Tradução

Este é o meu espaço livre na MATRIX, onde posso depositar as emoções (e ilusões) da (minha) vida e brincar de jornalista, crítica, prêmio nobel da literatura... Escrevo não só por necessidade, mas também para entender o porquê, dela, de pensar o tempo todo, e de tantas palavras, tantos textos nascidos semi-prontos pedindo para gritar. E aí, quem sabe, alguém lê e me explica por que eu, e não só eu, com medo de ser decifrada, preciso tanto de tradução.



sábado, junio 26, 2004

Post integrante das séries
* Coisas que a Trinity sempre quis escrever
* Coisas (e títulos) que a Trinity escreve sempre no blog.



METABLOGAGEM - PARTE I

É possível que alguém pergunte porque eu coloco aquelas listas de blogs aqui de vez em quando. Afinal, seria muito mais fácil se ficasse no template como blogs indicados, não ia precisar ficar o tempo todo postando, nem ficar procurando na página onde é que está. Será que essa Trinity não sabe fazer isso no template? Cada um, cada um, vai entender.

Primeiro, o lance do template. Eu gosto de mudanças, e embora eu goste muito deste, não quero esperar o time perder pra mudar. O problema é que não encontrei um tão leve e simpático como o atual, sem contar as as malinhas que são... providenciais, eu diria. Era pra começar o ano com cara nova, e o Tuco até fez um template especial pra mim, deixando a cor do fundo do texto clara, mas predominando o ambiente Matrix com a foto da Trinity. Lindo, adorei mesmo, só que o template não quis funcionar. Conversei com ele(o template), o Tuco fez de tudo pra gente conseguir publicar, e nada. Aí, o tempo passou, e eu quero uma outra coisa, mas faço questão de registrar minha eterna gratidão ao Tucus pelo trabalhão que teve.

Saí a navegar e ainda não encontrei um template "é esse". Tentei, tentei encaixar umas colunas no atual, mas até agora, as empreitadas têm sido desastrosas. Como ainda não existe o sapato que imagino, o perfume que eu gosto, nem o template que se encaixe, vou continuar assim, odiando sapatos, trocando de perfume toda hora, e com o mesmo papel de parede básico por aqui.

Ponto dois, as vantagens. Poder sempre renovar a lista, manter o links atualizados, por e tirar blogs toda hora, organizar a ordem de entrar nos blogs, e a sempre bem vinda dinâmica da situação. Explicito porém que não é um mural de hipocrisia ou de troca de favores. Não é porque a PatyDengosa me linkou, que estou linkando ela também. Para cada blog da minha lista tenho algo a dizer, e inspirada no Mágico de Blogz, é exatamente o que vou fazer logo abaixo. Aliás, por falar em linkar, outro fenômeno que não manifesto por pura obrigação social (que disso eu já tô de saco cheio no mundo real), é os comentários (é concorda com fenômeno).

Sim, sempre que alguém deixa um comentário, claro que eu vou visitar o blog do cara, por alguma educação e muita curiosidade. Já que estou lá, deixo um comentário agradecendo a visita, pois, parafraseando um colega da faculdade, "além de linda e inteligente, eu sou muito educada". Veja bem, comentário de agradecimento, e não, nunca não, um elogio sem sentido ou sem verdade. Exemplo: A PatyDengosa deixa um comentário aqui pela primeira vez, eu vou no blog dela, e ela tem um post falando da poesia do pagode brasileiro e que o Belo é lindo. Não vai dar pra comentar que "é lindo mesmo, o blog é demais, valeu por passar lá no meu e talz, kiss", não mesmo. O comentário que eu deixaria seria algo do tipo "interessante o Belo ser lindo. Valeu pela visita no Tradução.". Como sou meio sorridente aqui fora, me dou ao luxo de ser grossa vitualmente, tá. E só pra concluir, caso a PatyDengosa voltasse, eu ficaria feliz por alcançar mais uma leitora, mas eu não voltaria a entrar lá.

TO BE CONTINUED...

Comments: postado por: Romy Trinity6:39 PM


jueves, junio 24, 2004

BARATINADA

BARATINADA

Sabe o que é uma barata tonta? Não? É tipo cego em tiroteio, sabe? Ainda não? Então vou te contar uma historinha.

Imaginemos uma funcionária, Triny, vamos chamá-la assim. Um dia Triny vai trabalhar e no serviço dela chegou um monte de gente nova. Mudou o chefe dela, o chefe dos investigadores, um ou dois escrivães, e uns três tiras. Ahn? Sim, ela trabalha numa delegacia. Não, ela não tem arma, nem algema, nem anda de viatura. Sim, ela é polícia de verdade, mas é como se fosse de metirinha. Olha, é só uma história, tá?

Continuando, Triny chegou atrasada, mas mesmo assim, antes das pessoas novas. As pessoas novas entraram, mas ninguém foi falar com ela, talvez porque ela ficasse quietinha no canto dela, ou porque sua salinha é meio escondidinha. Mas pra ela isso não tem importância, desde que ninguém encha o saco, tudo bem.

Ela sabia que chegariam pessoas novas, e pensou que identificaria os chefes pela cara de chefe, por estarem atrás de suas respectivas mesas e por usarem gravata, coisas de chefe. A primeira providência de Triny pela manhã é entregar uns papéis para o chefe dos escrivães, mas ele não estava atrás da mesa, então ela deixou lá, sobre a mesa vazia. E o dia foi passando, sem que ela conhecesse os novos chefes, o que é importante, afinal, vc tem que saber quem manda em você, com quem vc reclama, e de quem, em hipótese alguma, vc deve reclamar em público. Depois, quando mais cedo se apresentasse, menor seria a imagem de que ela estaria se escondendo.

