Tradução

Este é o meu espaço livre na MATRIX, onde posso depositar as emoções (e ilusões) da (minha) vida e brincar de jornalista, crítica, prêmio nobel da literatura... Escrevo não só por necessidade, mas também para entender o porquê, dela, de pensar o tempo todo, e de tantas palavras, tantos textos nascidos semi-prontos pedindo para gritar. E aí, quem sabe, alguém lê e me explica por que eu, e não só eu, com medo de ser decifrada, preciso tanto de tradução.



domingo, octubre 31, 2004

"Se viver fosse viver sem você, que bom seria..."

Qualquer semelhança com a vida real, neste caso, não é mera coincidência. Tenho 30 minutos para escrever esse post, tenho tres dias pra entregar um trabalho sobre o Hume, trabalho aliás que não sei ainda como começar. Lembrei do JL que passou pelo mesma coisa semestre passado, e agora entendo perfeitamente o que ele dizia.

Mas o que eu ia dizer é que tem uma hora que o Hume pergunta o que são questões de fato (entre MUITAS outras coisas), e eu, vou fingir que não entendi a pergunta nem sei o tipo de resposta que ele procura e vou dizer o que, hoje, para mim, são fatos. Fatos que, existentes ou não, me afetam demais e provocam relações extremamente embaraçosas e complicadas na contramão da essência simples que é a natureza deles. Fatos que provocam uma incompreensão alheia involuntariamente dolorosa em mim. Fatos que são fatos e só, e não acredito mais que é só repetir mil vezes a frase "a lei da gravidade é psicológica" e as coisas pararão de cair pra baixo e a física sairá do vestibular de medicina. Sim, mente que não pára de pensar um minuto, eu sei que é exatamente isso que o cara tá falando, que é possivel a neve azul, mas não esqueça da questão da crença, ok?

Hoje, pra mim, é fato que:

* Eu preciso sair da polícia, porque não aguento mais não ser porra-nenhuma nem exercer um trabalho que não ajuda nem representa nada para o mundo.

* Eu odeio dever. Principalmente favor. Por isso, esquece pai, eu não vou pedir pra mudar de delegacia, prefiro estudar e aprender leis de defesa do consumidor. Eu tenho que passar no concurso.

* Eu realmente gosto de ir ao cinema sozinha. Isso não quer dizer que eu não goste de companhia, quer dizer o que diz, ir ao cinema sozinha é uma opção de mesmo peso de ir com uma pessoa. E eu posso preferir ir sozinha. Mórbido ou não, eu preciso ficar sozinha, já que eu não tenho ninguém mesmo (no sentido "meu namorado", pra ser clara.)

* Eu amo filosofia, e não é pra me mostrar que eu acabo falando de essência, existência, Schopenhauer e coisas assim quando sento pra conversar ou escrever. A dúvida filosófica é absurdamente encrustada em mim, é parte do que sou. Não vou pedir desculpas por algo que eu não sinto culpa nenhuma, mas posso tentar ficar quieta. E sozinha.

* Eu sofro de idéias fixas. Tá, eu sei que isso matou Brás Cubas, mas alguém tem a cura. Tenho idéias fixas, e elas são fixas, ou seja, mesmo quando que não falo, elas estão lá. São idéias fixas: o CD dos Engenheiros que pagar os trinta conto,, porque eu quero ORIGINAL e o carro. Eu quero comprar um carro, eu quero comprar um carro. Mesmo. Muito.

* Tô muito sem grana, e tenho que me controlar horrores, ou os três anos de prisão virarão quatro, cinco...

* Eu preciso fazer medicina. É mais do que idéia fixa, é fato. Pode não ser a razão do meu existir - se eu soubesse qual era não precisava fazer filosofia - mas é parte essencial da minha existência. É muito mais que sonho, é é é... a Medicina, é o que eu vou fazer, é como servirei ao mundo. E eu vou fazer USP. Ponto.

* Eu amo o teatro e vou ser atriz. Idem ao tópico anterior. Mas não precisa ser na USP. Eu só preciso subir ao palco mais uma vez. Sempre.

* Eu não gosto de platéia - exceto quando estou no palco. Na vida, não estudo com platéia, não trabalho com platéia, não almoço com platéia.

