigo mesma, a experiência que me salvou desse vício, porque sei que ninguém ouviria. Desculpe se isso fere a sua moral preconceituosa, que você criou com base em você mesmo, inventando a verdade, o bem e o mal absolutos. Desculpe se quebrei a sua perfeição de opinião, mas foi fumando que descobri que é proibido fumar.

Comments: postado por: Romy Trinity3:38 PM


sábado, febrero 21, 2004

MINHAS FÉRIAS


As férias acabaram, sinto dar a notícia assim, mas é verdade. Acabaram-se as manhãs de sonhos (literalmente), as tares sem nada a possibilidade do ócio. Mais, só em julho, com sorte.

Claro que tem o lado positivo. Com o fim das férias, poderei descansar um pouco, afinal, "mis vacaciones) de vagas tiveram quase nada. Pra se ter idéias, não fiquei um só dia inteiro em casa, sem fazer nada, como era meu desejo secreto. Todo dia era dia de brincar de alguma coisa. Não reclamo não, isso também foi legal.

Diferente da notíciam, o fim se deu de forma gradual. Na última semana, começaram as aulas na faculdade. Poderia dizer que foram a minha "viagem de férias". Na semana seguinte, o fim mesmo, voltei a trabalhar. E ao voltar, descubro que gosto do meu trabalho, do ambiente, da função, e que antes estava só estafada, que me divirto por aqui, alêm do quê, embora ganhe menos do que gostaria, tenho mais tempo. Mais uma coisa pra pensar.

Enquanto isso...

Considerações Finais - Período de 01/02/2004 a 16/02/2004

* O casamento do meu tio foi menos traumático que o esperado - embora o terrível, e recorrente, episódio do "dançar junto é legal" tenha me perseguido novamente (mas eu escapei, hehehe). Dançar junto não é legal, exceto forró, se e somente se, o cara for cheiroso, souber dançar e conduzir direito.

* Os passeios com meus tios-avós foram extremamente ricos em matéria de relacionamento humano, e para aprender como é possível esquecer coisas básicas de um idioma, depois de três anos sem falar, ler, nem escrever, em espanhol.

* Dormir é bom. Aliás, muito bom.

* É incrível a quantidade de nervoso que um ser humano pode causar a si mesmo devido a absurda dependência do sono (Síndrome do Só mais cinco minutos) e à crença transcedental do "vai dar tempo", que não trancende o tempo.

* Fui pouco ao cinema. Só assisti o "Mestre dos Mares", inaugurando minha lista de filmes classificados como: Necessário assistir, mas nem tão legal assim. E ainda não vi o Senhor dos Anéis.

* Entrei pouquíssimo na internet, causando-me síndrome de abstinência nível 2 - grave. Sintomas: entrar toda hora no minibrowser do celular e depois ficar pedindo torpedo de saldo pra ver quanto gastou, jogar joguinhos idiotas por mais de uma hora seguida no mesmo celular, e olhar para computadores e placas de cyber-café com cara de canibal faminto na fila dos vigilantes do peso.

* A sensação estranha, aquela de não ter vontade de fazer nada, nem de não fazer nada, não passou completamente, mas ficou sonolenta, vagando em mim, acusando presença ao menos descuido do entusiasmo. Meu coração bate entre normal e um pouco mais lento, e isso me irrita profundamente. Eu gosto de acelerado. De forma didática, posso dizer que não é seguro ouvir Nightwish. Talvez eu esteja adiando algo doloroso, sem razão de doer, e por não ter razão, não quero que doa e pronto!

* Ócio, ócio mesmo, não rolou. Hei de conseguir ficar em casa, fazendo nada, nem dormindo, nem vendo TV, nem jogando no celular. Farei nada, tipo deitar na rede, sentir o vento, contemplar o mundo e deixar a mente ir embora. Ai, ai.

* Não li nada, nem outdoor, nem parachoque de caminhão. Mas vou passar no concurso sim!

* E, finalmente, tornei-me uma Universitária!!! Yupi, yupi, êba!



O fascínio pela palavra "faculdade" ainda não passou. Vivo fazendo frases, em todos os contextos, com bonita palavra, acarretando a pergunta "do quê?", e aí sim, se uma palavra é capaz de deixar alguém (eu) nas alturas, pela reação que causa e o que significa, essa palavra, a resposta da pergunta, é: Filosofia.