Aí, no meio do dia, chegam duas mensagens para o chefe dos escrivães, e um recado para o dos investigadores. Triny respira, caminha até a sala do chefe dos escrivães, rezando para que ele esteja atrás da mesa, que é onde os chefes devem estar, mas, o inesperado acontece e tem quatro homens na porta da sala. Todos com cara chefe! Todos de gravata! E nenhum atrás da mesa! Ela tenta fingir que não é com eles, mas a folha de papel na mão a denuncia. Então faz cara de quem sabe o que está fazendo, encara os quatro, e ao que sorri primeiro ela diz "Oi chefe". Ufa, era um chefe, pelo menos disse oi. Como estavam na frente da sala dos escrivães, pensou que era ele, entregou os papéis, explicou o que era, e saia triunfnte, quando, de repente, não mais que de repente, ele diz "hei, vem cá me esclarece uma coisa". Ela vira-se, o segue e eis que ele entra na sala... da chefia dos investigadores!!! (Pelo menos o recado ela deu pra pessoa certa.)

E o dia acabou e Triny tirou mais duas cópias de cada mensagem, deixou em cima da mesa que nunca tinha um chefe atrás e foi pra casa sem saber o nome nem a cara de seu novo chefe.

Moral da História: Quem é perdido, perdido é.

Comments: postado por: Romy Trinity12:08 PM


lunes, junio 21, 2004

Esse post era pra ser apenas um comentário sobre o megapost do JL...


POSTERIDADE


Acredito que, infelizmente para minha família, alguns vão me enterrar sim. Tudo bem viver bastante, curtir a vida, mas do auge da minha ignorância-pseudo-filosófica-de-vinte-e-poucos-anos, não vejo nada de poético ou proveitoso em estar viva aos 89 anos, sem poder tomar um porre, ficar duas noites sem acordar, pular de pára-quedas, fazer o que eu quiser. Sem contar no lance de que os homens vivem menos, então quantos velhinhos, sarados, divertidos e na "ativa" eu vou encontrar por aí? Não, obrigada, eu quero viver muito, aproveitar muito a vida e párar por aí. Uma parte da minha família se diz espírita, então eles tem que entender...

Como quero ser lembrada? Como uma lembrança que traga algo de bom, nem que sejam boas risadas. Por mais tristeza que eu sinta, não é isso que eu quero deixar por aqui.

Rituais funerários? 1º e mais importante, sem flores. Não me interessa, por favor, sem flores. Eu não gosto de flores agora, não vou gostar quando eu morrer. Claro que sei que a família não vai entender, e sei lá se alguém vai ouvir meus amigos (vc tá certo JL, os amigos fazendo o enterro seria bem melhor que a família). Nunca esquecerei o que meu amigo me pediu pra por na lápide dele, e quando ele morrer, mesmo que ninguém dê importância, foda-se, eu vou de madrugada lá e escrevo eu mesma. Não importa que hoje ele não seja mais meu melhor amigo e que tenha mudado um pouco, um pedido desses não se perde no decorrer da vida.

Sem flores, ok? 2º e não menos fundamental: sem crucifixos. Nenhum. Muito menos aqueles de contas e com a imagem de Cristo. Vc é cristão? Bom pra vc, mas eu não quero competir com Jesus. Ele sofreu pra caralho, muito mesmo, naquela cruz, não concordo e não concordo(acho que já falei isso aqui) em tornar símbolo um instrumento de tortura. Pode por foto de Jesus, que eu pego bem com o cara - o maior revolucionário cabeludo, mas não de cara feia, então se não tiver uma simpática, nem põe. Quer enfeitar o lugar? Poster da Legião, bandeira dos Engenheiros, do Nightwish, da Ana Carolina, Zélia Dunkan, do E.R., foto do Di Caprio (mas as do Titanic, não essas que ele tá barrigudo),da Santa Casa de São Paulo, do pôr-do-sol na Prainha Branca, da avenida Paulista, aquela foto/ desenho de Iemanjá toda de azul no mar, que eu acho linda, alguns desenhos de divindades egipcias, poesias, letras de música, e o que mais quiserem, mas Jesus crucificado, ou santo sofrendo ou matando alguém, não.

Outra coisa, sem velas. Esse post não é piada não, é pra ler e guardar.
Primeiro porque eu odeio cheiro de vela. Se for obrigatório pôr vela, tem que ser perfumada, se não, não. Tem que iluminar o local? Luz negra, lanterna, lampadas coloridas, canhões de luz, espelhos refletores, o que quiser, velas não. Segundo porque acho uma pena a idéia da morte como obscura, tenebrosa, dolorosa, se instalar tão cedo nas pessoas, então imagine que uma criança passe ali, e veja meu velório, quero que ela, se entrar, veja, que não é nada demais, é como uma festa.

Festa? Sim, uma festa. Por quê? Porque eu tô indo nessa, não vão me fazer festa de despedida??? Por isso, o meu velório vai ser num estilo próprio, meio que "a la nigeriano". Num velório nigeriano, fazem tudo que o morto gostava no último dia antes do enterro para que ele não fique preso aqui (tem um dia que todo mundo chora, mas eu vou cortar essa parte), pois bem, no meu também, por favor. Só tirar foto não que é meio bizarro. Meus amigos tem autorização pra encherem a cara. Podem me enterrar bêbados, eu não ligo.

Que mais? Ah, o corpo. Bom, eu ainda não sei. Os órgãos podem doar todos. Em todos os meus documentos está escrito DOADORA DE ÓRGÃOS. Tudo, dôo tudo. Mas, eu não gostaria que meu corpo fosse para uma faculdade de medicina, porque a primeira vez que fui no necrotério da faculdade, os rostos e as características das pessoas mortas e conservadas ali me assombrou por muito tempo. Sonhava com elas, via na rua. Horrível. Não quero assombrar ninguém, não involuntariamente pelo menos. Eu não gosto de cadáveres. Farei medicina, passarei por isso, mas eu não gosto, fazer o quê. Não gosto de cadáveres, nem de velórios, nem de caixões, muito menos de cadáveres em caixões em velórios. Nem chego perto. Não gosto. Se quiserem me enterrar, podem me cremar. Se quiserem me cremar, podem me enterrar (mas não no cemitério vertical).