* E, pra terminar, por mais que eu não queira, eu quero muito me apaixonar. E é verdade sim, eu quero namorar. Depois de anos contemplando casais, olhares, suspiros e comentários, eu queria saber do que é que tão falando. Por mais que eu ame o Alvares (de Azevedo), quero sentir o toque desse sentimento tão poderoso, que até quem nunca teve sente falta...

Full time. A publicação é agora. A entrega é quarta. Quem inventou o trabalho?

Comments: postado por: Romy Trinity7:58 PM


martes, octubre 26, 2004

DE NOVO???

Vou repetir aqui o que tenho lido em muitos blogs por aí: não é que eu só goste de ficar reclamando, ou que nada aconteça no planeta, ou que eu esteja olhando só para a dor do meu próprio umbigo, que afinal de contas, não dói mais que a dos outros insigniicantes mortais por aí, mas vou falar de novo naquele assunto. O mesmo assunto, por aqui, é o nada, os dias cinzas que passam, passam, passam...

De tão cinzas eles me oprimem, deprimem, suprimem. Fosse em outros dias, outros tempos, só por esse comecinho de post, eu já teria digredido para como certas necessidades são comuns a todos, pelo menos a todos os blogueiros, e chegaria até a comentar o caso do blog que tiraram do ar. Não estou pra digredir muito, mas que se registre aqui meu total repúdio ao fato de terem tirado o Imprensa Marrom do ar. Não vou mentir, não sei o endereço nem lia o blog, mas o lance é um absurdo! Não bastasse aquela reestruturação da globo quando ninguém sabia se podia postar um "puta que o pariu" com medo do blog sair do ar, agora vem com essa, de não sei quem entrar com processo, sair liminar e lá se vai um blog inteiro para o nada.

Pra quem não estava sabendo (tipo eu há algumas horas), vou colocar o resumo do que eu consegui entender da história: Sábado, na Lis, tinha um post ótimo falando sobre Direito Virtual, com link de crédito e tudo. Fui na página original do post, e vi que várias pessoas se manifestavam contra algo. Voltei, perguntei pra Lis que deixou um comentário no último post meu dando o endereço do Pensar Enlouquece. Entrei, e pelo que vi, o Imprensa Marrom há algum tempo publicou um post, alguém comentou e uma empresa se ofendeu com o comentário - leiam bem, com o comentário - processou, e veio uma liminar tirando o blog do ar. Então, depois o blog voltou e apagou o comentário, e aí veio OUTRA liminar - observem sem o tal comentário ofensivo - e tirou de novo o blog do ar. Por isso o post, legalmente copiado pela Lis, é tão útil quando fala como a gente faz pra não sofrer censura.

É isso. Ou melhor, seria isso, se isso fosse uma fofoca inocente de um pequeno mundinho de desocupados que ficam colocando suas experiências e opiniões em páginas públicas. Mas não é. ISSO foi um atentado contra a liberdade de expressão da "blogosfera" como chama o cara do Pensar Enlouquece, e por correspondência, um atentado contra a liberdade individual de dizer que "o mundo é uma bosta e tem uns filhos da puta do caralho que faz do mundo a merda que aí está", exatamente com essas palavras, e não como faz a imprensa aberta ao dizer que "fontes alegam que podem haver pessoas contribuindo para a degradação do mundo". Mais. É a volta daquilo que essa que, hoje, é a elite cultural do país, tanto diz que repudia: CENSURA. Censura para a imprensa mais perigosa, que não é patrocinada por nenhum grande grupo ou grande capital, que é feita por um zé ninguém na madrugada, e pode alcançar qualquer (e)leitor, qualquer um que queira ver que existem coisas mais importantes do que a surra que não sei quem deu numa tal de Nazaré.

Me chamem fatalista, mas a gente tá caminhando pra volta da Ditadura Militar, e ninguém se liga!!! Socorro!!! Olha a situação: a exclusão social tá explodindo em todos os cantos do país; a violência está fora de controle, em especial na cidade que já foi capital do país; os políticos (e a democracia por assossiação) estão totalmente desacreditados; o movimento estudantil está completamente desarmado com uma elite indeferente ocupando as Universidade Públicas, e uma classe média morta de cansaço depois de trabalhar o dia inteiro, ocupando os bancos emburrescentes de uma medíocre faculdade paga; a arte se fechou no circuito da fama e do dinheiro; e a imprensa, que seria a última barreira, a imprensa não existe, porque não importa se o povo tem o direito de saber, o que o importa é se o anunciante tem o dinheiro pra pagar. Isso sem falar no tal conselho de ética para os jornalistas. Sabe o que falta acontecer? O Lula falhar, num ponto que seja, se o Lula falha o povo acredita que não há mais esperança, e aí, o que eu ouço aqui e acolá nos trens, no metrô, nos ônibus, nas delegacias, vai virar um coro suficientemente alto pra algum general escutar.

