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Tradução
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Este é o meu espaço livre na MATRIX, onde posso depositar as emoções (e ilusões) da (minha) vida e brincar de jornalista, crítica, prêmio nobel da literatura... Escrevo não só por necessidade, mas também para entender o porquê, dela, de pensar o tempo todo, e de tantas palavras, tantos textos nascidos semi-prontos pedindo para gritar. E aí, quem sabe, alguém lê e me explica por que eu, e não só eu, com medo de ser decifrada, preciso tanto de tradução. sábado, abril 24, 2004 E SE EU FOSSE GIL RUGAI? Ou, como diria o egocêntrico num primeiro encontro: "Agora chega de falar de mim, vamos falar de você. O que você acha de mim?" (A piada não tem muito a ver, mas eu quis colocar...) Não que eu acompanhe vorazmente os noticiários policiais, e muito menos penso que aquilo que se mostra na Record e na Band é jornalismo investigativo, ou pior, trabalho policial, o caso é que tive a infeliz e revoltante experiência de assistir uns dois pedaços programas daquele cara que apresentava o linha direta na Globo e agora está na Record. Não seu o nome daquela criatura, é um estágio involutivo do Gollum. Em ambos os programas me perguntei como alguém extremamente mal-informado (aquele que tem informações erradas), grosso (trata muito mal os repórteres), perdido (pede e perde todo mundo no ar ao mesmo tempo) e sem o menor posicionamento de câmera, pode ter um programa quase no horário nobre e com tanta audiência. Isso sem contar que se ele fosse preso toda vez que desacatasse um policial ou que denegrisse e zombasse da Polícia como instituição, o programa teria que ser transmitido da cadeia todos os dias. É um absurdo total!!! Mas o caso é que nesses dois pedaços ele falava exatamente o caso Rugai. Um no dia em que ele foi preso, lá no DHPP, e outro no dia que os advogados tentaval a liberdade, no 77DP, alegando, vejam vocês, assédio da imprensa. Como tinha lido algumas coisas, na imprensa aberta - não tenho nenhuma informação extra -, pus-me a pensar no assunto. Ano passado teve o caso Ritikofen, o casal foi encontrado pelos filhos morto. Depois a filha Suzane, confessou ter sido a autora do crime junto com o namorado Daniel e o cunhado. O motivo seria passional: os pais não aprovavam o namoro de Suzane e Daniel, embora tenha ocorrido roubo de dinheiro e jóias que estavam no quarto do casal. Neste caso específico, além da confissão dos jovens, as circunstâncias exigiam que o assassino conhecesse a casa e sua rotina, houve reconstituição do crime como prova pericial, o irmão do Daniel comprou uma moto ou coisa assim e outros detalhes mais. Vale constar também que a imprensa dava as informações um passo depois da polícia, ou seja, não publicou na primera página as campanas, os suspeitos ou coisa assim. Depois, no começo de 2004, teve o caso curiosíssimo do casal encontrado também pelos filhos que acordaram com o barulho do despertador. Na casa não há indícios de arrombamento, as crianças não sofreram nem ouviram nada, tudo ocorre na calada da noite. Na mesma semana, o idiota do Garotinho foi à TV e insinou (pra não dizer acusou) que a filha mais velha, de 13 anos, poderia ser a autora do crime, já que "parece que flertava com o colega da escola e não se sabe se tinha o consentimento dos pais", e foram encontradas manchas de sangue no quarto ou no caminho do quarto da menina. Vale lembrar que nenhuma das crianças falava português, e que ao acordarem e verem os pais ensanguentados e a mãe ainda respirando, a garotinha de três anos se atirou na cama para acordar o papai, sendo retirada pela mais velha, que carregou-a no colo, ligou para amigos da família e levou a pequena ao quarto, lógico que havia manchas! Se a minha vontade não fosse bater no Garotinho (que frase!), eu sentaria e morreria de rir. A investigação ainda está em andamento. Então, semanas depois encontraram o casal Rugai, mais uma vez pelos filhos (se não me engano), morto em casa. Só que nesse caso, os filhos são gente grande, houve luta, os vizinhos ouviram barulhos, haviam acabado de comprar um outro sistema de segurança para a casa (que ainda não estava instalado) e eles não estavam dormindo quando tudo aconteceu. Pela última possível reconstituição dos fatos, a esposa abriu a porta, houve discussão, agressão, chegou-se ao marido, mais discussão, agressão, morte. Onde estavam os dois filhos eu não sei. Só sei que poucos dias depois, enquanto as investigações apontavam para o filho mais velho, o Diário publica em primeira página "CELULAR DOS DOIS FILHOS DE RUGAI FORAM GRAMPEADOS". (Útil, não?) E a partir daí, muitos passos da investigação foram radiofonados, televisionados, publicados em cadernos especiais, só faltou tempo real na internet. O caseiro de uma casa da rua diz que viu o filho mais velho e mais alguém saírem correndo pela porta detrás, no dia do crime. E, tendo como prova principal o testemunho do caseiro, a prisão de Gil Rugai foi decretada. Ele esteve um tempo foragido, e depois se entregou. E a imprensa foi a loucuuuuuura!!! Antes de continuar, quero deixar claro que isso não é privilégio da classe abastada da sociedade. Não. Aqui embaixo, os simples mortais também se matam. E morrem. E os filhos matam bêbados pais sóbrios que quando bêbados quase mataram namorados traficantes de mocinhas