As minhas crenças espirituais e religiosas são meio confusas. O que estudei no espiritismo ficou muito forte em mim, porque muito do que ouvi ali era dotado de racionalidade, até mesmo porque os três pilares do espiritismo são religião, ciência e filosofia. São três forças agindo ao mesmo tempo, e é difícil, pelo menos pra mim, desconstruir aquilo. Saí porque a religião me enchia o saco e eu comecei a me sentir desconfortável no meio de tanta fé, e de pessoas se achando melhores que as outras só porque a fé delas tinha um fundo racional. Fé é fé, e pra mim é inexplicável e inconcebível. Só que eu não consigo conceber que Deus não exista. Ao mesmo tempo, não posso simplesmente acreditar que existe e pronto, é assim, se eu não posso provar, como eu vou acreditar? Baseada só na sensação? Nem preciso citar a galera toda que critica o conhecimento com base única da sensação, nem tudo o que a gente sente é verdadeiro. Por isso, adotei o termo agnóstico, até achar uma resposta melhor. Da mesma forma acontece com o que penso que sei sobre a alma, reencarnação, misticismo, magia e por aí vai. A minha sensação se confronta (de forma estrondosa) demais com a minha razão.
Daí, tanto quanto eu quero viver, eu quero morrer.

Eu quero vier muito intensamente, fazendo tudo o que eu gosto, mergulhando de cabeça. Porque pode ser que os espíritas estejam certos, e eu reencarne. Mas também pode ser que não, e eu fique a eternidade toda sem poder voltar e tomar um copo de vinho e comer pipoca de microondas sabor manteiga. E pode ser que não exista nada disso, a gente morre e puf, pronto, viveu, viveu, não viveu, azar o seu. Ou pode ser que não seja nada disso (que é o mais próximo do que penso acreditar). Viver tem que valer a pena, por que não dá pra ter certeza do que acontece quando apagam as luzes, se é que fica tudo escuro mesmo, vai saber. E é exatamente por querer aproveitar a vida, que eu desejo a morte, pra acabar logo com o mistério, sabe, missão cumprida, próxima fase. É um dilema estranho, muito estranho.

De qualquer forma, há muito eu queria escrever isso, e não sabia como, quando li o que o JL escreveu tudo fluiu, escerevi sem ter idéias pesadas de morte na mente, acho que assim foi melhor. Outra coisa que eu quero comentar do post: sim numa situação de morte, como a do pai da sua amiga, é verdade que quase todo mundo se põe no lugar. Mas no lugar do morto. Experimentem se colocar no lugar dos vivos. Quando o pai de uma colega do teatro morreu, e a gente soube que foi nos braços dela, eu me coloquei no lugar dela. Só o que oude fazer foi abraçá-la bem forte. Não há o que dizer. Eu sinto muito? Sente o quê? Por que se fosse meu pai ou um dos meus irmãos ali, eu tinha que bater em alguém, sairia correndo pelas ruas até minhas pernas cairem. Se fosse um dos meus melhores amigos eu ia querer bater e xingar alguém. Beberia muito. Não importa se se sente muito quando não é com você, não se sente o bastante. A simples idéia me faz escrever em lágrimas, porque não é uma possibilidade. Não mesmo. Sou egoísta o suficiente pra não cogitar isso, nem enunciar.

A morte, na teoria, é muito poética. Na prática não, embora a vida o seja. Não sei o que escrever na minha lápide. Filha amada, não, por favor. Gostaria que fosse uma frase minha mesmo (será que a pretensão de filosofar não renderá sequer uma frase para a minha própria sepultura?). Se não fizer nada até lá, uma do Renato Russo, Fernando Pessoa, Humberto Gessinger, ou outra. Se nenhuma se encaixar, deixem apenas, Trinity. E em letras bem pequenas, no canto inferior esquerdo, www.trinityohara.blogger.com.br. Tradução.

Comments: postado por: Romy Trinity3:08 AM


sábado, junio 19, 2004

TORNEI-ME UM ÉBRIO

Um dia alguém vai ter que me explicar qual a graça de beber. Só explicar não, vai ter que desenhar, fazer gráficos, esquemas, cantar musiquinha e apresentar encenação, porque tomar um negócio que nem tem um gosto tão bom assim, ficar de leve a absurdamente tonta, acordar no dia seguinte sem saber muito bem onde estou, quem sou eu, num segundo momento, rezar, pedindo pra não ter feito nenhuma besteira no dia anterior, e ainda ficar algumas horas com o cérebro balançando dentro da cabeça e o estômago em dúvida se quer ou não continuar a ser estômago, ora negando a simples idéia de comida, ora querendo comer o mundo, não tem tanta graça assim, principalmente se no dia seguinte a gente tem que trabalhar. E depois que esse abnegado ser desistir, e aceitar que eu não entendo mesmo, ele vai ter que me explicar porque foi que eu fiz isso ontem.

Segunda, prova do Floriano. Graças à prova, provarei o que Sócrates refutou: Sim, conhecimento é sensação. A sensação de que me ferrei legal e que mais que cinco eu não tiro mesmo, será confirmada em quinze dias. Assim, a sensação ratificada pela caneta vermelha do professor, levar-me-á a estudar mais no segundo semestre, porque DP siginifica pagar faculdade e isto não é uma opção, então conclui-se que: sensação (de se ferrar hoje) = conhecimento (no 2º semestre). Pena Platão e Sócrates terem morrido... Saí da prova e fui comemorar a descoberta filosófica tomando um copo de vinho frio (o quente tinha acabado) e comendo o maravilhoso pastel de atum com queijo da terceira barraquinha, nossa, muito bom.

Como "meus dias são de par em par, procurando agulha no palheiro", quarta-feira foi dia da de Lógica. Hahahaha, é o que cabe ser dito. Tendo feito o trabalho na terça a noite com os meninos, e meio litro de cerveja, a gênio que vos fala saiu de casa mais cedo, e ainda no trem, resolveu verificar uma coisinha na mochila e o que é que ela não encontra? Isso mesmo! O disquete do trabalho! É necessário dizer que chegou na prova 1 hora atrasada? Foi a minha primeira psicografia lógica, nunca escrevi tão rápido coisas que eu nem sabia muito bem porque é que eu estava escrevendo, mas acredito, espero, rezo, imploro ao grande Murphy, que pelo menos cinco eu tenha tirado. Então, fui pro bar tomar meu copo de vinho pra agradecer a descoberta da mediunidade, e fiquei um tempo lá conversando.