Sabe o que eu ouço, uma, duas vezes ao dia? Que no tempo do Getúlio, não era assim. Que por pior que fosse, na ditadura não tinha essa bagunça não, não se ouvia essas coisas de corrupção. Que a polícia, nos anos sessenta, só ia atrás de baderneiro e comunista. Que pelo menos, naquela época, quem não era anarquista nem andava mal vestido ou em má companhia, podia passear domingo com a família, e hoje não pode. Que naquele tempo, a polícia tinha poder, que bandido não desrespeitava polícia não, que primeiro a gente batia, depois perguntava o que o cara tava fazendo na rua. Eu, ouço, de gente que estudou na USP em 67, que exageraram, que quem ia pra faculdade e se concentrava só nos estudos e não dava ouvido pra professor de história de literatura não tinha porque ter medo. Eu ouço, juro que ouço mesmo, que é melhor o exército na rua do que passar fome.

E aí gente, vou responder o quê? Eu não tenho o que responder, porque nunca passei fome, nem nunca fui torturada. Eu só fui (e sou) sonhadora. Mas eu não sei quanto eu pagaria pelos meus sonhos porque nunca me cobraram, porque até agora, eles são inofensivos, mas até quando? Bom, até quando eu aguentar, eu não apago comentário, eu escrevo o que eu quiser, eu chingo quem eu quiser, eu falo o que me der vontade. Pelo menos aqui. E não é pelo anonimato não, há muito tempo, muita gente já sabe que a Trinity chama Viviane, e não precisa ser um super hacker pra descobrir isso não, basta pagar 15 reais numa lista de e-mail e cruzar com o que eu sempre deixo nos blogs. Trinity é uma identidade tão ou mais minha que o meu nome de batismo, e quero que se foda quem acha que eu estou sendo hipócrita.

Não terei tempo de por links agora. A Lis é a Mulher de Fases na lista embaixo. O endereço do Pensar Enlouquece tá num comentário do post anterior. A história toda dá pra perseguir por esses caminhos. Estou cansada, e se não bastasse, acabo de descobrir que tem coisa mais importante que o pequeno e doloroso universo do meu umbigo.

Comments: postado por: Romy Trinity6:14 PM


miércoles, octubre 20, 2004

"DE REPENTE VIRA UM FILME TODO EM CÂMERA LENTA..."


Há poucos dias escrevi um post com aquela música da Ana Carolina, sobre cada dia igual. E dizia a música "... ainda há surpresas...". Pois bem, houve uma surpresa e não deu pra sentir isso de forma indiferente.

A maior prova disso, pra mim, é que, neste exato momento, ainda que me aguardem quinze mensagens pra registro, um trabalho da facul pra ser apresentado/ entregue hoje e haja uma concorrência de pessoas entrando na sala pra ver quem consegue me encher mais sem a menor necessidade de serviço, eu estou aqui, sorrindo, e escrevendo algo alheio à essa (absurda) realidade. É que duas idéias não ocupam o mesmo lugar em mim, e esta de que falo agora não vai deixar que nada se aproxime dos meus dedos, depois de ter monopolizado meus pensamentos...

Já aconteceu de vc ter a sensação de que não tem um melhor amigo, alguém que te compreenda, em quem confie, alguém que tem o poder de, só por estar do seu lado, te fazer sentir que afinal as coisas não são tão ruins assim? Já teve a sensação de vc nunca teria um amigo assim e que, à margem do tempo, a sua solidão seria eterna porque consistia na faculdade de não ser entendida por absolutamente ninguém? Já? Pois eu a tenho sempre. Ontem, hoje e amanhã. No vislumbrar da minha vida, eu sempre me vejo só, ainda que me esforce (e muito) para pelo menos imaginar como seria esse alguém. Alheia a minha vontade e aos meus esforços, eu me sinto o ser mais imcompreendido da humanidade. E isso dói, incomoda, muito mais do que a solidão.