puras que depois de não serem mais tão puras namoraram com bons rapazes que não ficam tão bons por tanto tempo e se tornam pais que não querem mais ficar juntos e se batem, ou se matam, pra ficar com os filhos que nenhum deles tem condições de criar e ambos vão bater mais tarde. A diferença é que aqui embaixo a vizinhança toda acompanha a história. As discussões se dão em padarias e em casa com paredes mais finas que a ausência delas. E os corpos são encontrados defronte a um bar fechado, numa rua escura, de madrugada pela PM que recebeu um telefonema anônimo. Quem antes escutada os gritos, hoje não se lembra de ter escutado nada. Fim de caso. Isso tudo me deprime, me enoja, me deixa com vontade de ser Deus, destruir tudo e começar de novo. Se não aparece na TV é porque não tem graça ser pobre. O legal é ser como os ricos. Voltemos ao caso dos Rugai. O cara foi preso. A imprensa toda no prédio do DHPP, cada câmera sendo mais talentoso que o outro. Os policiais em pânico, se sair a imagem da orelha do preso, a juiza corregedora no dia seguinte prende todo mundo por facilitar constrangimento do réu. O Gollun Involuído usa a ironia pra dizer que a polícia dá de esperta pra esconder o cara mas não consegue desvendar 99% dos casos de homicídio, e se sente o maior esperto por ter a imagem de um homem subindo uma escada. Claro, não é ele que vai perder o emprego mesmo. E isso não sem antes destratar uma repórter no ar. Uma semana depois, os mesmo repórteres apinhados no 77ºDP, que o Gollum esquálido não sabia onde ficava, ele que sabe tanto sobre a polícia de São Paulo e deu uma explicação fantástica do que é o luminol. Se vc prestou bastante atenção, entendeu que se trata de um líquido mágico, talvez élfico, que diz onde houve presença de sangue, através da "fluorescência", onde, nas palavras dele, "imagine roupa como uma noite escura, mesmo que tenha sido usado o mais poderoso produto químico, onde houver presença de sangue, eles aparecerão como vagalumes". Só pra esclarecer, o luminol é realmente incrível, indica sangue por luminiscência, mas ele não faz a mancha dançar. Uma explicação um pouco mais técnica não faria mal. Nesse dia, desdenhandos dos motivos do pedido de prorrogação da prisão preventiva, a saber: ter como base uma prova testemunhal e a grande exposição pela imprensa que fere os direitos de privacidade, inocência presumida, direito de imagem, entre outros, o semi-Orc achou suficiente enumerar os indícios da culpa de Rugai e que justificavam ele estar na cadeia. Foi nesse instante me coloquei no lugar dele. Indícios: 1) Levar roupa manchada para lavar - No meu caso, bom, eu lavava roupa em lavanderia e muitas vezes deixei roupa pra lavar por peça. Quando a gente deixa por peça, no recibo vem escrito tudo, então, eu tenho quatro cachorros, terra quase vermelha no quintal, se eu deixasse alguma roupa de final de semana para lavar, ela com certeza teria, manchas grandes e marrom, tipo sangue velho que foi lavado em casa, e constariam em recibo. Se eu tivesse matado alguém, eu queimaria a roupa, e não mandaria lavar, o que me levar a concluir que ou ele não matou, ou não matou com aquela roupa, ou é muito burro. 2) Ter sido descoberto por um desfalque na empresa dias antes - No meu caso, bom, eu não dou desfalques, e assumo as minhas cagadas, não dá pra argumentar muito. Mas pra mim uma coisa não tem nada a ver com a outra, porque não me pareceu um homicídio planejado, e nem foi feito no instante seguinte à descoberta. 3) Querer ser padre, fazer curso de tiro, faculdade de teologia e acabar como publicitário é um traço de uma personalidade inconstante que pode ter desvios - Hohohoho, cuidado comigo, eu sou perigosa. Policial que quer ser polícia de verdade, fazer medicina, escrever um livro, montar uma peça, filmar a Dama do Falcão, e faz filosofia, é alguém muito, mas muito perigoso. Conhece Renato Russo? Quero me encontrar mas não sei onde estou? Então... 4) Ter sido visto com uma arma e frequentado stand de tiro - Pessoas já me viram com uma arma, tá certo, foi no trabalho, mas uma arma é uma arma. Ir no stand de tiro, já fui, é muuuiiito bom, não há stress que permaneça depois de 30 tiros. Eu gosto mesmo de atirar (em alvos de papelão). No caso dele, ele tinha mais grana que eu, logo, ia mais ao stand, então, ou ele não matou o pai com mais de um tiro pois teria acertado na primeira, ou é muito burro. 5) O caseiro da casa da frente viu ele saindo da casa à noite - Minha argumentação seria a de que a priori o vizinho é bisbilhoteiro. Depois, se o tal caseiro ouviu grito e tiro, viu duas pessoas saírem correndo e não chamou a polícia, ele é cumplíce. Se o caseiro não ouviu nada, só viu os caras saindo, o que é que ele estava olhando? E como ele sabe que os dois não estavam saindo por trás pra fumar um baseado? E mais, como ele pode dizer com tanta certeza que o homem que ele viu era o Gil Rugai, se ele estava de longe, e estava em São Paulo, onde a iluminação das ruas é psicológica? Se fosse alguém com uma roupa análoga ele saberia distinguir na mesma condição de luminosidade. 