Quarta-feira merece um apêndice especial, foi um dos dias mais felizes desde que voltei pra Poá. Foi exatamente como na música, "ontem a tarde foi um dia bom, sai pra conversar com meu pai, falamos sobre coisas da vida e tivemos um momento de paz" (Renato Russo, Esperando por mim, CD A Tempestade). Finalmente meu pai me perguntou se eu estava me adaptando. À noite, depois do bar, andei até o metrô conversando com o Belchior (sempre que ouço lembro desse cara) e ele expandiu absurdamente meus horizontes com duas perguntas e outras idéias. As perguntas? Compensa (ou vale a pena, não lembro) pagar isso no fusca? e Por que vc quer fazer o caminho de Santiago?. Pensei muito no assunto depois, e descobri que eu não quero nem uma coisa, nem outra. Senti uma liberdade diferente, como se eu pudesse realmente ter um novo dia amanhã. Um dia, quando eu deixar de ser tonta, agradecerei a ele o bem maravilhoso que ele me fez de forma tão simples e desinteressada.

Sexta-Feira, Introdução à Filosofia, essa eu acho que fui bem, pelo menos um sete deve sair dali. Aí, claro, bar. Como terminei tarde a prova, cheguei quando um pessoal tava indo embora (minha especialidade), mas pedi uma cerveja, e fiquei conversando com quem restou. Na segunda garrafa, foi todo mundo embora, ficou só o Dion. Sei que a gente sentou na mesa, pedimos a terceira, e conversamos, cara, a gente conversou muito. Falamos de filosofia, faculdade, o espírito do nosso tempo, os chatos de 40 anos, os legais mais velhos, USP, datas, limites, idealismo, niilismo, metas, suicídio, Platão, tanta coisa e tanta coisa que eu não lembro direito, que eu já tava segurando a parede pra ela não rodar, veio a quarta e última garrafa, e acabamos saindo dali dez pra meia-noite. Foi muito bom, não sei há quanto tempo não conversava assim com alguém, sabe sem falar de namorado, ou do meu trabalho, ou só de mim, ou só de lembranças, e talvez por causa da cerveja, eu não fui me empolgando, conseguia terminar um pensamento sem atropelar o próximo e sem fazer um discurso.

Dessa semana, que começou depois de um tenebroso 12 de junho, foi, ainda é, recheada de vida. Mesmo que uma parte dessa vida esteja escondida na minha desmemória alcóolica, a sensação que sinto agora, de estar vivendo, trilhando o meu caminho, ressucita meu ser, e o que eu pensei que seriam tímidos raios de sol depois de uma noite escura, acabou por se transformar numa refulgente aurora colorida.

E como, se eu terminasse ali, seria um final muito melancólico pro meu ânimo atual, termino dizendo, que sexta à noite foi muito bom, mas sábado amanheceu claro demais, e muito barulhento! E isto não é nenhuma metáfora não, é pseudo ressaca mesmo! (Pseudo porque durou só duas horas, quando cheguei no DP já tava bem).

Comments: postado por: Romy Trinity11:50 AM


sábado, junio 12, 2004

SUPEREGO DESCONTROL

Pois bem, não contém a ninguém, mas eu acho que preciso de ajuda médica.

Os sintomas? Bom, tipo assim, mesmo sabendo várias advérbios de modo, e sabendo que "tipo assim" acaba não significando nada, eu uso muito tipo assim. Tipo assim, tenho medo de que a doença evolua e eu comece a estar falando gerúndios triplos que alem de serem estremamente difíceis de estarem podendo se formar, são horrorosos. Mas leiam bem, eu não cheguei nesse estado ainda... Depois eu tenho altas e baixas abusrdamente intensas e curtas de humor.

Tipo (olha aí, ó), quando levantei achei legal a minha cara estilo Abby do E.R. (Plantão Médico), ou seja, cara de "meu, tô só o bagaço, três dias seguidos de plantão de 12 horas". Fiquei feliz com a minha cara tenebrosa e o cabelo sujo/ embaraçado/ quebradiço. Quando saí pelo portão eu era o ser mais infeliz, triste e mal compreendido do planeta. Eu queria morrer. Quando cheguei no trem tive vontade de chorar, porque a única coisa que eu queria no mundo todo era um lugar pra sentar, ouvir o discman e dormir até a minha estação. No metrô, comprei mini bombas de doce de leite com cobertura de chocolate, mas não comi porque não me sentia triste o suficiente. Descendo na Sé, comecei a comer as bombas e fiquei triste porque minha hipófise estava com defeito e não liberava a serotonina, e como não sentia alegria nenhuma com o chocolate concluí que minha vida sexual estava acabada e em 10 anos eu seria uma adulta mal-humorada achando que hoje em dia tem muita semvergonhice, onde já se viu duas pessoas andando de mão-dadas. No ponto de ônibus, enquanto tomava um suco de laranja, tinha certeza que se havia algo que me faria feliz este algo era pegar a balconista pelos ombros, chacoalhar (é assim que se escreve isto?), e gritar que todos os dias eu passava ali com fome e nunca tinha ninguém no balcão, aquele suco estava com gosto estranho, pra me dar logo meu troco e que não é porque ela descorbriu que eu trabalhava na polícia que eu tinha que ficar dando explicações sobre como fazer pra tirar atestado, se o primo dela vai ser inocentado ou não, e nem como se faz pra conseguir laudo do IML, ela que procurasse o advogado. Depois, eu sairia correndo e gritando e beijaria o primeiro cara bonito que passasse na minha frente (o beijo foi o único final plausível que encontrei para a cena). Mas como eu sou uma moça certinha, ouvi a moça do bar e cheguei meia hora atrasada (além da uma hora que eu sempre chego).