Mas houve uma vez, uma pessoa, que refletiu no olhar o brilho da compreensão. Posso ouvir agora o barulho do trânsito, quando eu entendi, pela primeira vez, o que era ser entendida. Estávamos sentados no ponto de ônibus, eu ainda usava a correntinha que era da minha mãe (hoje, perdida), e ele me perguntou porque eu a esfregava entre os dedos, respondi que era porque eu me sentia melhor. Não lembro da conversa, mas lembro que acabei por contar a razão da minha falta de fé e de religião, a razão da dor da minha existência. E ele me ouviu e compreendeu, eu vi nos olhos dele que não havia julgamento, reprovação, aprovação, nem indiferença. Ele simplesmente me compreendeu. Disse o que ele achava, a resposta em que acreditava, mas sem a pretensão de me convencer ou de dar a solução. Ele só conversou comigo. E foi tudo que eu precisava.

Na época, era o 2º grau, não lembro o ano, eu estava platonica e perdidamente apaixonada por outra pessoa, o que fez com que, fôssemos amigos, bons amigos. Amigos mesmo. Tanto que até hoje não lembro como foi que a gente se conheceu. Então, um dia eu cansei de chorar por um cara que mal sabia que eu existia, e olhei pra esse meu amigo com outros olhos. Por algum motivo a gente não tava mais andando tão junto como antes, e eu tinha esperanças. Foi meu único interesse romântico, até hoje, que não veio acompanhado de dor, lágrimas e impossibilidade. Mas eu soube que ele estava gostando de uma menina, então, desencanei, afinal era meu último ano na escola, e eu que já tinha perdido os outros três e meio com os impossíveis, resolvi curtir o fim. Palavra que não fiquei triste.

Na última semana de aula, a gente combinou de ir ao cinema. Eu comentei com algumas amigas minhas e elas, amigas que eram, perguntaram pra ele se ele também gostava de mim, e contaram pra ele que eu estava afim e tals. Eles só esqueceram de um detalhe: o pretérito mais que perfeito. Eu estivera a fim, e ele, idem.

Era pra ser sete horas na frente do cinema. Mas meu pai resolveu brigar comigo naquele dia, e discutimos feio, muito, por causa de roupa, horário ou algo mais imbecil ainda. Discutimos por duas horas, devo ter chorado por quase uma. Mas eu nunca falto num compromisso. Tomei banho, lavei o rosto e fui. Cheguei às nove e meia, quinze minutos depois da última seção, meia hora antes do Shopping fechar, e ele estava me esperando. Eu queria chorar de novo, eu não tinha desculpa alguma pra dar, não tinha como pedir. Mesmo que ninguém acredite, eu odeio dar mancada. Ainda mais com alguém que me espera por duas horas e meia. Fomos na livraria, ele comprou um livro sobre magia e sobre lua. Saímos, ponto de ônibus. Sentamos e ele falou sobre o complô das minhas amigas. Ele me disse que gostou de mim, mas sabia do outro cara. Eu disse que gostei dele, mas sabia da outra menina. Eu disse que achava que tinha passado, ele também. Falamos de detalhes, de sentimentos, de tanta coisa, se agarrando ao tempo, porque não sabíamos quando nos veríamos de novo, era a última semana do meu último ano. O futuro era incerto, e a gente não podia deixar ele chegar ali, naquela hora. A gente falava, e olhava a lua, e segurava o tempo. Mas o tempo é forte, e eu entrei correndo no último ônibus. E esse dia ficou congelado no tempo. Perfeito e inacabado.

Antes de ontem, eu tomava café andando no Brás, quando alguém atravessa o rio de pessoas e me abraça. Forte, por um tempo indescritível, tempo exato para eu processar a imagem e a informação. "Caaara, que saudade!!! Foi muito legal encontrar ele de novo!!!! Foi tudo de bom!!! Mudou o meu dia! E o melhor, no tempo em que conversamos, relatando as peripécias mútuas de um procurando o outro, os micos e tal, eu percebi que, diferente de muitos outros amigos da mesma época, a cumplicidade não mudou. Foi como se a gente não tivesse nunca se separado, foi muito, mas muito melhor de bom do que todos os reencontros que eu imaginei nesse intervalo todo.