Da cara de Ahn?, ao Puxa que legal! passando pelo Pra quê?, Sua cara! Mas você não queria ser médica? (não, eu serei médica) e terminado quase sempre com um Por que?, todas as reações me encantam. É muito louco. E o curso então? Muito mais louco ainda!

No primeiro e no segundo dias, quando vi que a minha turma não tinha passado pelo trote - infelizmente eu não tive a cara pintada nem pageui mico, pelo menos fomos chamados de bixo uma vez (sem ironia, eu queria mesmo ter passado por isso) - e que a sala estava repleta de gente mais velha que eu, já pensei em desistir. Pensei "que droga esse monte de gente velha chata não vou conhecer nem um cara bonitinho e legal devia ter ido fazer direito com a Cris no Mackenzie pelo menos era mais divertido tomara que eu não morra de timidez antes de conversar com alguém de outra turma droga eu sabia que isso não ia dar certo e esses professores ficam falando como se todo mundo tivesse na segunda graduação será que não dá pra perceber que eu sou mesmo um bixo? Droga saco viu!" E por aí afora. Pra piorar estava com sintomas de gripe (mas não era) quando o pessoal do 2º ano chamou a gente pra um bar, e eu, além de não achar o lugar (lógico) que bar é o que não falta perto da faculdade, percebi que ninguém, na verdade quase ninguém, foi. Não via a hora de chegar abril e trancar.

Na quarta conversei com um cara. Legal. Na quinta, a aula de Lógica me fez ganhar o dia. Na sexta, a professora de Introdução, inventou da gente se apresentar. Eu queria sumir! Odeio (odiava) apresentações do tipo "meu nome é Trinity, tenho 22 anos e não sei o que estou fazendo aqui" e ponto. Mas aí, mágica! Ao nos colocarmos em semicirculo, percebi algo legal: a classe é predominantemente masculina. Não que eu seja uma tarada pervertida, mas é que depois de 4 anos estudando só com mulher e fazer cursinho onde a maioria é mulher, o que se quer ver é homem! Até os homens acham isso. Ponto para o curso. Começam as apresentações, e eis que alguém fala exatamente o que escrevi ali em cima, só mudou o nome. outro ponto para o curso, a sinceridade é respeitada e os desculpas esfarrapadas normalmente exigids pela sociedade são momentaneamente deixadas de lado. A apresentação segue e cada pessoa me parece mais interessante que a outra. Na sala tem indeciso, perdido, ateu, evangélico, médico, advogado, músico, filósofo, diretor de teatro e uns 10 que tocam algum instrumento ou tem uma banda, além de muitas outras espécies. Tem até uns bonitinhos. Os artistas prevalecem. Mais dois pontos para o curso!

Quando terminou a apresentação, eu estava deslumbrada. Queria conversar com todo mundo, agora. De quebra, o pessoal ainda foi para um bar, o mesmo do outro dia. Descobri onde era o local, mas, como Murphy existe, não pude ficar, já tinha combinado de encontrar meu irmão no metrô. Tudo bem, encontrei meu irmão e voltei pra ver se ainda tinha alguém lá. Cheguei quando tinha acabado de acabar e a galera estava indo embora, e mesmo assim foi legal, porque acabei voltando com um cara e uma garota da sala que eu ainda não tinha falado. E eles são super gente fina, além de terem mais ou menos a minha idade. Fui muito bom! Principalmente porque pude por um ponto final nas minhas formas de preconceito (embora eu ainda tenha que me lembrar disso). Entendi como todo preconceito é absurdo, porque não podemos julgar o que não conhecemos, e portanto, não existe realmente para nós; e como todo esteriótipo é tirano, se não dá pra enquadrar a humanidade inteira como seres humanos, como podemos querer juntar, e julgar, as pessoas, pelo tipo de cabelo, roupa ou modo de falar? É realmente ridículo. E percebi também que o preconceito e o estereótipo se escondem, se camuflam em formas aparentemente boas e inocentes, como quando a gente diz que não tem preconceito pois temos amigos assim ou assado, ou quando diz que a galera do Rock, do samba, do pagode, do forró, do hip hop, da música eletrônica ou do diabo a quatro é do bem. É um lance muito louco, e ainda vou escrever sobre isso (por favor, perdoem meus arroubos de filosofia mistuados com alucinações metidas a colunista de jornal de domindo).