6) Cartucho no tampão do baú - Cadê o projétil? Se a balística já disse que não foi deflagrado no mesmo dia, e não há BO de disparo de arma de fogo, ameaça ou tentativa de homocído, feito pelo pai ou pela madrasta. Tem? Não? Então o que tem a ver? Prova que ele é capaz de puxar o gatilho para um tampão de madeira? Magavilha, eu também sou. 7) Finalmente, o álibi - Num sábado à noite de novembro de 2003 eu peguei um ônibus na rodoviária do Tietê, viajei cinco horas, e passei o dia com 5 pessoas que conheci na internet. Não sei dizer o sobrenome nem o endereço. Pela tarde passei numa livraria legal e vi outra pessoa que até então era virtual. A meia-noite, peguei o ônibus de volta. Fotos? Algumas, na maioria que guardei, eu não apareço. Você pode provar meu álibi nesse dia? Outro domingo, acordei meio dia, arrumei minhas coisas, fui para um cyber café, passei no cinema, não tinha o filme que eu queria, andei no shopping, voltei, assisti outro e fui embora. Sozinha, o dia todo em lugares públicos onde ninguém lembraria de mim. Qual meu álibi? Eu sei que não é tão simples assim, e que existem outro indícios. O que estou dizendo que estão sendo extremamente injustos, expondo a imagem dele, da empresa, do nome, de tudo. Alguém tem que se lembrar que a Declaração Universal dos Direitos Humanos que todo homem deve ser presumidamente inocente, e eu acredito que, até que se prove o contrário, Gil Rugai é inocente. Pelas evidências, eu me sinto culpada. Pelas consequências, ultrajada na minha cidadania. Comments: postado por: Romy Trinity4:58 PM viernes, abril 23, 2004 RÁPIDO Um post rápido, que a era das lan house ainda não acabou. É incrível, quem tem o dom de ser bixo, é invencível nesse particular. Eis aí o meu caso. Simplesmente não consigo usar o bendito laboratório de informática da faculdade! Incrível! Ontem entrei no meio de uma sala em aula. Como eu ia saber? A porta aberta, um monte de computador livre, sem professor na frente, sem papel na porta e sem monitor pra explicar o que tava acontecendo, sou adivinha por acaso? E a galera reclama da visita orientada na biblioteca. Sei lá, quem é perdido precisa de algumas noções básicas de funcionamento. Fui lá, perguntei como funciona e além de receber o tão familiar olhar de "você não sabe?! Mas é tão óbvio que ninguém nuca perguntou isso!", recebi como reposta que é só entrar e usar uma sala onde não estiver tendo aula e que dá pra saber quando é aula. Ahhh, tá, entendi. Nem vou comentar que os computadores da biblioteca não abrem páginas de blogs. Fora isso, as coisas vão indo. Ainda não consegui comprar o carro, nem parar de pensar no assunto. Preciso urgentemente de um computador meu, só meu, meu precioso. Cortaram a linha telefônica do meu serviço porque o governo não pagou a conta e também não tem previsão de quando vai pagar, e com isso trabalhar está se tornando um martírio, porque eu fico com quase nada pra fazer e aguento os olhares de, olha, além de chegar atrasada ela não faz nada o dia todo. Sem comentários. Eu sei que isso tá parecendo carta pra amigo distante na guerra - apesar que posso ter algum leitor iraquiano, ou carioca - mas é que ando com muito medo de lost my mind, e se isso acontecer, preciso saber onde foi mesmo que eu parei. Além do quê, para um egocêntrico, na falta de inspiração, nada melhor que si como assunto. É isso, só escrevi mesmo pra tirar esse post pesado sobre o meu pai da primeira página. Ainda estou estranha com ele, sei lá algo se perdeu. Como coisas tão pequenas podem acabar com outras tão grandes? Comments: postado por: Romy Trinity7:57 AM lunes, abril 19, 2004 QUERIDO DIÁRIO, Tem um monte de coisas aqui dentro me sufocando. A maioria são coisas más e cheias de palavrão - até parece que aprendi a falar palavrão ontem, eu tô com a boca mais suja do que o dragão de comodo - mas algumas são boas. A primeira, e mais importante, felizmente é uma coisa muito legal. Começo pedindo desculpas, muitas desculpas, uma vez que fui muito injusta com meus amigos. Aproveito e faço um esclarecimento, aquelas palavras em letras maiúsculas não foi pra nenhum de vocês, foram, um pouco para o meu pai que está me torrando a paciência com a história de que eu tenho que arranjar um namorado e vive procurando motivos, e sermões, pra brigar comigo; e outro tanto para a minha consciência, que não cala nunca a boca. Então, eu fui extremamente injusta com meus amigos. Sabe por quê eles não me ligaram? Porque fizeram uma festa surpresa pra mim!!! É muito bom festa surpresa!!! Eu, pra variar, fico abobalhada quando recebo surpresas, e devo ter feito cara de não entendi, mas eu gostei muito. Foi o melhor presente que ganhei este ano. Gostei mesmo! E corrigindo o comentário da Miriam, não foram só 4 que lembraram não. A Sofia, super-fofa, também conta. Os crédito coloco-os aqui, com um pedido imenso de desculpas por eu ser tão passional e fazer as coisas sem pensar. Dou graças a Deus que tenho o blog, porque imagina se eu tivesse falado aquilo tudo que escrevi pra alguém que não falaria mais comigo por causa de um impulso idiota e da minha mania de não pensar muito antes de falar? Ainda bem, né. E ainda bem que entendem (vcs entendem, né?) que eu preciso colocar as coisas pra fora, senão eu fico louca, no duro, fico mesmo. E como prometi, é com imensa alegria que anuncio que os meus amigos lembraram do meu aniversário. A declinar: Domi, Beto, Miriam, Maurício, Luciano e Vanessa, e os já citados. Da patota, só ficou faltando a Harumi, mas é que o Japão é muito longe, então imagino que ela lembrou, mas, por motivos de distância, custo e fuso-horário não pode falar comigo. Agradeço de todo