Desnecessário dizer que passei a segunda e a terça sorrindo a toa, que sonhei, tudo. O mundo podia cair na minha cabeça, eu tinha novamente alguém pra ligar e dizer, cara, o mundo caiu na minha cabeça. Foi muito legal! Fiquei tão feliz que nem lembrei de ligar pra gente combinar alguma coisa, mas tô mandando um e-mail agora mesmo.

Eu tô muito feliz, e estão me faltando adjetivos. Desejo que todo mundo tenha, pelo menos, alguém assim, alguém que trazido pelo destino, se torne novamente o que sempre foi. Desejo que todo mundo possa ter uma amizade que seja indiferente às convenções sociais e às normas de relacionamento, que possa ter um sentimento assim, de simples e pura alegria só pela volta de alguém. Desejo mesmo.

Escrevi só pra registrar isso, pra guardar numa caixinha, para que em algum dia escuro do porvir, eu abra e lembre da amizade, da compreensão, do reencontro. E lembre, que mesmo quando eu sempre quero mais, há surpresas, e nem tudo é banalidade.

Comments: postado por: Romy Trinity3:12 PM


domingo, octubre 17, 2004

Vai dizer que não estavam com saudades da listinha???


Mas antes...

O Mário publicou um post muito legal sobre a lista de links dele, vale a pena conferir (não é só porque eu estou lá não, viu.

Eu ia escrever um lindo post como seria o cara perfeito pra mim, mas eis que, pelo menos em teoria, eis que eu o encontro num blog muito legal. Depois de ler todo o arquivo do cara (não, eu não sou maníaca, só ansiosa), não tenho o que desaprovar do sujeito. Depois, a identificação é perfeita, pois contém em si um duplo sentido. O cara perfeito pra mim, independente do físico, tem que ter pelo menos 95% das características do Anônimo Incógnito, sendo que dos 5% faltantes, a ausente não pode ser a de acreditar em sonhos, ser engraçado (mesmo que sem graça) e saber saborear um bom miojo.

Que mais, ah, entendo quem não acredita em Deus, mas se alguém me disser que não acredita em Murphy eu vou achar um absurdo! Provas de sua existência? Quatro dias de feriado, quatro dias cinza de chuva e eu desmarquei viagem para a praia. Um dia de trabalho, ontem, e o maior sol do mundo, com direito a noite de lua e estrelas. Vai dizer que Murphy não existe? Então quem fez isso? Deus?

Esse post é só pra tirar aquele pesado que tava antes... Agora sim a listinha.

Anônimo Incógnito,
Alcool com Açúcar,
O Sarcófago ,
A Verdade está...aqui
Odeio Segunda Feira,
BlogsBurguer,
Neander Talk,
The Dark Elf ou A casa de Eol
Suum Cuique e seus Links

Encefalopsia,
Se não aguenta por que veio?
Malla´s Bloguer,
Falando mal de quem merece,
Os ombros suportam o mundo.
Minha Memória,
Angelica Liano,
Mulher de Fases.

Comments: postado por: Romy Trinity3:56 PM


sábado, octubre 09, 2004

HOJE

"Hoje eu levantei sem vontade de acordar. Joguei o gato, que brincava com meu cabelo e arranhou meu rosto, longe. Desliguei o relógio, me arrastei até o banheiro, saí apressada do banho, coloquei a roupa, passei perfume, dei comida, afaguei o gato, lancei um olhar rápido para os ratinhos dormindo, joguei o celular na bolsa e fui embora. Olhei o céu, e agradeci pelo sol em véspera de feriado.

No caminho pensava no que fazer com o dinheiro que eu, certamente, ganharia na loteria. Na estação, comprei a Folha Dirigida, e relutante em denominar Deus, criei a teoria da corrente das forças positivas, e agradeci a ela pelo concurso que eu tanto esperara. Agradeci a Deus também, por garantia. Liguei pra Cris, falei do concurso, falamos do sol maravilhoso, soltamos gritinhos estéricos, concluímos que de alguma forma algo bom existia. Disse que se eu ganhar na loteria, concordaria com as provas da existência de Deus de Descartes.