Hoje, acho que meu curso é tudo de bom, a turma muito legal e que três anos vão passar rápido demais. Acho até que é pouca matéria. Sei também que tudo isso não passa de um julgamento precipitado, mas a sensação é verdadeira demais para não ser registrada. Estou meio perdida com a quantidade de coisas que quero ler, e tenho que aprender. Se alguém puder me explicar "como se faz faculdade" eu agradeço. Os meus parcos 100 anos de existência humana não serão suficientes para aprender tudo que eu quero, não vai dar, vou ter que nascer de novo!

Mas vou criar outro blog para a outra vida, quando for o tempo. Hoje, só tenho a dizer, que, em resumo, estou voltando pra casa outra vez.

Comments: postado por: Romy Trinity11:12 AM


miércoles, febrero 04, 2004

PARA DIZER QUE ESTOU VIVA

Vim dizer apenas que estou viva. E de férias!

Mas para que não fique apenas essa frase solta no ar, de dúbio significado, já que estar vivo é extramamente relativo, acrescento ainda que são minhas primeiras férias, e que já as estou achando muito curtas, mesmo que elas só tenham começado há 4 dias, mas é que faltam apenas 11 para que acabem. Sim, a esta pobre mortal não lhe é permitido tirar mais que quinze dias nos meses de janeiro, fevereiro e dezembro, e há uma recomendação secreta de diretores de departamento, para que os delegados titulares neguem os pedidos de férias porque a falta de funcionários é grande. Ou seja, o governo não quer dar aumento, nem abrir concurso, quer simplesmente que a galera trabalhe por dois (ou mais), não tire férias, e em horários absurdos. Tem hora que eu desacredito, viu.

Aí, se eu falo uma coisa assim, vem alguém dizer, que eu não devia reclamar, que o emprego tá difícil, que tem gente ganhando menos, e que é muito bom ser funcionário público. Pois que se registre: eu agradeço pelo meu trabalho, mas isso não impede que eu tenha consciência de que o emprego está no nível que está e os salários são tão baixos, porque um dia, alguém aceitou fazer mais por menos. Um dia, alguém disse, olha, eu lavo o dobro de pratos por metade do que ele ganha, e aí a empresa o contratou, e todos os lavadores de pratos tiveram que aceitar ganhar menos para não ficarem sem empregos. Foi assim com muita coisa. Não condeno, apenas relato o que penso. Somos uma espécie, uma comunidade de seres humanos, temos que aprender a ter a conssciência e responsabilidade de que cada ato nosso representa.

Mas como acho que esse texto ainda está solitário, acrescento mais, e digo que aquela sensação estranha do começo do ano não passou, mesmo que tenha se mascarado de outras formas, e me sinto estranha, pra variar. Discorrer sobre essa sensação, além de não trazer nada de bom a ninguém, nem a mim, não vale a pena, seria dar-lhe um status além do que lhe é devido. Mas ela está aqui, e dói, sem que eu sinta, dói. E aquelas coisas básicas, solidão, indecisão, falta de grana, não dizer não, andar, viver, respirar, seguir em frente sem saber pra onde, a fazem pior e mais presente. Mas conseguirei vencê-la. Sim, hei de conseguir. Não é possível, que um morno chato desse vá esfriar o elemento do fogo que existe em mim, não, não é possível.

Já que falei que estou viva e em férias, cito os principais acontecimentos destes dias: festa de aniversário da Scully, adeus para a minha prima, agora Srª Rosana, para a Holanda (imagine uma cena tocante), chegada dos meus tios avós da Espanha (imagine a cena mais tocante do mundo, de dois irmãos idosos que se amam, e uma sobrinha neta de óculos escuros com os olhos morrendo afogados para que as lágrimas não escorressem), dois dias na casa da minha tia finalizando com noite de pizzas do meu pai, e finalmente, o adeus para a minha verruga (deixada num consultório dermatológico, depois de uma pequena cirurgia - com duas anestesias - pouco dolorosa. Ela se foi, e não sei porque a tirei de mim...).

Hoje, depois de três horas e meia de internet, um curativo no meio da cara e um americano querendo conversar comigo aqui no cyber, venho declarar que trabalho no template que o Tuco fez para mim, que entrarei menos na internet devido a um sistema de redução de gastos, e que estou viva.

Mesmo sem saber por quê.

Comments: postado por: Romy Trinity11:30 PM



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