o coração o que vc fizeram pra mim, e digo ainda que mais do que não esquecer tudo de bom que aconteceu com a gente no passado, mais do que lembrar de cartas, bilhetes e grandes planos trocados (tipo assim ir pra Aracajú), eu acredito que o que existe hoje ainda é uma amizade, e que embora menos frequente, é tão valiosa quanto aquela do contato diário. E, especialmente pra Miriam, Mi, se você ainda quer, tenho certeza que será médica! Espera a Sofia crescer um pouco, as coisas se acertarem e tenho certeza que vc vai vislumnbrar a trilha para a Medicina no meio de tudo. Essa foi a parte doce do dia... mas o dia não acabou aqui. Comments: postado por: Romy Trinity5:05 PM QUERIDO DIÁRIO, PARTE II Meu pai desenvolveu o hábito de me derrubar. Derrubar mesmo. Sabe quando a gente está super feliz, nas alturas, e vem alguém e te fala algo e você despenca lá de cima? E cai de costas? Ou de barriga na água? Sabe? Então, meu pai aprendeu essa agora. Pois que eu, feliz da vida, apesar do horário, fui pra casa levar um pedaço de bolo pra ele. Mesmo consciente de que ele não gosta de glacê nem de merengue, o que vale é a intenção, e lá fui eu, 10:30 da noite em Poá, sendo que trabalharia no dia seguinte. Cheguei, dei o bolo pra ele, que, claro, ele não gostou, dei uns papéis dele pra ele e, como ainda dispunha de uns 15 minutos antes do último trem que dá pra pegar metrô, contei que fui ao cinema com a minha tia assistir Senhor dos Anéis 3, que a gente acabou fazendo o maior barulho e o pessoal não gostou, que adorei o filme, a batalha, e ele disse apenas que o filme era ridículo porque era muita fantasia. Tá. Depois, narrei, orgulhosa, o feito de recusar a assinatura de uma revista e de como o cara que queria me vender quase me bateu pra que eu assinasse a revista. Eis que ele me vem com essa: "Assim é difícil conviver com você". Pronto, a Trinity, que sempre voa, despencou do céu com moto e tudo, e sem o Neo pra ressuscita-la. Na lata respondi, Assim, como?, e ele, "assim, inflexível". E eu acabei revidando, "por isso que eu morava sozinha". Depois, enquanto ele me levava para a estação, foi que entendi, era, mais uma vez, o lance de eu não ter namorado. Meu Deus, eu não sei por quanto tempo mais eu aguento essa pressão. Não sei, não sei mesmo. Eu já fui no mercado, e não tinha nenhum namorado em promoção! Não tinha mesmo! Se tivesse eu comprava logo dois! Quando era pra trabalhar eu consegui aguentar até passar no concurso e calar a boca de todo mundo que dizia que dormindo até meio dia eu nunca ia fazer nada, com a faculdade consegui me manter firme e não fazer nem um curso pago nem um curso do qual eu não gostasse, mas não sei se vou conseguir cumprir a promessa de que só namoraria um cara de quem eu realmente gostasse e que gostasse de mim. Estou quase me declarando lésbica pra ter paz. Se eu estiver falando qualquer coisa e dizer um nome masculino, João, José, Joenilson, Astrogildo, lá vem ele com quem é, quantos anos, tem namorada, vc vai ver o rapaz com essa roupa e coisas assim. Se eu for falar tem que ser com histórico completo, hoje vou sair com o Ubaldo, um colega meu, de 79 anos que quer muito ver essa exposição e o namorado dele tem que trabalhar hoje. Sempre, sempre. Eu não posso ter um amigo. E ainda tenho que aguentar ele reclamando que minha irmã trocou de namorado. Saco! Agora, me diz, ele tinha que dizer isso no meu aniversário? O ano não tem mais 365 dias? Não, tem que ser no meu aniversário, quando eu estou feliz da vida porque consegui ver um filme que eu amo, que acabei de ganhar uma festa surpresa. Ele tinha que falar isso agora? Tinha que me lembrar que eu não moro mais sozinha? E eu, tonta tonta tonta, nem devolvi que se eu não morava mais sozinha era porque ele pediu o dinheiro pra comprar aquela casa, que eu não me importava com isso, que estava estudando mais pra sair dessa porcaria desse serviço onde todo mundo se acha grande coisa só porque tem um maldito distintivo ou um detestável diploma de Direito, e poder voltar a morar na cidade que eu amo e que tem cinema até a meia noite? Eu brutaciegasordomuda nem respondi que a única coisa que eu tinha pedido foi ele ir comigo ver um carro, e ele não foi, sabendo que eu sou ansiosa e que enquanto eu não resolver isso é difícil eu resolver qualquer outra coisa, e que desde o momento em que decidi comprar o carro eu sonho com isso e meu estômago não pára, um só segundo, de produzir ácido. Não, está todo empolgado com a casa nova, com as notas do meu irmão e com o emprego novo da minha irmã. E eu não estou pedindo atenção, não! Pelo contrário, quero paz! Fui morar sozinha para que meus irmãos tivessem mais atenção também. Só sei que isso acabou com a minha noite e com meu dia, de hoje. Desmoronou. O pior é que eu gosto do meu pai e sei que ele gosta de mim, só que ele, como a maior parte a humanidade, não me conhece. Ele não tem noção de como eu sou, e quer me encaixar em padrões para os quais, definitivamente, nao fui criada, não me encaixo e não concordo. A maioria me irrita com sua opressão e a minoria me enoja com sua vontade ridícula de ser exclusiva. Por que eu não posso simplesmente ser o que sou? Nossa, estou cansada de tudo isso. Só sei que pra mim chega. Desisto de tentar me enquadrar nesse mundo estranho. Prefiro ir lutar com os elfos contra o senhor do mal. Chega. Vou comprar o carro sozinha, um