Com o maior sorriso do mundo, já pensando em tirar o tal do PIS/PASEP para a admissão no PROCON, entrei no ônibus. Cheguei na delegacia com duas horas de atraso, fiz cara de paisagem, me enfurnei na salinha, guardei o jornal. Recebi as mensagens, vi um pouco de TV, visitei uns velhos blogs e comecei a riscar o livro. Até que o escrivão me passa correndo, gritando doutora, doutora, doutora, ignorando minha cara de susto. Pelo tom, eu logo concluí o que era. Calmamente me levantei, peguei o rádio, e esperei a frase "o preso fugiu". Era o que de pior podia acontecer, não era? Por que o pânico?

Quando a delegada foi atrás do escrivão até a carceragem, fui junto. Aquela era a única equipe que, de alguma forma, me incluía, ou pelo menos me enxergava como ser existente, nada mais justo do que dar apoio. Fui atrás, ouvindo o escrivão "por que vc não gritou? por que não chamou? por que não segurou ele?", falando com o preso que dizia numa voz lenta e calma (pra não dizer débil) "eu chamei, mas ninguém me ouviu, eu fui segurar ele me bateu". Eu olhava pro preso entendendo, o cara fugiu. Foi quando eu vi. Na grade, na minha frente, a blusa azul no alto, a calça jeans, o corpo em suspenso. Não quis olhar para o rosto. Eu também tenho medo. Não queria ver o que já vira em fotos.

No exato momento, tudo sumiu, reflexo, pensamento, luz, realidade. Tudo sumiu. Segundos depois, vi o rosto da delegada, o sorriso nervoso da assistente social, a cara de pasmaceira do outro preso, o escrivão branco como papel. Enquanto organizava o pensamento, punha nomes às coisas. Banco, cadeira, Trinity, delegacia, telefone. Suicídio. Um homem estava enforcado lá atrás. Há quanto tempo? Não fazia muito ele havia passado na frente da minha sala, para assinar o flagrante, que ainda estava na minha mesa, aguardando a mensagem. A delegada falava com o titular no telefone, eu comecei a pensar em providências. Quanto tempo? Se E.R. era real, e não fazia ainda meia hora, ele poderia estar vivo. Eu sou um ser vivo, meu reflexo é pela vida. Eu queria tirar ele de lá.

Comentei com o escrivão, ele não pode estar vivo? Ele disse não, não sei, faz tempo. Não terminou a frase. Chegou o investigador, a assistente contou, ele não acreditou. Ele foi lá, todos fomos. A delegada disse que era pra esperar o titular. Só. Lá novamente, olhei para o corpo, como um todo. Pendurado. Não balançava, não estava inchado. Há quanto tempo? Entrei na minha sala. Eu tremia, tentava pensar. Providências, é preciso tomar providências. Depois que pensei nelas é que lembrei que eu não era delegada. Não era porra nenhuma. Mas o cara podia estar vivo. Cheguei perto do tira, do escrivão, falei baixinho, como uma criança, olha, vc não esteve lá há uma hora? Ele não pode estar vivo? Eles respondiam, não, claro que não, ele se enforcou, tá morto, a gente não pode mexer no corpo. Eu sei, mas, posso estar errada, mas se ele não quebrou o pescoço e ainda tiver uma passagem de ar, ele pode estar vivo? Ele não pode estar desmaiado?

Alguém disse que se ele estava fingindo, ele se fingia de morto muito bem. Acho que foi aí, que o cara morreu mesmo, porque agora, se podia rir disso. Mas eu não achei graça. Voltamos lá, chegamos perto. Deus me perdoe, mas eu não tive coragem de tocá-lo. Olhei. As mãos, estavam paradas, inertes, quase duras. A pele ainda tinha cor de pele. As unhas não estavam azuis, como diz os livros. Olhei fixo, nenhum movimento. Olhei o rosto. Não me lembro dos olhos. A pele do rosto estava branca sim, mas um branco quase normal. A boca estava entreaberta, os lábios um pouco inchados, a língua, levemente pra fora da boca, inchada, bem inchada. Como nas fotos. Fiquei olhando, esperando algum movimento, qualquer um. Não achei possível que ele estivesse respirando, mas não consegui estender a mão e ver se estava frio. Continuei olhando atenta, para as mãos, para a boca, o corpo, pensando em fotos, definições, qualquer coisa que pudesse me dar certeza de que ali não havia nada que eu pudesse fazer. Não pensei em rezar. Não pensei, naquela hora, em tentar fazer contato com o morto. A foto do homem enforcado no museu do crime, mais o texto que dizia que nos enforcados a língua ficava entre os lábios. Agora lembrei, os olhos estavam fechados. Se ele tivesse sufocado, era mais provável que estivessem aberto ou que houvessem contusões dele se debatendo. Meus dois companheiros de equipe se afastavam, eu declarei que estava morto mesmo, não podia estar vivo. Mas, pensei comigo, eu queria tirá-lo de lá, fazer uma traqueotomia, massagem cardíaca, ter certeza. Eu queria uma injeção de atropina. Tá no manual, morte é quando não há responta à atropina.