Calma, não acabou aí. Quando cheguei no DP estava normal. Aí fiquei feliz porque a equipe de plantão não era muito chata. Quando abri a porta da minha sala, queria sair dali de qualquer jeito, que eu não aguento mais aquele lugar. Sosseguei um pouco e trabalhei um pouco menos. A Scully me liga e eu fiquei muito p*** com a situação que ela está passando, cara, é horrível quando tratam a gente como "café-com-leite", se na quarta série era ruim, imagina agora! E o pior, é que a gente sabe que não adianta ela falar com os caras, porque eles vão reponder, ou pensar que dá na mesmo, vc deveria ser imensamente grata por a gente deixar vc brincar de polícia, afinal vc é novinha. É uma mulher né, deveria estar de minissaia digitando relatórios e deixando o serviço da rua, coisa de homem, pra gente fazer. Tenho quase certeza que eles diriam isso, a maioria dos policiais acham o machismo um absurdo, desde que mulher nenhuma pegue um revólver e dê mão-pra-cabeça.

Depois que desliguei o telefone fiz uma coisa estúpida, bem idiota mesmo. Fiz o que consegui evitar fazer por dois anos, e que avisaram na academia pra não fazer, mas o delegado me pegou numa fase boa, em que eu acredito em todo mundo, e eu puxei uma lista de mais de 30 placas. Pior, da forma mais idiota, uma atrás da outra. Depois que eu imprimi, se é pra fazer burrada que seja completa, percebi que todas as placas eram do governo. Aí, sondando daqui e dali, que só sou sonsa quando não precisa, descobri que certas informações sobre essas placas seriam o pivô de um escândalo que vai estourar na época das eleições, agora no final do ano. Às tais informações eu não tenho acesso, mas o acesso a elas se dá pelo RENAVAM, que conseguiram com a minha pesquisa. Legal né? E o caras que estavam como o delegado ainda tiveram o cuidado de copiar as informações e rasgar os papéis, mas eu sei que basta um ofício do juíz à PRODESP solicitando que "se verifique todas as consultas, em qualquer terminal do estado, sobre quaisquer dados, referente aos veículos abaixo discriminados", para os caras chegarem até mim. Fodeu. Já vejo a manchete: "Policial envolvida em escândalo mantinha dívidas como aparência, e nega ter recebido propinas". Fodeu mesmo. Minha carreira acabou. Acho que vou pedir pra colocarem o endereço do blog na legenda da foto, quem sabe eu não faço um filme depois. Oh não, acabo de confessar tudo!

Tudo bem, mas foi só isso? Sim, hoje. Ontem antes de sair do DP olhei no blog e o JL tinha, gentilmente, deixado os dados do livro dos Simpsons e a Filosofia, e como quando eu quero eu quero agora, antes de passar a vontade, corri para o Shopping Tatuapé procurar o livro. Sim, é isso mesmo o que vc ouviu, eu fui ao Shopping sozinha ontem. Não ria. Entrei na livraria e me dei conta de como fazia tempo que eu não saia: o livro era lançamento, estava na vitrine, do lado da Capricho do mês, com a Sandy na capa. Peguei o livro, olhei, achei muito louco, lembrei que estava em semana de provas e se com um livro tão legal perto de mim até parece que ia rolar exercícios de lógica. Agradeci pelo JL estar lá no Rio, fui até o caixa e comprei... a Capricho desse mês! Eu não me contive, eu gosto dela, e gosto (muito mais) do irmão dela. O que eu podia fazer? Eu sempre quis ser eu sendo ela. Claro que li a revista de ponta a ponta enquanto jantava dois pedaços tenebroso de pizza. Fiquei super feliz, afinal, li uma vez, que as pessoas podem ser adolescentes só até os 29 anos, e que as excessões são tratadas como Síndrome de Peter Pan, que eu rezo pra ter e nunca ser curada. Adultos e velhinhas me irritam profundamente - parecem que compraram um lote da verdade e são os únicos que têm o manual de instruções da vida.

Nossa, meu, eu tô muito confusa, sem vontade de trabalhar, sem vontade de fazer outro concurso, querendo mudar de trampo desesperadamente, cem por cento sem grana, devendo o que eu nunca pensei ser possível, entrando num rolo dum fusquinha, mais encalhada que o Titanic no fundo do mar, e ainda vacilando em época de provas. Por mais que relute em dizer, eu continuo perdida, só que agora, ferrada também. Infelizmente, a única sensação que permaneceu, e permanece, por detrás de tudo e de todas as outras, e uma imensa vontade de inexistir não é morrer, é não existir mesmo. Mas isto é assunto para um outro post mais deprê, quero aproceitar a maré de bom humor que está agora.

Felizmente, se preciso for, posso alegar insanidade temporária causada por forte stress emocional: Hoje é aquele dia cuja simples menção me faz querer bater em alguém. O único dia do ano que eu tenho medo, medo mesmo, que assusto com qualquer coisa, e não sei se é pior piadinhas de "e o namorado, hein?", indignações tipo "como assim, vc não tem namorado???" ou o olhar complacente "coitada, ela não tem namorado...". Não dá pra saber.

Só sei que, mesmo quando não estou odiando, eu odeio 12 de junho.

PESSIMO PS: Meu pai acaba de me mandar um PS desejando "Feliz dia do amor".

Ratificando, eu odeio dia dos namorados.

Comments: postado por: Romy Trinity4:01 PM


jueves, junio 10, 2004

O DIA SEGUINTE

O post perdido foi encontrado e aqui vai, e que sirva como registro de que não falaria coisas muito absurdas, e apesar de não ter a mínima idéia de para quem ou para "quens" foi o lance de eu não quero o seu e-mail (já que eu não falava com niguém no ICQ, messenger, nem telefone), não cortarei essa parte. O post publicado está exatamente do modo como o encontrei, com os erros de digitação e tudo.

Em poucas palavras, nada como o dia seguinte pra se perceber a dimensão dos estragos da noite.

Lá vai... e, apenas para registro, a resenha já foi feita, entregue e nem ficou tão ruim assim (na minha opinião, claro).