dia eu ia ter que aprender isso mesmo, que seja agora então. O melhor meio de eu não me machucar tanto é não discutir, eu faço do meu jeito e pronto. Quem não concordar, azar, não posso fazer nada. Talvez só agora eu esteja entendo o que o Renato Russo disse quando cantou que eu não precisava provar nada pra ninguém e me fiz em mil pedaços pra você juntar e queria sempre achar explicação pro que eu sentia, como um anjo caído, fiz questão de esquecer, que mentir pra si mesmo é sempre a pior mentira... E chega de brincar de meu diário! Comments: postado por: Romy Trinity5:04 PM sábado, abril 17, 2004 UPLOAD Anjo em Fúria Alcool com Açúcar BlogsBurguer O Sarcófago Balada de um Louco A Verdade está... aqui Neander Talk The Dark Elf Encefalopsia End is Coming Minha Memória Angelica Liano Malla´s Bloguer Garota sem Sentido Suum Cuique Big City girl Os Mágicos de Blogs Falando mal de quem merece Comments: postado por: Romy Trinity5:38 PM A TRAVESSIA Tal qual metade, errante, separada, sozinha, distante da outra que, ainda não sendo mesmo sua própria outra prate, complete por um, ínfimo ou não, espaço de tempo a ausência que mais dói; caminho pela cidade no metrô, admirável invensão sem a qual o mundo não seria o meu mundo. Tal qual refém de uma violência muda, tortura itinerante e onipresente, criada por cada um, ninguém sabe quando, mantida por todos, divulgada pelo silêncio, exercida pela passividade, atravesso a cidade pelo metrô, um outro modo de ver essa dor e fingir que ignora. Tal qual perdedor traído humilhado cuja razão mostra o fim da guerra, o fim do tempo da guerra, esfrega na cara a inocente derrota, uma voz sussura para a alma que o dia dia da justa batalha virá, incita-o a continuar a viver, inspirando-o a visão do dia em que, num grande campo aberto, cada guerreiro será justo e leal à própria causa, as armas brandindo limpas, onde a derrota não será humilhante e ainda que tombe mortalmente ferido, será sorrindo e libertando o cavalo que beijará o chão, agradecendo a dádiva de fazer parte daquilo; marcha pela cidade, rumo ao final de mais um capítulo da minha vida, um metrô que me leva para perto do meu ser. Tal qual um camponês sábio e iletrado, inconformado e sorridente, que não pode eixar de gargalhar perante a sociedade que, por ter criado tantas leis, precisa mais de quem as entenda do que quem as pratique, esgueiro-me pelas brechas que far-me-ão adentrar ao mundo da fantasia, e sair deste, de fantasias e leis, onde tanta gente se dá tanta importância, e passo de metrô para distinguir qual o mundo existe, qual mundo importa, qual mundo me abriga. Tal qual um peregrino que encontra enfim uma pousada onde banhar-se e dormir, limpo, desperto, coloco a mochila nas costas, sorrio ao hospedeiro, agradecido, afago o gato, contemplo o sol entre as árvores, ouço o riacho harmônico entre pássaros e ventos, respiro fundo, e derramo a última lágrima sobre o sorriso mais sincero, e entro no metrô, acreditando, como sempre acreditei e quero sempre acreditar, que a jornada vale a pena. Ainda que sozinha, perdendo, não sabendo, ou não chegando, a mais alta e profunda gargalhada acabará com toda a dor e solidão do caminho. E de qualquer modo, a felicidade está em mim, e eu me reservo o direito de ser feliz, mesmo assim. Comments: postado por: Romy Trinity5:14 PM ENQUANTO ISSO, LÁ FORA... ... foi dia, tarde, e noite subsequentes nos 15 dias que fiquei sem passar por aqui. A dificuldade maior estava em achar um computador e tempo para escrever. Idéias não faltaram. Reluto em escrever no papel porque perco muita coisa. Teclar é mais rápido, mas algo me diz que não terei saída. Nesses dias, amoldei-me à vida na casa da minha tia, descobri que tenho muita, mas muita coisa pra ler (por favor não me diga que achou um texto incrível na internet), mais exercícios ainda pra fazer e já vai me dando um pânico de pensar nas provas semestrais, tive páscoa com poucos ovos (menos de 1) muita alegria e simplicidade, andei, e ando, mais carente do que nunca, ando pensando incessantemente no carro que eu vou comprar (quanto mais eu penso, menos dinheiro eu tenho, mais difícil fica o carro - alguém por favor desenhe matemática financeira pra mim?), não fui ao cinema e decididamente descobri que não gosto do meu trabalho. Tô fazendo uns dois ou três concursos, tenho que sair dali. Das questões filosóficas, a alegora da caverna é divertida, Descartes parece simples mas a professora que nos provar que não é, lógica é legal embora não saiba muito bem sobre o que ele está falando, o bar de sexta foi fraco, Platão e o espiritismo são muito parecidos, as pessoas na sala da facú estão desaparecendo e eu continuo com o objetivo de chegar cedo lá. Essa semana eu consigo. Do passado, acho que era isso, tenho que esperar um tempo ainda para que essas memórias transformem-se em doces lembranças. Só digo mais que essa história de homem mais velho e casado foi viagem psicodélica da minha mente, que, graças a Deus, apenas olhou para o lado e enxergou um pequeno (mas maior que eu) ser, loiro com os olhos azuis mais lindos que um estudante de direito é capaz de ter. Tá certo, pessoas do direito são levemente assustadoras, mas se assustar com uma visão dessas é bem mais agradável. Do futuro mais imediato, acho que estou fazendo uma sacanagem com alguém, mas vou me iludindo com o argumento podre de