Antes que se afastassem muito, sugeri que o outro preso fosse tirado da cela, e claro, disseram que não. Eu também estava com raiva do cara, que viu o que o cara fazia e não fez nada. Só agora me pergunto o que realmente ele poderia fazer. Então, as pessoas foram chegando, começou aquela coisa paulista, meio italianada, de sempre que tem muita gente tem muita risada, quase uma festa. Meu lado humano começou a se manifestar, fiz o que me cabia, comunicações de praxe..."



Isso foi tudo o que consegui escrever no sábado, durante e depois da confusão que se formou no DP.

A ocorrência toda me fez repensar muitas coisas, e, como raramente me lembro de ter acontecido outras vezes, entendi o lado bom de tudo aquilo. Primeiro, e isso foi o mais claro, o suicídio deixou de ser uma alternativa tão próxima. Sim, porque durante muito tempo, foi. Tanto, que eu tinha medo de me matar como alguém tem medo de pegar AIDS, sabe, algo que vc previne, mas de uma maneira inexplicável, pode te alcançar.

Depois, repensei e não vou fazer a Iniciação Científica tendo isso como tema. Agora a palavra carrega junto uma imagem nada poética. Não vejo tão facilmente aquela beleza dark dos pulsos cortados, da decadência como meio de vida, da busca pela morte como meio de rebeldia. Kurt era lindo, genial, poético, tudo, mas não por ter se matado, e sim porque o era enquanto vivia. Claro que ainda adoro um gótico, um dark básico, um visual drácula, mas é bem diferente. Acho que farei algo sobre a liberdade.

Sabe, é estranho e desconfortável saber que enquanto eu estava na minha sala, na maior paz, escrevendo scraps do tipo "e aí, como vai a vida", no mesmo prédio, alguém se matava. Ao mesmo tempo, a certeza de que não havia nada que eu pudesse fazer para evitar, traz uma certa tranquilidade, um alívio. É o tipo de coisa sobre a qual eu nunca mais quero falar na vida, a cena que eu não quero rever, o lado feio demais do trabalho policial. Um trabalho que a mim por pouquíssimo e ido tempo mostrou sua face bela. Eu quero sair da polícia, e isso é um fato anterior, agora ratificado.

Se escrevi aquilo, é porque na hora, eu precisava por pra fora o que não poderia sair em lágrimas. Pela primeira vez na vida, liguei pra alguém (obrigada Scully) num momento assim. Talvez por estar vendo o que a falta de um ombro amigo pode fazer. Se publico isso hoje, é porque além de já ter um distanciamento seguro, tenho a esperança que, de repente, alguém lendo, possa aprender a ver a beleza da vida e a importância de cada escolha, sem ter que ter sob os olhos espectro algum de dor e morte.

Eu não sei se sei, se posso ou se acredito, em rezar ainda. Quem pode, o faça por ele, porque acredito sinceramente, que não há culpa para o desespero. E se houver, ele já expurgou a cota dele.

Comments: postado por: Romy Trinity6:52 PM


lunes, octubre 04, 2004

UM DIA APÓS O OUTRO


Confesso acordei achando tudo indiferente, verdade, acabei sentindo cada dia igual. Quem sabe isso passa, sendo eu tão incosntante, quem sabe, o amor, tenha chegado ao final. Não vou dizer que tudo é banalidade, ainda há surpresas, mas eu sempre quero mais. É mesmo exagero ou vaidade, eu não te dou sossego, eu não me deixo em paz.

Não vou querer a porta aberta - é como olhar pra traz. Não vou mentir, nem tudo o que falei eu sou capaz. Não vou roubar seu tempo. Eu já roubei demais.