Comments: postado por: Romy Trinity1:06 PM


BUDAPESTE

Tenho que fazer, para a faculdade, uma resenha do livro Budapeste, do Chico Buarque de Holanda. O livro é legal e tudo, mas eé que não estou afim de escrever sobre isso, e quando não se quer escrever sobre uma coisa, o que mais aparece é vontade escrever sobre outra coisa qualquer. O maior exemplo, ou prova, disso é que essas são as minhas primeira palavras escritas sobre o referido livro.

O livro é todo escrito em fluxo de consciência, que é um estilo do qual eu me identifico e sinto o maior prazer em ler. O fato de ser metalinguístico então, aumenta mais ainda o interesse. E o piro é que mesmo assim, não me veio aquela inspiração, de texto pronto, esperando só que eu vomite tudo na tela do computador, num fluxo de cosnciência próprio mas perfeitamente
disfarçado para que o professor não perceba.

Como eu trabalho amanhã, já bebi uns dois ou três copos de vinho e o mundo começa a rodar, vou aproveitar a deixa do fluxo mais estes parcos minutos que me restam pra dizer que tem um monte de textos aqui dentro pedindo pra sair, mas todos têm apenas começo e exigem, como penhora do fim, que eu os digite diretamente, pois não aguentarão a lentidão do desenhar da letra. E
continuo, acho que vou inaugurar uma série de posts, agrupados por familiaridade de assunto, mas não necessariamente periódicos, entitulado "coisas que eu sempre quis dizer" ou "posts que eu sempre quis escrever mas não sei ao certo porque ainda não foi escrito".

A proximidade daquela data no dia 12 me deixa aflita, o dia mundial da cobrança e da desconfiança - se eu chegar suja de cocô no dia dos namorados é bem capaz de alguém aqui em casa gritar "eu sabia que ela ia ganhar alguma merda do namorado!!!". Esse dia é phodda! Ainda bem que vou trabalhar e chegarei cansada demais pra pensar em respostas bem humoradas pra dar, dormirei e
no dia seguinte, tudo estará bem.

A novidade é que hoje duas pessoas muito especiais me perguntaram enfaticamente se "está tudo bem", que é uma pergunta que eu odeio, exceto se forem esses rapazes absurdamente fofos meus interlocutores. E ao ouvir a pergunta, mesmo que eu pudesse, mesmo, responder que não, que estava precisando dar uns beijos, que estava com medo das provas, que sabia que não iria bem em nenhuma, ou quase nenhuma, e que preciso de férias, respondi que sim, que estava tudo de bom, não por hipocrisia, mas simplesmente, porque naquele momento, pelo simples de fato de estarem me perguntando, as coisas estavam bem. E aos constatar que dera tal resposta uma verdade se me apareceu e eu descobri o que tanto temia: não posso dizer que estou apaixonada, nem posso dizer que não, quando se sonha sem motivo algum com um cara e ainda por cima acha-se o cara fofo até
quando está levemente embriagado, as legendas identificando sentimentos, como interesse e carência, acabam se tornando confusas e grandes confusões aparecem. Meu interior me diz que é carência.

E antes que se precipitem me dando parabéns ou qualquer outra frase idiota a respeito, aproveito para lembrá-los que estamos falando da minha pessoa, e é claro, óbvio mesmo, que o dito cujo tem namorada, está meio firme com a referida, eu não a conheço (acho que vi uma vez), mas aprendi desde cedo que a sortuda que pegou o cara primeiro não deve ser sua inimiga mortal, ela não
tem culpa de ter visto primeiro. Queria poder ter tempo pra descrever esse sentimento estranho, influenciado por uma fértil imaginação e uma carência presente, que povoa minha mente há alguns dias. Queria também ter paciência e inspiração pra contar, registrar pelas palavras escritas, como foi o churrasco da galera da faculdade no domingo, e o que é um bêbado, que quando
bêbado, consegue ser absurdamente mala, e se transforma no exemplo do que por não se deve beber com o próposito único de ficar bêbado: o cara, que canta super bem e é muito legal sóbrio, ficou irreconhecível depois de algumas dúzias de latas de cerveja. No começo a cena é engraçado, mas a realidade é triste.

Queria tantas coisas mais, principalmente afastar esse sentimento estranho que pode tornar-se patológico novamente, e urgentemente, manter o mesmo sentimento aqui, pois neste estágio, não é doloroso e profundamente aquecido e esquenta minha alma e meu corpo sob a influência de alguns copos de vinho quente.

Queria mesmo, os textos estão aqui e o horizonte lá fora esperando por nós. Não é uma escolha fácil, mas agora o mundo gira, gira, gira passou, por culpa do vinho, e as palavras que vão para meus dedos não tem relação alguma com o que é dito nem com o que perguntado, mas mesmo assim, ou por isso mesmo, tenho que ir. Dormir é essencial para quem trabalha. produzindo textos. Durma, e isso é uma prova de que não quero o mail de vocês.

Enter, publica direto!

Comments: postado por: Romy Trinity1:05 PM


martes, junio 08, 2004

POSTS PERDIDOS, PERDIDOS POSTS

Goastaria de dizer que tentarei ser linear, clara e nada maçante, mas não vou. Pra variar ainda continuo num estado meio saco cheio, e como não consigo me lembrar de nenhum lugar onde eu possa ir, descansar e me senir em casa, onde eu possa sujar os pratos e lavá-los só três dias depois, vou aproveitar que esse espaço aqui é meu mesmo, e fazer uma embolado de palavras, idéias e qualquer outra coisa que não se encaixe, ou encaixe, não sei.

