Tradução

Este é o meu espaço livre na MATRIX, onde posso depositar as emoções (e ilusões) da (minha) vida e brincar de jornalista, crítica, prêmio nobel da literatura... Escrevo não só por necessidade, mas também para entender o porquê, dela, de pensar o tempo todo, e de tantas palavras, tantos textos nascidos semi-prontos pedindo para gritar. E aí, quem sabe, alguém lê e me explica por que eu, e não só eu, com medo de ser decifrada, preciso tanto de tradução.



domingo, mayo 30, 2004

"Sim, sim, a listinha de novo. Sim, sim, já pensei em coloca-la no template. Não, não, não vou fazer isso agora."

Anjo em Fúria
Alcool com Açúcar
BlogsBurguer
O Sarcófago
A Verdade está... aqui
Big City girl
Neander Talk
The Dark Elf
Os Mágicos de Blogz
Balada de um Louco
Suum Cuique
Encefalopsia
Minha Memória
Angelica Liano
Malla´s Bloguer
Falando mal de quem merece

Comments: postado por: Romy Trinity11:07 PM


sábado, mayo 29, 2004

...

Passaram-se 23 dias e para mim, apenas um, o mesmo, 23 vezes.

Acordar, não comer, não achar nada, trem cheio, ônibus atrasado, delegado de cara feia, estagiário fofo me dando bom dia, bonitinho me abraçando, friends com um, chega o outro, cara feia do delegado de novo, não querer comer carne, não não ter carne, almoçar arroz com ovo, conferir se o relógio não me engana nem por um minuto, pensar que odeio o trabalho, sentir que preciso de outro trabalho, 18:00, E.R. ou faculdade?, mensagem de última hora, E.R., perguntar se tem algo mais pra mim, mais cara feia, sair, chegar na faculdade, rir de verdade pela 1º vez no dia, o prazer de aprender, o prazer de pensar, sentir falta de um outro tipo de prazer, pegar o trem, ir pra outra dimensão, estação Poá, chegar em casa, pegar o ônibus, chegar em casa, jantar sopa de mentira, ouvir minha irmã no telefone com o namorado, meu pai pedindo pra ela falar mais baixo que ele quer dormir, dar comida para os ratos, brincar com os ratinhos, tomar banho, dormir.

Abro os olhos, outra vez o mesmo dia, acordar, já é meio-meio dia, não comer, tomar banho, zanzar pela casa, pela cidade, fazer coisas desimportantes, 16:00, limpar gaiola dos ratos, arrumar o quarto, ouvir meu pai gritando que já são seis e vinte, tomar banho, sair, chegar no fim da aula, rir um pouco, a alegria de aprender, o êxtase de pensar, (um outro êxtase não seria má idéia), sair, pegar o trem, cochilar, estação Poá, pegar ônibus com vômito no fundão, ouvir minha irmã no telefone com o namorado, meu pai pedindo pra falar mais baixo, engolir qualquer coisa, dar comida para os ratos, brincar com o ratão, dormir.

Abro os olhos, ah não, de novo o mesmo dia! O frio no quarto todo, o quentinho das minhas cobertas, porque mesmo eu tenho que levantar? por que eu tenho que ir trabalhar? por que eu perdi a manhã de novo? por que é tão bom dormir quando eu tenho que acordar cedo? por que eu não durmo tão bem quando levanto tarde? por que eu não acordo cedo sozinha? o que eu vou fazer com esse monte de ratos? eu gosto do meu trabalho? eu preciso trabalhar! por que eu não abandono tudo e vou fazer medidicina? (vc sabe, tem a dívida no banco - três anos, né - o vestibular e vc vai precisar comer durante a faculdade) por que mesmo eu não comprei o carro? como o cara pôde me oferecer uma nota promissória em branco??? por que eu não tenho dinheiro pra fazer tudo o que eu gostaria? o que eu gostaria? é justo trabalhar e não ter dinheiro pra fazer o que quiser? por que eu tomo decisões financeiras com o coração e não com a calculadora? deveria ser diferente? por que eu sou impulsiva quando eu me ferro ou vou me ferrar? cadê a impulsividade quando eu preciso dela? por que voltar pra casa está sendo tão difícil? por que eu não me sinto em casa em lugar nenhum? por que eu não fui mais ao cinema? por que tudo está tão longe, parecendo tão difícil? por que eu aceitei isso tudo de novo se eu já sabia? (o impulso, o coração...) por que tem rotina no meu trabalho? Eu não trabalho na polícia? por que não abre um concurso legal pra eu fazer? por que eu sempre chego atrasada nos lugares? não acredito que perdi de novo a primeira aula! por que eu não estou mais saltitante com o 10 em filosofia da história antiga? por que a alegria durou só dez segundos? deveria ser diferente? por que eu acho que vou me ferrar nas provas semestrais? por que é tão difícil estudar em casa? por que sempre foi assim? acho que vou ficar desnutrida, não posso, não deveria, mas eu não quero comer, por que eu não descubro o que eu quero comer? por que o bonitinho me abraça? por que o fofo vem me pedir pra ver se a barriga é tipo tanquinho? Eles não têm noção do perigo???? por que os mesmos estagiários têm namoradas? por que eles precisam falar delas? não seria pior se eles não falassem? Pelo menos eu tenho o E.R. pra me lembrar o que eu penso que realmente quero? por que eu não largo tudo e vou fazer medicina? Adoro estudar filosofia mas será que eu deveria entender tudo tão rápido? por que eu não escrevi as coisas que estavam na minha cabeça e agora se perderam? o que mais eu perdi assim? Preciso de um trabalho em que me realize, acho que gosto do DP, acho que não, não, não sei. Como é bom uvir alguém dizendo exatamente o que eu sinto: parece cocaína, mas é só tristeza...