Tanta coisa foi acumulando em nossa vida, eu fui sentindo falta de um vão pra me esconder. Aos poucos fui ficando mesmo sem saída, perder vazio, é empobrecer. Não vou querer ser o dono da verdade, também tenho saudade, mas já são quatro e tal. Talvez eu passe um tempo, longe da cidade, quem sabe, eu volte cedo, ou não volte mais.


Ana Carolina. Certas músicas traduzem tão perfeitamente tanta coisa, que, mais uma vez, como numa espiral, "perguntar carece, como não fui eu quem fiz". Tudo, num segundo, doloroso ou não, sentimento, sensação. Letra, música e voz fazem a alma se calar por finalmente poder deixar, por um instante, o fardo ali, naquele canto.

Confesso, acordei achando tudo indiferente. Talvez isso passe sendo eu tão inconstante. Dizer mais seria repetir a música toda, palavra por palavra. Engraçado, parece que existiam palavras que "nunca foram ditas", assim, desse modo, por mim. Só pra mim.

As palavras são da Ana, mas a vírgula é minha, e embora estejam já há um bom tempo ali, um dia, algo muda, e as palavras não terão sido ditas, novamente. Bastará uma outra versão, um novo show, ou o CD esquecido no fundo do armário, para que seja outra e esteja novamente ali, só por mim, só pra mim.

Mas, ainda há supresas, falemos de fatos. Nem só de peso e dúvida vive o homem (eu, no caso, mas não tenho certeza). Sábado retrasado foi dia de Interblogs Há Muito Esperado! Rebs, Anjo e Trinity numa tarde perfeita de sábado, jogando conversa fora na praça de alimentação do Bristol, rindo muito, jogando conversa dentro, falando da vida, metrô, onibus, pessoas, noção, falta de noção, desejos de fúria. Foi foda, ou se preferir, agradabilíssimo! Isso sem falar na estranha, divertida e excitante sensação de se conhecer alguém que já se conhece há quase um ano! Certas sutilezas do que eu escrevi, mesmo quando não estavam tão sutis assim, só eram captadas por pessoas virtuais, e a sensação de ser entendido é a melhor sensação do mundo!!! Acho que foi o final de semana que mais descansei nos últimos tempos.

Momento Dear Diary: Sábado, roulou o interblogs. Domingo a tarde visitei minha avó, que anda divertida de uns tempos pra cá. No mesmo domingo, fui ver meu avô, que anda meio triste de uns tempos pra cá. A questão é que, não sei como, abriu-se uma caixa de diálogo com a minha avó, e com o meu avô, fechou-se. Não foi agora, nem sei dizer quando, mas foi antes dele ficar mais triste e ela, mais engraçada. No mesmo domingo, dormi na casa da minha tia, e acabei perdendo a segunda, porque é difícil sair de lá (é muito divertido). Na terça, trabalhar. Qa quarta, cinema com a Scully. Assistimos "O Enviado", e na minha opinião, o ingresso valeu só por eu ter visto o trailer de Kill Bill 2. Quinta, trabalhar de novo e imaginar que se está matando um PM folgado que tem aqui. Sexta eu tirei os dentes do siso do lado direito, e, surpresa, não doeu e a recuperação está sendo light (embora o gosto de sangue não saia da boca). Acho que o medo ajuda a diminuir a dor: é a segunda vez que sinto muito, mas muito medo da dor e no final não foi nada disso. A primeira, foi quando um pedacinho de bambu entrou no meu pé e eu não deixei ninguém tirar, até que se formou uma bola de pus, e aí, não teve jeito e não doeu nada pra tirar. Sábado, trabalhar. Domingo, votar e trabalhar. Segunda trabalhar. Infelizmente, a partir de hoje, novos eventos só depois das provas, com excessão da praia no feriado. Tenho que ler, tenho que ler. Fim do momento Querida Agenda.

Además, só tenho a dizer que não poderei ir ao Rio em Novembro, que estou com vontade de passar quatro horas seguidas na net pra entender o Multiply, que quero ver se consigo postar alguma coisa no quarto já que estou com saudades dos meus amigos campistas e vai demorar mais ainda para voltar a reencontrá-los.

E que, é sem querer, mas ando mesmo sentindo cada dia igual. Tomara que isso passe...

Comments: postado por: Romy Trinity5:17 PM



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