somos todos adultos e eu não estou dando esperanças pra ninguém, só aceitei um convite e blablabla. Algo me diz que a velha, mas não tão boa, Trinity está voltando. Espero sinceramente que, desta vez, seja mesmo! Comments: postado por: Romy Trinity5:13 PM LADAINHA Ia escrever um texto enorme e lúdico, mas tô sem saco e vou dizer o mesmo conteúdo de forma rápida e objetiva: não estou reclamando da vida, não quero que fiquem me dizendo não fica assim, não quero abaixo assinado de desculpas e muito menos que me venham jogar na cara o que eu fiz, deixei de fazer, cultivei ou abandonei. As convenções sociais já estão me dando no saco, assim como as pessoas que aprenderam a frase, nossa como vc é limitada, e as que só sabem dizer, não dá pra entender você. Não estou pedindo entendimento, não, eu só quero paz. Só quero contar o que estou sentindo, ok? Tanto que quero paz que descrevo meus sentimentos aqui, e não fico ligando pra ninguém pra reclamar da vida. A mim, escrever me basta. Não exijo leitores, e não vou ficar fazendo média, até aqui, um espaço criado por mim e vigiado pela globo, só pra ter audiência. O blog está na globo, mas eu não tenho nada a ver com isso. Não estou jogando verdades na cara de ninguém, quem sou eu pra determinar a verdade? Aqui vai apenas um relato da minha SENSAÇÃO, ou seja, algo que dificilmente eu controlo. Posso reprimir, ignorar, alimentar, mudar o nome, esconder. Mas fazê-la desaparecer, só escrevendo, só pondo pra fora. Ás vezes, nem assim. Minhas sensações não são racionais. Os atos podem, ou deveriam, ser, mas o que sinto vem sei lá de onde e volta pra lá. Ela vem, e dificilmente se encaixa em alguma palavra destas que inventaram para catalogar as sensações e os sentimentos. Não sei se eu queria que não fosse assim, mas registro que a minha razão e emoção não são coerentes. Eu posso não gostar, racionalmente, de carne, e sentir uma vontade absurda de bife à milanesa. Deu pra entender? Ontem apenas 5 pessoas me ligaram: Minha tia, meu pai, a Scully, a Cris, e o José. E minha madrasta, quando eu liguei pra falar com meu pai, também me disse Feliz Aniversário. E hoje de manhã quando cheguei aqui no trampo tinha um papel impresso com o nome do titular. Detalhe dizer que meu parceiro testou a caneta nesse mesmo paper. E do lado escrito (pode rir, é engraçado). Da faculdade, ninguém sabia, tanto que fomos para o bar e voltei sem contar pra ninguém. Racionalmente, eu não me importo muito com isso de aniversário, não. Verdade mesmo. Meu pai sempre quer fazer festa pra mim e tudo, mas eu morro de vergonha no dia do aniversário. Tenho horror de pensar que alguém me abrace e me diga tudo de bom só por pura conveniência, ou pior, aproveitar a data pra tirar uma casquinha ou virar meu amigo. Não, obrigada. Considero esse dia uma data sagrada. Foi nesse dia, há 23 anos, que eu nasci. Foi nesse dia, que há muito mais tempo, Charler Chaplin nasceu. Não vou deixar uma conveniência tola estragar isso. Essa data me fez de Áries com ascendente em Gêmeos. Essa data, é um dos motivos para eu me julgar feliz, e, por que não, perfeita. Eu a comemoro, internamente. Porque essa data também me fez tímida, taciturna, um chaplin que faz piada dos males do mundo e festa com a esperança, mas passa noites sozinhos e só recebe um oscar depois de morto ou muito velho, não lembro. Isso é o que penso. Mas ontem, experimentei um pouco do gosto da bebida amarga que a Scully tomou no aniversário dela. De tanta gente que diz ser super amigo, só alguns apareceram, e dentre estes, alguns que pensava nem lembrar da gente. Por mais triste que pareça, isso é bom, porque a gente sabe que tem alguém. Não que eu ache que a data do aniversário é uma prova cabal de uma amizade. Claro que não. Acredito que existem pessoas que se lembraram do meu aniversário mas não me lembraram de me ligar. Tudo bem, eu sou assim, não posso condenar ninguém por isso. Quer ver, eu sei o aniversário da Camila Mello, dia 10 de agosto, mas há 12 ou 13 anos não ligo pra ela. Ela era praticamente minha única amiga na 8º série. E a gente ia fazer medicina juntas. Hoje ela está na UNICAMP, na medicina, e eu... estou chegando na USP, falta pouco (só o vestilbular e a grana). Para mim, ela ainda é uma grande amiga. Enorme. Mesmo que eu nunca mais a tenha visto, nem ligado, todo dia 10 de agosto eu lembro dela. Acho que esse ano, eu ligo. O contrário também acontece. A data do aniversário da Cris eu tenho que anotar, mas sei que é em agosto, e já dei parabéns adiantado e atrasado. Mas eu sei que ela é de Leão, e sei o quanto isso é importante pra ela! Com tudo isso, depois desse episódio, me reservo no direito de mandar um delicado e solene "foda-se você, sua opinião e seu não-entendimento acerca do meu ser" para todo o dizer: 1) Mas porquê vc saiu do seu apartamento e vai voltar pra aquele fim de mundo? Nossa, loucura fazer uma dívida dessas só porque seu pai pediu... 2) Vc fica falando muito dessa sua tia. Vc não tem outras tias não? 3) Desque que vc entrou na polícia vc só sai com essa Scully, até parece que vc abandounou seus velhos amigos... 4) Vc nunca chama a gente (porque nunca ninguém vai!) pra ir em show de rock, nem pra pegar fila de teatro nem ir pra acampar na prainha, é só a Cris, e agora com essa história da faculdade ficou pior ainda. 