Como é possível sentir saudade de tudo o que eu ainda não vi? Como é possível ser realmente assim? Se eu não namorei, sentir saudade de um abraço, batata dividida, cinema a dois, Ibirapuera no domingo, dormir no ombro, o rosto no macio do moleton, os cantos escuros das estações do metrô, descobrir o que os namorados tanto falam no telefone, filme no sofá, calor no frio, olhos nos olhos, piadas de ciúmes bobos, beijo de boa noite, não ver mais ninguém, ficar de cama por uma dor no mindinho, fazer planos de viagens, viajar junto, dormir junto, ser dois tão diferentes e um tão especial, exultar com uma tarde sozinha sem as amigas, com as amigas, falar nele, não falar, encontra-lo de repente, descobrir uma hora livre... até do fim eu sinto falta.

E o dia, aquele mesmo, ainda não acabou, chegar em casam, se perguntar o que é que estou fazendo, só tenho 23 anos, tão velha, tão jovem e me resta tão pouco tempo, acho que vou largar tudo e fazer medicina, não, vou terminar a faculdade, viajar e quando voltar fazer medicina, ou não viajar e fazer medicina, não, eu preciso viajar. Viajar e depois medicina, talvez até na Espanha mesmo. É, é só uma hipótese. Acho que vou comprar o carro, preciso de uma frestinha da sensação de liberdade senão eu enlouqueço, eu sei, mais uma vez não há dinheiro, eu dou um jeito, só não posso mais que o seguro de vida, deixar dívida é sacanagem, tenho que guardar dinheiro pra medicina, mas também não dá pra vegetar até lá, pensar que tudo o que for fazer está há meia hora, mais ônibus, trem, jangada, que funcionam das cinco à meia noite, que lierdade é essa com hora marcada? Então acho que vou comprar o fusca que meu pai viu. Tadinho, eu tratei ele tão mal esses dias. É, vou comprar. Não vou. Vou sim. Não, não vou ter como manter o dito cujo. Eu dou um jeito, eu sempre dou um jeito. Droga, uma da manhã, vou dormir e torcer para que amanhã seja um outro dia.

Finalmente, ontem foi.

Comments: postado por: Romy Trinity2:12 PM


miércoles, mayo 05, 2004

COM SEIS LETRAS? F-O-D-A-S-E

Antes eu pedia desculpas, explicava cada termo, eliminava ambiguidade, negava até a morte a segunda intenção. Ninguém acreditava, ninguém entendia.
Agora, não peço desculpas, mantenho o duplo sentido. Não sei alguém acredita. Não sei se alguém me ouve. Não importa, a loucura que me é atribuída me deu asas para voar. Simples e sozinha. É um preço alto, concordo, mas em vista do outro, parece oferta.

Comments: postado por: Romy Trinity5:12 PM


O TEMPO

Já parou pra pensar o que o tempo faz com a gente, com o mundo, com tudo? Eu sei que o tempo não existe. Não quero começar nenhuma discussão físico-filosófica, ou algo assim, só estou dizendo, que por mais que acredite no tempo, esteja presa no seu conceito, e utilize suas delimitações, eu sei que o tempo não existe. Eu sei porque nunca vi o Sr. Tempo andando por aí. Também não consigo pensar no tempo sozinho, isolado do quer que seja. Tampouco qualquer sensação exata de tempo: as horas às segundas-feiras passam absurdamente diferente das horas às sextas-feiras. Se for sexta de carnaval e segunda depois da Páscoa, então nem se fala! E mesmo assim, não existindo, o tempo, faz coisas incríveis com as pessoas, com o espaço, com os sentimentos, com o próprio tempo.

Há um ano, mais ou menos, eu comecei esse blog. Um ano! Não sei a data ao certo, acho que foi no final de maio ou no começo de junho, não sei, não me importo muito com as coisas que não existem. Mas foi há quase um ano, com certeza. Como pode? Parece tão velho, tão coisa de adulto dizer que faz dois anos que trabalho onde trabalho e e quase um que tenho um blog... por que eu ainda não perdi essa fobia aos adultos? (Sei lá, espero não perder nunca). Então vou dizer que o blog ainda é um bebê. Pronto.