O caso, do título, é que ontem escrevi um post levemente embriagada, e embora me lembre de tê-lo escrito e sobre o que falava, não lembro das palavras nem o que fiz com ele. Não sei se gravei, onde gravei, com que nome gravei, se enviei por e-mail (pra mim não chegou - coitado do cara que receber), simplesmente não sei onde ele está. Tomara que consiga achá-lo, porque eu quero saber o que eu sou capaz de escrever num estado de leve alteração de consciência, e quem sabe terei noção do que falaria se tomasse um porre mesmo. Ahn? Por que eu tava bêbada? Por nada, é que tá frio, muito frio, e eu já tinha tomado sopa, e não esquentava, então resolvi tomar um copo de vinho pra ver se esquentava, como tinha sido eu quem tinha comprado aquele vinho barato (R$1,89), e eu curto um vinho barato, e estava sozinha na sala, em plena madrugada de segundona... O problema é que eu gosto de vinho, gosto mesmo dando tontura, mesmo dando sono (tudo no mundo me dá sono mesmo), e depois do primeiro copo veio o segundo depois o terceiro e depois o quarto. Parei aí, que durmo no segundo andar e precisaria subir as escadas que temo sóbria, não arriscaria mais. O engraçado é que eu não era assim, podia tomar uma garrafa inteira de vinho e não acontecia nada! Vai ver que é a prática, ou falta dela, ou sei lá.

Por essas e outras que no churrasco domingo eu intercalava meio copo de vinho, um copo de refri, pão com maionese, meia lata de cerveja, volta pra outro copo de vinho, e nem tontura me deu. Eu tenho, ou procuro ter, consciência e concordância com o sábio ensinamento das massas "passarinho que come pedra sabe o ... que tem".

Mas o caso do post perdido não é só aquele, tem um monte de outros aqui dentro da minha cabeça, tantos, mas tantos, que nem uma vida inteira seria suficiente pra escrever todos (é, exagerei, talvez desse). E aí, eu com a cabeça cheia de frases de começo, suficiente pra uma coisa puxar outra, deveria sentar aqui e escrever pelo menos um, libertar um pedacinho da minha mente, mas não, estou aqui escrevendo, mal e desconexamente, um inútil post sobre porra nenhuma! Pior, na verdade mesmo, neste exato momento eu deveria estar escrevendo (que bela construção!) nos livros as mensagens enviadas e recebidas, coisa que, óbvio, não estou com a mínima disposição. E ainda assim, deveria aproveitar o tempo pra fazer a resenha do Budapeste que terei que levar hoje a noite pra discutir com a minha parceira e entregar amanhã, último dia de aula, antes das provas. Ou seja, eu deveria ou trabalhar, ou fazer os trabalhos da faculdade, ou estudar para as provas, ou escrever um post decente sobre o quanto o Belchior é maravilhoso (comprei um CD dele ontem, meu deus, é muito bom, bom demais), mas, prefiro me deixar estar aqui, escrevendo palavras pretas na tela branca pelo simples prazer de digitar e de ver o cursor piscando.

E já que estou aqui, com cara de quem está fazendo um trabalho super importante, dando até umas olhadinhas no BO pra atestar que estou trabalhando mesmo, vou aproveitar e reclamar da vida, que isso faz falta. Só peço, no caso de alguma velhinha passar por aqui, me poupe de comentários do tipo, tanta gente sem nada e vc reclamando do que tem, eu na sua idade... Tá tá tá, eu não desvalorizo a vida ou as coisas boas que tenho, nem dou mais valor para as más, só que eu preciso por pra fora. Negar o problema não é um caminho para solucioná-lo, ou por acaso, quando sua cabeça dói basta vc agradecer por ter cabeça que a dor passa? E não é reclamando que te deixam em paz um minuto porque vc está com dor de cabeça hoje? Então, poupe-me, sim? E Murphy, não me sacaneia não, o que vc fez sábado já basta tá? Aquilo foi baixo, muito baixo (A cena: estou eu reclamando em alto e bom som que estou de saco cheio de coisas provisórias e que não aguento mais ter que esperar por tudo, enquanto pensava numa maneira de não mais existir, quando uma super amiga minha me liga e diz que a mãe teve derrame e está internada. O fato de ter sido um derrame leve e ela estar só em observação não diminuiu em nada a minha sensação de ser o mais egoísta, mesquinho e desprezível dos mortais).

Estou absurdamente desconfortável e deslocada. O lugar em que me sinto mais em casa é na faculdade. Tenho me alimentado mal desde que voltei pra Poá, o motivo, meus horários não batem, ou melhor, batem de frente com o funcionamento da casa, quando quero tomr café estão fazendo o almoço, quando quero fazer o almoço, estão preparando o lanche da tarde. Comprar o microondas, que na hora pareceu uma boa idéia não resolveu muita coisa, para mim, é extremamente cansativo lavar a louça imediatamente depois de comer ou antes que alguém queria cozinhar de novo, o que dá na mesma, meu negócio é fazer as coisas quando estou com vontade de fazer, então, para evitar brigas, prefiro não comer a sujar o prato, e o resultado é que por várias vezes meu café da manhã foi um capuccino e um donuts às 20:30h, na faculdade, e a janta, uma sopa instantânea quando chego em casa. Um acordo verbal sobre a situação é impensável, a cláusula da cozinha limpa estava antes da minha volta, depois, não vou brigar por causa disso, porque a única coisa que falta em casa é eu começar a brigar com todo mundo, com meu pai porque ele pensa que sabe o que todo mundo está sentindo, com a minha irmã que deixa cabelo em tudo que é canto (e eu simplesmente ODEIO fios de cabelo soltos no mundo), e com a minha madrasta porque não quero lavar a louça. Se isso acontecer, eu enlouqueço.

Continuando, eu não pensei que seria tão difícil pra mim, nem que as outras pessoas fossem tão insensíveis. Quer ver eu me sentir mal basta dar a sensação de que estou incomodando, odeio incomodar as pessoas e nem penso em considerar o meu estilo de vida como o mais certo para todas as pessoas, por isso, não me conformo que alguém pensa assim. A maior parte dos dias da minha folga, às dez horas meu pai liga um radinho que ele tem e coloca no último volume, na rádio Boa Nova FM. Nada mais irritante do que pessoas com a voz calma é plácida no último volume as dez da manhã!!! Pessoas calmas me irritam!!! E adianta pedir pra abaixar? Ele abaixa tão pouco que parece que aumentou, e ainda retruca que eu morava do lado do hospital e nunca reclamei das ambulâncias. Segunda coisa que me irrita: não me levarem a sério. Odeio, ahhhhhh. Prefiro que não acredite e pronto. Olha, eu não acredito em você. Simples, tudo bem, eu entendo, mas me tratar como se eu fosse um bebê idiota que não sabe o que tã fazendo ou como se eu fosse maluca, não dá, não dá. Por mais que eu tente me lembrar que eu não preciso 'provar pra todo mundo que eu não preciso provar nada pra pra niguém' isso me deixa muito irritada. Ninguém é obrigado a acreditar em mim, ou compreender que sou fiel na inconstâcia, que não mudo de idéia por que é legal, ou que mesmo que eu não tenha terminado algumas coisas que comecei enquanto eu as fazia eu REALMENTE acreditava que iria até o fim! E ver esse desdém das pessoas que eu gosto é deprimente, no sentido pesado do termo.