5) Acho doença esse negócio de internet, tá cheio de louco por aí (é mesmo). Vc tem que sair pra balada, conhecer gente de verdade, esse bando de nerds são todos problemáticos e vc vai ficar que nem eles. Viu? Ouviu? APUTAQUEOPARIU VC E ESSA MANIA DE ACHAR QUE SÓ A PRÓPRIA OPINIÃO É A CERTA E QUE SÓ O SEU MODO DE VIDA É VIDA!!! AMERDA VC E SEUS VALORES E PRECONCEITOS!!! FODA-SE, FODA-SE, FODAAAAAA-SE! Nas palavras do célebre Chorão: "Eu odeio gente chique, Eu não uso sapato, mas que se foda" Ser só está na minha essência, mas agradeço de coração a todos que tentam me convencer do contrário. Obrigado! Comments: postado por: Romy Trinity5:11 PM sábado, abril 03, 2004 TUDO Estou num turbilhão de tudo. E de um tudo em pedaços desconexos um emendado no outro. São muitos pedaços, pedaços de tudo. Voltando para o metrô, onze e meia da noite, depois do bar, eu e mais dois caras, conversávamos. Um deles falou de um psicanalista, alguma coisa Ford, que passou na Cultura e falava que o stress e a depressão hoje são causadas pela imensidão de alternativas e da incapacidade de escolher um caminho e percorrê-lo. Escolher mesmo. Entre o vermelho e o amarelo, escolher o vermelho e não ficar pensando, "e se eu tivesse escolhido o amarelo?". É exatamente isso! Eu tenho vários perfumes e muitas vezes uso dois de uma vez por não conseguir escolher um, e por ter uma necessidade absurda de novo, de mudança. Quando estou num bom dia, acredito que isso seja ótimo, ideal, perfeito. Mas agora, não vejo tão simples assim. Não sei explicar, ando com carência de palavras, e com uma angústia (será essa a palavra? Onde encontro um catálogo de sentimentos?) estranha, vinda de um conflito de mim para mim. Eu mesma acabei por me tornar pedaços. Tenho mania de me gabar dizendo que não me importo com o que os outros pensam. Não é bem assim, percebo agora, lembrando do que o outro disse, que só se importa com quem ele gosta, eu me importo com o que as pessoas de quem eu gosto pensem de mim. Não sei por quê, mas não quero que pensem que eu não gosto mais deles. E não é só isso. Eu odeio ser maltratada. Odeio que me tratem como idiota. E odeio que me tratem como coitada. Por isso me esforço para não tratar ninguém assim. Também por isso prefiro ficar longe das pessoas, não sei que horas alguém vai virar e me dar um golpe de falta de educação. Só que não sinto ódio, sinto nervoso. Ao mesmo tempo, não aguento mais, realmente não posso mais viver para os outros. Não dá mais, tem uma hora que enjoa, que chega. A hora é agora, e isso tem sido difícil, e um tanto quanto doloroso. Fiz um curso de neurolinguística uma vez e lembro-me que ele falava de pessoas que, diante de uma incapacidade, diziam eu sou assim mesmo. Isso, evidente, era um puta bloqueio que as impediam de progredir. Então fico me perguntando se não estou fazendo a mesma coisa. Porque eu sou assim, do jeito que sou, mas eu gosto de ser assim! Dá pra entender? Em outras palavras, é fácil ser eu, pelo menos pra mim. E ser assim, no meu caso, implica numa mudança também. Tando quanto eu sou, eu devenho. (devir=via a ser). Até aí, tudo bem. Mas eis que chega a sensação, o sentimento, o impulso, o instinto e a intuição. Chegam e indicam uma direção, mostram possibilidades e vêm de fora de mim. Não tenho como controlá-los. Posso raciocinar e escolher outra coisa, mas a "sensação" continua. Sabe quando a gente machuca o pé? Faz um curativo, faz tudo normalmente, sabe que não foi nada de mais, mas, a cada passo, a dor volta a doer. Posso "controlar" a interpretação da dor, da doença, a dor como meio de diagnóstico, mas não dá, sem anestésico algum, fazer com que ela pare de doer. Não dá. O inverso, idem, tente você, concentre-se e faça seu pé doer. Não vale dar um tiro no pé! Conseguiu? Tudo bem, exagerei na metafísica. Voltemos ao mundo prozaico. Sinto sono, um sono absurdo. Todos os dias às 10 e às 15 horas. É mais profundo que sono, e não consigo controlar. No trabalho, eu pesco na cadeira. Fico incapaz de escrever uma linha de texto. Tem dias que não consigo falar. É terrível! Apelo para o grande público, se alguém souber o nome de um chá, comprimido ou coisa assim, me digam. Café, que eu não gosto, não funciona mais. Coca-cola também não. Guaraná em pó, também não faz mais efeito nem com cinco ou seis comprimidos. A situação tá feia. E o pior é que nos dias de folga, acordar antes da 11 é motivo pra festa. Resultado: vários amigos dizendo por aí que desde que eu entrei na faculdade não liguei pra ninguém, e um monte (literalmente) de coisas pra eu ler. Livro, tem 3. De xérox, forma um quarto. Exercício de lógica, 38. Semana passada mudei para a casa da minha tia. Terça que vem limpo o apartamento e antes de acabar o signo de áries, entrego as chaves. Segundo meu pai, em quinze dias já poderei mudar pra Poá. Tanta e tão pouca coisa pra me deixar aérea, e com sono. Dançar está ficando cada vez mais distante, com esse sono todo tenho acordado meio dia, saindo às duas pra aula, chegando as seis e indo no cinema só pra não dormir, que se eu for pra casa, eu durmo. Depois, meu trabalho já encheu o saco, muito, muito, muito. Não dá, desculpe, mas eu quero trabalhar numa coisa que, além de eu gostar, eu trabalhe muito. Quero chegar as 8, sair às 18:30 e nem ver o tempo passar. Hoje, tem acontecido de eu chegar 08:30 não fazer quase nada o dia todo e exatamente às 18:20 as ocorrências chegarem. Resultado: não