Mas por que mesmo eu comecei a falar disso? Ah, pensava nas coisas diferentes, nas coisas que mudam, nas que eu queria que tivesse mudado, no próprio blog, na minha vida, no meu rir, no ano corrente, nos projetos no futuro, nesse imenso ponto de interrogação aqui no meio do caminho. Tava aqui pensando...

... ainda quero mudar o template do blog, mas de forma diferente da que eu queria antes
... como a lista de blogs favoritos mudou
... como minha própria forma de escrever mudou mas ainda parece a mesma
... que este ano tem só oito meses pra tentar alcançar o título básico de "valeu a pena" e ainda está longe disso
... será que eu fiz a escolha certa voltando pra casa?
... o que é que eu fiz da minha vida?
... o que é que eu vou fazer amanhã?
... como me manter lúcida
... cadê aquele meu entusiasmo todo? Onde estão sensações que fazem de mim o que eu sou?
... Porque agora tem só essa casca aqui? Cadê o meu recheio?
... que afinal de contas, a opinião dos outros não é tão importante assim. Será que eu consigo me livrar? Será que eu posso viver 100% sem isso?
... estou cansada desse pesar todo, não queria ninguém que carregasse por mim, queria só que desaparecesse e eu voltasse a saltitar nas estações do metrô
... eu não vou me tornar uma adulta amargurada, ranzinza nem mal-humorada!!! (velhinhos ranzinzas até são engraçados, mas por muito pouco tempo)
... tenho que controlar minha vontade de inexistir
... conseguiremos Trinity, com calma, conte comigo, um, dois, três...

Mas eu quero agora!!! Quero tudo agora!!! É isto que o tempo faz comigo: me corrói com ansiedade! E quando ele se junto com seu outro amiguinho inexistente, o dinheiro, é uma violência o que se passa comigo!!! É uma violência, porque quero acreditar que não devia ser tão ruim assim, nem tão doloroso, nem tão lento, nem tão rápido.

Onde estava a pessoa que eu era, que era eu ontem? Aquela pessoa que sabia outros pronomes além de eu, meu, minha? Por que as pessoas acreditaram que eu era exatamente o que eu estava dizendo o que não era e agora me agridem por eu ser assim? Como o gosto por ouvir se tornou uma necessidade de calar? Como o contrário também pôde ocorrer? O gosto de falar transformado em não saber o que dizer?

Ahhhhhhh! Galera do Inexistente: por favor me tragam de volta! Eu não sabia quem eu era, mas é aquele não saber quem eu era sendo alguma coisa que eu quero, e não, esse não saber oco, não sendo nada...

(Acho que fui abduzida, não me lembro de ter escrito um texto tão ruim assim há muito tempo)

Comments: postado por: Romy Trinity5:10 PM


sábado, mayo 01, 2004

HÁ TEMPOS

Um poeta* me consola nestes dias de estranho frio e suores incontroláveis. Esse poeta, ausente, é tão produndo no consolar que não sei mais se fala dele, se fala de mim, com a minha voz, com as palavras dele. Não sei, não sei. Sei que este consolo serve porque encaixa perfeitamente no meu ser, no que sinto quase que exatamente assim, e porque ele não tenta me fazer feliz, nem nada, ele senta ao meu lado, dedilha o violão é faz a mais bela serenata que se possa imaginar. E imaginando mantenho a dúvida entre o que é vida, o que é sonho, e pelo benefício da dúvida, me inocento. Não, apenos adio a decisão. E há tempos, há muito tempo, é assim.

Parece cocaína, mas é só tristeza, talvez tua cidade. Muitos temores nascem do cansaço e da solidão, e o descompasso e o desperdício são agora herdeiros da virtude que perdemos.

Há tempos tive um sonho, não me lembro, não me lembro... Tua tristeza é tão exata, e hoje em dia é tão bonito - já estamos acustumados
A não termos mais nem isso. Os sonhos vêm, e os sonhos vão, o resto é imperfeito.

Disseste que se tua voz tivesse força igual, à imensa dor que sentes, teu grito acordaria, não só a tua casa, mas a vizinhança inteira. (Estou acordado e todos dormem, todos dormem...)

Há tempos nem os santos têm ao certo a medida da maldade, há tempos são os jovens que adoecem, há tempos o encanto está ausente e há ferrugem nos sorrisos, e só o acaso estende os braços a quem procura abrigo e proteção.

Meu amor, disciplina é liberdade, compaixão é fortaleza. Ter bondade é ter coragem, e ela disse: Lá em casa têm um poço mas a água é muito limpa.


Onde está o amor? Não tenho disciplina, liberdade se esvai, minha compaixão hipócrita é minha fraqueza. Só me restava a coragem. O que mais vão me arrancar?

* Renato Russo, Há tempos.

Comments: postado por: Romy Trinity2:34 PM



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