Falei, expliquei, deixei claro que não queria comer carne. Só avisei por educação, pra ninguém se ofender quando eu recusasse um super bife. Beleza, aí, chego em casa e ouço o comentário velado na cozinha, é, ela fica com essa frescura de não comer carne mas foi num churrasco. Passei um mês falando todo dia que ia trazer um gatinho, todo mundo sabe que eu amo gatos, e falei, falei, falei. Ontem, quando comentei que o gatinho chegaria em quinze dias, lá vem minha madrasta, eu não vou cuidar, quero ver onde vc vai enfiar esse gato se o seu quarto está cheio de ratos, não vai durar uma semana com os cachorros aqui. Custa respeitar um pouco o sentimento dos outros? O acordo tinha uma condição, tinha que por divisória no quarto, meu pai disse tudo bem, vai fazer um mês que mudei e ele diz que quem sabe mês que vem a gente não pode por a divisória.

É tanta coisa, tanto detalhezinho, uma coisa aqui, uma alfinetada ali, as diferenças absurdas entre o centro de São Paulo e um bairro em Poá, que juntando tudo isso com a minha solidão padrão, cobranças disfarçadas em brincadeiras sobre o dia dos namorados, as contas que fiz na tarde de ontem constatando que morar em Sampa não vai dar nem dividindo, a comida sem graça do DP, a lentidão pra comprar o fusca, meu saco cheio do trabalho e a idéia fixa da medicina palpitando em mim, juntando tudo isso e mais um pouco, eu me sinto presa por três anos, presa, sem saída, só com a frestinha da luz da filosofia pra me iluminar, e é por essa frestinha que eu quero terminar o curso, terminar alguma coisa pelo menos, e recuso dolorosa e corajosamente (ou covardemente?) a idéia que a Rosana me deu. Sim, a Europa é uma possibilidade, mas eu quero cumprir toda a dívida que me propus e terminar a faculdade. Continuo precisando de pontos finais, como disse uma vez, mesmo que para muitos eles pareçam não finalizar frase nem idéia alguma, pra mim eles são muito importantes.

Tipo assim, eu tô na caverna mesmo. E o pior, fui eu quem entrei e apertei os grilhões. Sozinha.

E eis aqui, outro post perdido.

Comments: postado por: Romy Trinity12:31 PM


miércoles, junio 02, 2004

VENTOS

Caminhava eu, voltando da faculdade, pelas ruas de Poá, ouvindo Cazuza. De repente, a voz, o dedilhado do violão, a menção ao Cristo, transportaram-me de volta ao Rio. Sabendo das ruas de paralelepípedos sob meus pés, senti-me novamente nas ruas de Santa Tereza e ouvi a voz suave e harmoniosa da Áurea cantando uma música que, não sei dizer qual, nem a letra nem o ritmo, naquele momento, eu escutava novamente clara e real.

Na noite fria de Poá, eu com duas blusas, gorro e as mão nos bolsos, senti o mesmo mormaço de quando o ônibus entrou na cidade do Rio de JAneiro. Estava dentro do ônibus, lutando para dormir com o ar condicionado e o filme no último volume, quando o bafo quente da cidade litorânea, mesmo cinza e chuvosa, me invadiu . Caminhava ciente do frio, e aquele calor inconfundível entrava pelas ouvidos, do coração ao corpo todo, me afastando de quando e onde eu realmente estava...

Não foi só Cazuza e seu leve sotaque carioca, ontem mesmo escrevi para Áurea, comentei com meu pai que iria de novo ao Rio, fiz contas. Mas no momento em que o poeta cantaralova, de nada disso me lembrava. Pensava apenas na amizade, em escrever pela primeira vez sobre caminhar na noite em outras ruas que não da minha São Paulo querida, na beleza das ruas poaenses e que todas as ruas de todas as cidades devem ter, no fato de que todas as cidades talvez tenham alma e certas pessoas se apaixonam por essa alma, que pessoas apaixonadas assim se confundem com o ser amado, não sendo possível sentir um sem lembrar do outro, tipo Rita Lee, e hoje, Cazuza.

E no tempo exato de trê ou quatro músicas, tanta coisa se passou, sentimentos confusos, uma vontade enorme de compartilhar isso com o mundo se apossou de mim, porque várias coisas me vieram à mente, todas belas e boas. Agora, enquanto escrevo, penso que o que senti foi amor e o que experimentei, a comunhão. Como se eu tivesse um amante que se somasse a si mesmo, e a cada encontro, inesperado e totalmente não premeditado, ele carregasse consigo, como parte do próprio corpo, tudo o que viverâmos no anterior.

Sim, porque a incerteza de saber qual era minha verdadeira morada não me trouxe tristeza, e senti, percorrendo meu ser, corpo e alma, de uma só vez, o prazer de viajar, a emoção de conhecer novos companheiros de grandes jornadas, a alegria de reencontrar velhos amigos - como no último sábado - a energia gostosa da tardes com as meninas, e num último espasmo, a certeza, frágil e rápida, de que por mais que pareça difícil e extremamente doloroso não amar aquele amor tão esperado, seria absolutamente impossível viver sem este amor: o qual, através das ondas sonoras de uma canção, vem como uma brisa quente e suave de amizade e compreensão.

Comments: postado por: Romy Trinity2:28 AM



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