fiz porcaria nenhuma o dia todo e ainda perdi as primeiras aulas na facú. Aulas que por sinal começam a fazer falta. Uma merda! Aí, tento falar com o delegado e vejo aquela cara, de larga de ser folgada, trabalha um dia sim um dia não, não fez nada o dia todo e quer sair mais cedo justo hoje que chegou um flagrante com 99 indiciados? Seguido da frase, vc tira os terminais antes de ir, né? Para melhorar entraram uns estagiários novos, de direito, e eles não me cumprimentam. Eu falo Bom Dia e a cara de paisagem permanece. Será que dá pra perceber, sem nem falar comigo, que não sou fã de estudantes e graduados de direito? Minha raiva é pior porque quase todos os escrivães ou fazem ou fizeram direito, logo, eles são cumprimentados. E o Doutor, claro. Aliás alguém explica por que o bacharel em Direito recebe o título de Doutor? Ahn? Não recebe? E por que eles adoram se chamar assim? E o pior, o que é realmente pior é que esse nervoso todo vai apenas para um lugar: meu estômago. Através de um sorriso, que é quase um ranger de dentes, todo o nervoso vira uma bola de nada e cai no meu estômago. Se sábado é ainda melhor, porque eu não almoço e passo doze horas olhando para esta tela. E passando nervoso. Mas eu vou me me controlar, eu tenho que melhorar, ah, tenho. Estou procurando concursos fora da área de direito. Não tem. Simplesmente, quase todo concurso hoje em dia cai algum tipo de lei. Alguém por favor explica por que nós não temos nem lei nem legislação no segundo grau? E por que são pedidos em todos os concursos de segundo grau? Não dá pra entender, juro, não dá. Já que o momento é de catarse através da injúria total, eu quero que os velhos (pessoas que sabem tudo sobre tudo no mundo todo e a opinião deles não só está sempre certa como é sempre a única certa) explodam! Vão ficar contando fio dental! Só por eu estar conversando no telefone com uma amiga sobre esse lance de trabalho, lá vem um velho típico e me diz que eu não deveria reclamar tanto, que emprego tá difícil, que eu tenho uma colocação fixa, garantida, e que concurso público é tudo combinado e que eu tive sorte. Ah puta que o pariu!!! EU ACREDITO EM CONCURSOS PÚBLICOS! Tudo bem pra você? Não? Mas pra mim tá. E não vou atrás do funcionalismo pela estabilidade nem pelo salário, é pura e simplesmente pelo método de seleção. Se outras empresas fizessem seleções sérias com base em provas, e não em indicações, diplomas, bundas, peito e boa aparência eu também me arriscaria na iniciativa privada. Outra coisa, nas repartições públicas não há a ditadura do vestir. Sim, porque na empresa privada, dependendo da área, vc for de camiseta e jeans velho, vai vir um chefe dizendo da imagem da empresa, que não pode ir sem gravata e coisas assim. E vc pode ser demitido por isso. Sim, eu já vi acontecer. No funcionalismo público, vc pode dizer sorrindo, sou feio e mal vestido, mas faço o meu trabalho e sou concursado, tá? A ditadura da boa aparência e do que se considera vestir bem me irrita profundamente. Existem pessoas, eu por exemplo, que não sabem combinar roupas e cores, que quando passam maquiagem ficam parecendo o bozo, que odeiam por roupa que parece embalagem transparente. Tem gente que consegue ser feliz de jeans, camiseta, tênis, sem baton e sem pó. Tem gente que não, tem gente que sim. Um não é melhor que o outro, por que só um merece respeito? Mas, como eu dizia, lá vem o velho com esse sermão batido de não vamos reclamar da vida. Tudo bem, concordo a situação tá feia no país, no mundo. E, deixo bem claro, eu não estou reclamando da vida, estou apenas colocando os fatos que me fazem querer ir além. E pergunto, se eu só e simplesmente não reclamar da vida, o desemprego e a fome diminuem? E pergunto ainda, se eu ficar estagnada, significa necessariamente que um desempregado vai arrajar trabalho e ser feliz? E, não sendo suficiente, dizer que tudo está muito bem, que tenho tudo o que sempre quiz, que não há nada errado, tudo está bem, a vida é linda, o mundo é belo, se eu sair por aí dizendo isso, a miséria se torna menor? Aumentam os empregos? A fome dói menos? Se alguma destas respostas for sim, retiro tudo o que disse - Deus me livre de impedir que alguém seja feliz. Pensei, pensei, e concordo: o mal no existe, só a ignorância. O desemprego e a miséria toda existem porque os ignorantes querem se dar bem, ser melhor que os outros. Basta uma análise matemática. Se tem 10 trabalhos e 20 pessoas, cada pessoa faz 1/2 trabalho. Pronto. E o dinheiro? Diheiro nem existe! Vc já viu dinheiro? Não não, dólar, real, yen, não é dinheiro é apenas uma representação dele. Vc pode mudar nome, tamanho, cor. Isso não é o que a coisa é, apenas a representação. Dinheiro não existe. E não existindo, precisamos dele. Isso não é normal. Mas normal ou não, estou assim, levemente confusa, atordoada, entre textos, existências, justiça, conhecimento, pensadores, físicos, advogados, mudanças, imobiliárias, contas corrente, garrafinhas de coca-cola, copos de cerveja, desejos, beijos imaginários, carências reais, concentração, decisões, compromissos, amizades, cobranças e muito sono. E pra ajudar, a abraço em que quero me perder, é bem mais velho que eu, e pelo que tudo indica, é casado. Resumindo o texto, é, é uma merda mesmo. O jeito é rir! Comments: postado por: Romy Trinity2:25 PM
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